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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Israel, a Palestina e os Cristãos

Nos últimos dias a mídia internacional tem sido inundada de notícias sobre o conflito Israel-Palestina, uma vez que esse tem sido o maior acirramento do conflito desde 2009. As imagens são chocantes, mísseis israelenses invadindo a Faixa de Gaza e gerando inúmeras vítimas civis, sobretudo crianças e mulheres. Daí não falta posts nas redes sociais escritos por cristãos que ou defendem Israel por crerem que esse ainda é o povo de Deus ou aqueles que embora tenham uma teologia correta com relação aos judeus, movidos por boas intenções, creio eu, assumem a posição do lobby pro-Palestina e acusam Israel de ser a praticamente a única manifestação da depravação humana na terra. Tudo isso me entristece profundamente, pois era contra essa ignorância com relação aos judeus que Paulo adverte a Igreja de Roma (Rm 11.25).

Em primeiro lugar é necessário esclarecermos que o atual Estado de Israel não é o cumprimento de profecias bíblicas, mas que foi criado mediante a soberania de Deus sobre a História a fim de cumprir os Seus próprios propósitos, uma vez que Deus é soberano e rege as nações (Sl 2). Isso, portanto, não significa que os cristãos devem apoiar o Estado judeu em todas as suas políticas e ações. Ao contrário, significa que nós como cristãos devemos ver o Estado de Israel como um Estado secular e pecador igual a qualquer outro, reconhecendo os seus erros e combatendo-os, principalmente as suas práticas abusivas que são implantadas contra os palestinos, as quais violam diretamente os seus direitos humanos e vão contra as atribuições estabelecidas por Deus para os Estados (Rm 13).

Um segundo esclarecimento necessário diz respeito à natureza do verdadeiro povo de Deus hoje em dia. Os judeus que hoje existem não são mais o povo de Deus, uma vez que na Nova Aliança através do sacrifício de Jesus na cruz a salvação se estende a todos os povos, de todas as etnias e nações (Is 19.23-25, Mt 28.19, At 2.11, Ap 5. 8-10). Isso pode ser visto claramente no que Paulo diz aos Gálatas, ao afirmar que os verdadeiros filhos de Abraão não são apenas os judeus, mas os eleitos de todas as nações (Gl 3.6-8). Isso significa que o verdadeiro povo de Deus hoje é formado não apenas por judeus, mas também por alemães, palestinos e árabes! Ainda hoje há judeus que se convertem ao Cristianismo ao reconhecer Yeshua (Jesus) como o messias e esses sim é que passam a ser o povo de Deus, mas não os outros judeus que rejeitam a Jesus, como é a grande maioria dos judeus que compõem o atual Estado de Israel.

Tudo isso me faz crer que se o povo de Deus é formado tanto por judeus quanto palestinos, no atual conflito não devemos ficar nem do lado de Israel tão somente, nem do lado dos palestinos como se eles fossem as únicas vítimas da História. Devemos levar em consideração os princípios bíblicos de justiça e ter em mente que no atual conflito, ambas as partes são injustas e cometem atrocidades mútuas, violando assim a Lei de Deus. Isso não significa, contudo, que devamos ser imparciais, até porque isso é impossível, mas sim que devemos ficar ao lado da Igreja, o povo de Deus e para isso precisamos saber onde eles estão e como tudo isso os afeta.

Infelizmente embora seja o berço do Cristianismo, a atual “Terra Santa” é um dos lugares onde há menos cristãos. Os números são bastante inexatos, mas crê-se que apenas 2% de toda a população de Israel e dos territórios palestinos ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) sejam cristãos. Isso se dá devido a dois fatores: conflitos na região e perseguição religiosa. A criação do Estado de Israel em 1948 e os conflitos que o seguiram geraram uma grande onda de refugiados palestinos, entre os quais estavam em sua maioria cristãos, fazendo com que a sua presença na região diminuísse significativamente já a partir daí.

A situação, porém, piorou ainda mais após a Segunda Intifada palestina quando a Autoridade Palestina passou a administrar a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza, o que ocasionou o surgimento da perseguição aos cristãos palestinos, os quais passaram a ser identificados diretamente como aliados ao governo israelense e por isso perseguidos. Tal perseguição advém da própria sociedade palestina, majoritariamente muçulmana, mas é de certo modo legitimada pelos governos da Autoridade Palestina e do Hamas. Os abusos sofridos pelos cristãos na região são vários: há conversões forçadas ao Islã, mulheres cristãs sofrem violência por não usarem o véu islâmico, igrejas são bombardeadas e alguns líderes da igreja até mesmo assassinados. Não é à toa que segundo a Missão Portas Abertas, os territórios palestinos são o 34° lugar em uma escala de 50 em que os cristãos mais sofrem perseguição.

Tanto o Hamas quanto a Autoridade Palestina possuem claramente uma agenda islâmica anti-cristã e isso por si só já seria um grande motivo para os cristãos não os apoiá-lo. Mas por outro lado, e quanto a Israel? Israel é a única democracia do Oriente Médio e teoricamente o Estado assegura o direito de liberdade dos cristãos. Lá também é o único lugar do Oriente Médio em que a população cristã ao invés de diminuir tem crescido. Mas isso não significa que os cristãos não são perseguidos em Israel. Lá a perseguição existe sim e é impetrada por grupos de judeus radicais, os quais tem assento no Parlamento israelense e até criaram uma lei que proíbe a pregação do Evangelho em lugares públicos, como em ônibus. Além disso, também há perseguição por parte de setores mais extremistas da sociedade judaica que não aceita que judeus se convertam ao Cristianismo e persegue a pequena, porém crescente, comunidade de judeus messiânicos, os judeus cristãos. Ao mesmo tempo, o governo israelense também dificulta a migração de judeus messiânicos para Israel.

Tudo isso mostra que tanto em Israel quando na Palestina os cristãos sofrem e que ambos os lados cometem graves erros. Isso porque analisei apenas a questão da liberdade religiosa. No atual conflito entre Israel e o Hamas, por exemplo, é verdade que as bombas lançadas por Israel são proibidas pelas convenções internacionais devido aos danos que podem causar em seres humanos, sendo considerado um crime. Mas por outro lado, e quanto aos civis palestinos que são utilizados pelo Hamas como escudos humanos para se defender dos taques israelenses? Assim, qual deve ser a posição de um cristão diante disso tudo? Creio que Paulo nos diz em Romanos 11.25-27:

Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçosos: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegasse a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados".

            Paulo ao escrever aos Romanos os advertiu sobre a sua ignorância e presunção frente aos judeus. Provavelmente estava surgindo na Igreja alguma espécie de anti-semitismo. Talvez pelo fato de que ainda estivesse muito vívida a imagem de que foram os judeus quem mataram Jesus, o que sabemos ter sido apenas uma expressão da vontade de Deus, pois quem matou Jesus foi o próprio Deus. O fato é que infelizmente ao longo da História a Igreja tem sido ignorante com relação aos judeus e tem sido uma das maiores fontes de anti-semitismo. Vemos isso durante o período da Inquisição da Igreja Católica e até mesmo nos escritos de Lutero, o pai da Reforma que tanto admiramos e por quem somos tão gratos a Deus. Lutero, apesar de ter sido um homem muito piedoso e temente a Deus, era falho. Ele não compreendeu o mistério de Israel do qual Paulo fala em Romanos 11 e segundo alguns historiadores foi quem lançou as bases do anti-semitismo de Hitler. Essa mesma onda de anti-semitismo tem voltado a afetar a Igreja de Cristo nos dias atuais, mas com um novo nome: anti-sionismo!

Muitos cristãos fiéis, por crerem nos pressupostos aqui assumidos no início do texto sobre os judeus e ao verem os erros que o atual Estado de Israel tem cometido contra os palestinos acabam assumindo lobby pro-Palestino, o qual não quer simplesmente o fim da ocupação israelense e justiça para os palestinos, mas sim a destruição do Estado de Israel. Soma-se a isso um grande aumento em escala global do extremismo islâmico, que tem como principais alvos cristãos e judeus. Ou seja, se o Estado de Israel deixar de existir hoje, veremos um banho de sangue judeu maior do que o Holocausto. Um vislumbre que podemos ter disso é a perseguição aos cristãos em contextos islâmicos.

Devemos sim, como cristãos lutar por justiça para os palestinos e criticar determinadas ações do Estado judeu, mas não sermos anti-semitas. Digo isso, porque logo alertar a Igreja a não ser arrogante quanto aos judeus, Paulo revela o “mistério de Israel” que consiste no fato de que os judeus serão reconciliados por Deus após a plenitude dos gentios se completar. Isso significa que após o Evangelho do Reino ser pregado a todos os povos (Mt 24.12), haverá um avivamento entre os judeus e um grande número deles será salvo, completando assim o número de eleitos e preparando o caminho para a volta de Cristo. Entretanto, vale salientar que para que a plenitude dos gentios se complete eleitos de todas as nações devem ter ouvido a pregação do Evangelho.

Hoje os povos menos alcançados pelo Evangelho são exatamente aqueles que mais odeiam os judeus: são as diversas etnias árabes e os povos do Oriente Médio que professam o Islã. Os palestinos mesmo são considerados um povo não alcançado pelo Evangelho. O Islã é a última fronteira missionária para o Cristianismo e o Evangelho tem que voltar à Jerusalém, completando assim a plenitude dos gentios para que haja o avivamento entre os judeus e assim a paz seja estabelecida no Oriente Médio. Ou seja, Jesus, o Príncipe da Paz e o Seu Evangelho são a solução para o conflito entre árabes e judeus. O que os dois povos precisam é o Evangelho!

Paulo fala que a conversão dos gentios levará os judeus ao ciúme e assim eles serão novamente enxertados na oliveira, que é Jesus. Por isso, o papel de um cristão diante do conflito Israel-Palestina é orar para que o Evangelho seja pregado entre os árabes. Orar por um avivamento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Um cristão de verdade deve amar os palestinos, pois assim estará também amando aos judeus e a Cristo. É por isso que como cristãos devemos tomar o lado da Igreja. Devemos fortalecer a Igreja nos territórios palestinos e em Israel. Devemos nos levantar contras as injustiças cometidas em ambos os lados. Mas acima de tudo devemos pregar o Evangelho a eles. A salvação dos judeus passa pela salvação dos palestinos. A paz na Faixa de Gaza é a paz em Israel e vice-versa.

Uma das coisas que tem me incomodado é perceber como no Oriente Médio muitos vêem no Islã a solução para o conflito e não temem divulgar isso. Aqui no Ocidente, sobretudo na academia, crer-se que ideologias humanistas como o Marxismo é que fará isso. Mas se realmente somos cristãos e cremos que a Bíblia é a palavra de Deus, veremos que é o Evangelho é que é a solução para todos os problemas. Por que, então, tememos afirmar isso?

É por isso que oro a Deus para que os cristãos da minha geração não ignorem o mistério de Israel. Que não cometamos os erros que a Igreja cometeu no passado com relação aos judeus. Que amemos os judeus, mas também amemos os palestinos. Que nos lembremos que a maior injustiça social é a falta de pregação fiel do Evangelho e a maior ocupação é a ocupação espiritual por sofismas e falsas ideologias que se opõem a Cristo. Que uma das nossas demonstrações de amor por Cristo seja amar os judeus e consequentemente os palestinos.

Igor Sabino

Graduando em Relações Internacionais pela UEPB
Facebook: https://www.facebook.com/igorhsabino

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Quando nós Enviamos uma Pessoa à sua Morte

Ronnie Smith foi morto com um tiro em Benghazi, Líbia, dia 3 de Dezembro de 2013. Ele tinha 33 anos. Era marido e pai. Os líderes da igreja da qual ele era membro me deram permissão para falar acerca da sua morte de forma pública e cuidadosa.
Uma das razões pelas quais quero falar acerca disso é porque o Ronnie escreveu a nós do Desiring God ano passado e nos disse que uma das minhas mensagens foi bastante significativa em sua decisão de ir junto com sua família para a Líbia.
Anita agora é uma viúva, e seu filho Hosea perdeu o pai.
Chorando com os que choram

Como eu me sinto ao falar acerca do que o levou à sua morte?
Eu chorei essa manhã ao orar por Anita e Hosea. Chorar com os que choram não foi um mandamento naquele momento; foi a tristeza tomando conta de mim. Eu me lembro de quando eu tinha 33 anos. Essa era a idade que eu tinha quando Deus me chamou ao ministério pastoral. Eu estava iniciando o meu ministério na mesma idade que o ministério de Ronnie terminou. Assim como o de Jesus.
Depois da tristeza e simpatia, minha resposta foi (e é) oração. “Senhor, dê à Anita uma grande fé. Ajude-a a chorar – mas não como aqueles que não tem esperança. Torne aquele pequeno garoto orgulhoso do seu pai. Que eles vivam sobre as glórias de Romanos 8 – os gemidos deste mundo caído que aguarda (Romanos 8.23), e a sólida certeza de que, embora sejamos mortos todos os dias, ainda assim, em todas essas coisas somos mais que vencedores (Romanos 8.36-37).”
Algo pior do que a morte

Sendo sóbrio. Ronnie não é a primeira pessoa que morreu fazendo o que eu as encorajei a fazer. Ele não será o último. Se eu pensasse que a morte fosse a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa, eu estaria cheio de ressentimentos.
Mas o ponto central da vida do Rommie é que há algo pior do que a morte. Então ele estava disposto a arriscar a sua própria vida a fim de salvar outros de algo ainda pior. E ele poderia arriscar a sua própria vida porque sabia que seu próprio risco e morte poderiam lhe trazer “um eterno peso de glória” (2 Coríntios 4.17); Ele sabia que Deus era capaz de suprir cada necessidade da sua esposa e filho (Filipenses 4.19).
Não não estamos brincando. Quando eu prego que correr riscos é o correto, eu sei o que eu estou fazendo. Quando eu digo “Deus é mais satisfeito em nós quando estamos mais satisfeitos nele – especialmente no sofrimento”, eu sei o que sofrimento pode significar. Quando eu digo, “Não tenham medo, o máximo que podem lhe fazer é mata-lo” (Mateus 10.28), eu levo a sério as palavras de Jesus: “entregarão alguns de vocês à morte…Contudo, nem um fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá (Lucas 21.16-18).”
Inunde o mundo com substitutos

Finalmente, eu chamo centenas de vocês para tomar o lugar do Ronnie. Eles não nos matarão rápido o suficiente. Que os substitutos inundem o mundo. Nós não buscamos a morte. Nós buscamos a eterna alegria do mundo – incluindo a dos nossos inimigos. Se eles nos matarem enquanto nós os amamos nós estamos em boa companhia. Jesus não nos chama para uma vida fácil ou segura. Ele nos chamou para amar, pela causa do Seu nome. Em todo lugar. Entre todos os povos.
Anita e Hosea, eu amo vocês. Eu sinto muito, muito, pela perda de vocês. Eu admiro vocês e o Rommie profundamente. Apeguem-se firmemente a isso: “Deus não destinou vocês (ou Rommie) para a ira, mas para alcançar a salvação, mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com ele” (1 Tessalonicenses 5.9-10).

John Piper
Original: http://www.desiringgod.org/blog/posts/when-we-send-a-person-to-his-death
Tradução feita por Igor Sabino

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Missões na Web

A igreja tem a missão primordial de evangelizar. Esta é a ordem do Senhor Jesus para todos nós (Mc 16:15,16; Mt 28:18,19). É certo que desde que esta tarefa nos foi entregue a mais de dois mil anos, houve mudanças significativas nos meios de comunicação entre as pessoas. O compartilhamento de informações que outrora acontecia unicamente através da oralidade (ou) de forma escrita, agora dá-se também através do rádio, televisão e mais atualmente pela web, o que chamamos de meios de comunicação de massa.

Desde a popularização da internet, ela tem sido um dos veículos mais utilizados pela Igreja na tarefa de evangelizar. Há uma propagação abundante da Palavra de Deus, seja através de redes sociais, blogs ou sites. E a apropriação destes novos meios tem possibilitado um avanço formidável na transmissão do Evangelho, meio mais eficaz atualmente que a própria Televisão. Lembremos que no Brasil grande parte das programações evangélicas exibidas nas TVs abertas são produzidas por denominações neo-pentecostais, o que dispensa maiores comentários.

Em contrapartida o ambiente virtual possibilita uma presença mais democrática. E é deste espaço que nós devemos nos valer, pois tem sido outra grande porta aberta para a evangelização. Este auxílio é um privilégio que outras gerações não tiveram oportunidade de desfrutar, contudo fizeram um excelente trabalho de evangelização. Com as facilidades que temos hoje, nossa responsabilidade é ainda maior. Estas múltiplas formas de comunicar o Evangelho nos tira qualquer justificativa por não levarmos as Boas Novas aos perdidos.

A internet é um excelente campo missionário, principalmente através das redes sociais, que nos possibilita a oportunidade de mantermos contato com centenas de pessoas diariamente. Nossas postagens podem ser vistas e compartilhadas por amigos, amigos dos amigos, e até por desconhecidos. As mensagens transpõem espaços geográficos, chegando a lugares que possivelmente jamais teremos oportunidade de visitar. E tudo isto acontecendo numa velocidade incrível.

Mas, embora esta conexão em rede nos ofereça muitas facilidades, também devemos considerar algumas ciladas do evangelismo virtual, como por exemplo, a impessoalidade e o comodismo. 

O discipulado é parte importante do evangelismo, e este acompanhamento virtual não é tão eficaz quanto o pessoal, embora em casos onde não seja possível um contato direto possamos recorrer a mediação online, mas nestes casos o ideal é utilizá-la como um recurso secundário, complementando conversações reais já iniciadas; as múltiplas facilidades proporcionadas pela internet, quando podemos interagir com dezenas de pessoas sem ao menos levantar de nossa cadeira, pode nos causar certa indisposição para praticar os métodos mais tradicionais, gerando o perigoso comodismo. Lembremos que não precisamos necessariamente pedir o facebook de alguém para podermos compartilhar a nossa fé quando temos a oportunidade de conversar com ela ao vivo.


Cientes de algumas emboscadas da web, devemos aproveitar ao máximo a liberdade que gozamos de compartilhar o Evangelho sem restrições. Que possamos fazer bom uso de nossas páginas, pregando aos milhares de internautas que perambulam perdidos pela Grande Rede. Cabe a nós fazer bom uso destas novas ferramentas que se apresentam para que Cristo seja conhecido por todos os homens e estes possam ter esperança de salvação. 

Missionário Ericon Fábio

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Ekballo! “Apressando a Vinda de Jesus”.

Uma das questões chave do Cristianismo e também uma das mais polêmicas e controversas é a segunda vinda de Jesus. Desde a sua subida aos céus mediante a promessa de retorno, cristãos tem debatido acerca de como se dará esse glorioso evento que finalizará a História. Uns acreditam que isso acontecerá após o milênio, outros creem que antes... Enfim, esse é um longo debate no qual eu não quero entrar, embora tenha uma posição escatológica já bem definida.

O fato é que Jesus antes de subir aos céus, nos deixou um único sinal exato acerca do tempo da sua vinda, independente de nossas diferentes interpretações escatológicas. Esse paradigma, por assim dizer, do tempo da Sua vinda se encontra em Mateus 24.14:

“E este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro, para testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”

Segundo o próprio Jesus, para que Ele retorne à Terra outra vez, é necessário que o Evangelho seja pregado a todas as nações. No grego, a palavra utilizada é ethnos, que significa literalmente etnia. É a mesma palavra utilizada por Jesus em Mateus 28.19 ao designar aos seus discípulos a Grande Comissão. É também a mesma palavra utilizada Jesus, oriundos de todas as tribos, línguas e nações. O que significa que para que Jesus volte, as pessoas de todas as nações (ethnos) que Jesus comprou para si precisam ouvir a pregação do Evangelho e se converterem. O que acontecerá quando a Igreja cumprir a Grande Comissão.

Ao olharmos para o mundo hoje podemos achar que o Cristianismo já está presente em todos os países, e de fato está. Há uma Igreja forte em praticamente todos os Estados geopolíticos do planeta. Temos vivido a chegada da chamada “Nova Cristandade”. O Cristianismo ainda é a religião que mais cresce no mundo, sobretudo nos países da América Latina, África e Ásia. Até mesmo no Oriente Médio são inúmeros os relatos de conversão. Entretanto, isso ainda não é suficiente para cumprir a ordem de Jesus, uma vez que Ele utiliza a palavra nações para se referir não a países, mas a grupos étnicos. Assim sendo, estamos hoje diante de uma das maiores catástrofes humanitárias e a maior de todas as injustiças sociais. Uma vez que ainda existem cerca de 7.000 nações (ethnos) ainda não alcançadas pelo Evangelho. 2.9 bilhões de pessoas estão indo para o inferno por não conhecerem Jesus. Desse modo, para que Jesus retorne, é necessário que todas essas nações o conheçam. É aí que Jesus nos dá o grande privilégio de “apressarmos” a Sua vinda!

Mateus 9 relata que Jesus ao se compadecer das multidões que não o conheciam, ensinou aos Seus discípulos a seguinte oração:

“Rogai ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a Sua colheita.”

           Aqui Jesus os incita a orar para que Deus levante pessoas capazes de cumprirem o Seu plano de levar o Evangelho às nações e assim estabelecer o Seu Reino por completo sobre a Terra. O que acho mais interessante nessa oração, mais uma vez é o léxico grego. Dessa vez, a palavra utilizada no lugar o verbo mandar é ekballo que significa enviar com violência, chutar para fora a fim de alcançar um alvo.

            É assim que podemos “apressar” a vinda de Jesus. É orando ekballo! Orando para que Deus envie Seus trabalhadores aos confins da terra, aos lugares mais sombrios do mundo a fim de que o Seu Filho receba as nações (ethnos) por herança. Por isso, é impossível orar para que Deus envie os Seus trabalhadores sem se dispor a ser um desses trabalhadores. Se realmente somos cristãos e amamos a vinda de Cristo como a Bíblia nos ensina, também amamos as nações e nos compadecemos dos perdidos. Se realmente queremos “apressar” a vinda de Jesus então precisamos nos envolver com missões.

Mais do que nunca temos que orar ekabllo e nos dispormos a sermos a resposta dessa oração. Jesus não quer que o maior número de pessoas de qualquer lugar o aceitem. Antes da fundação do mundo Ele já escolheu para si gente de todas as nações. Mas para que elas venham até Ele, alguém precisa ser enviado (ekballo) até elas.


Ekballo! Que seja essa a nossa oração!

Igor Sabino
Facebook: https://www.facebook.com/rodrigo.ribeiro.14811

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O que é o Crente Estático? Com a Palavra, Mauro Meister

Ouvi esta expressão e fiquei pensando o que seriam. É um crente, crê, até confia na obra de salvação feita pelo Senhor, mas sua fé não tem caminhada, não tem estrada, não tem vivência. Ele separa sua vida religiosa dos seus afazeres do dia a dia. O crente estático vai à igreja de maneira regular, dá o dízimo ou contribui e tem até alguma função na igreja, mas não tem missão! Seu coração não é mais movido pelo senso claro de urgência que existe na Palavra de Deus, de que sua fé precisa ser manifestada pelas verdadeiras boas obras, como um fruto. O crente estático é o crente sem missão.


Fonte: https://www.facebook.com/mfmeister/posts/10204136679521018

Presb. Cícero da Silva Pereira



sábado, 4 de janeiro de 2014

Um Chamado às Mulheres Solteiras

“Portanto, uma mulher solteira que vive com aquele dia final em vista e faz de Cristo o seu tudo em tudo aqui, diz algo muito poderoso e bastante claro acerca do seu Salvador.”– John Piper

Esse artigo é para todas vocês mulheres solteiras que já deram uma segunda olhada para o campo missionário. As que ainda não deram, eu peço-lhes que considerem gastar suas vidas proclamando a dignidade de Cristo entre os povos não alcançados, uma vez que temos vivido com os dias finais em vista.

Aqui está a conclusão a que cheguei: Há uma beleza única em nossa solteirice e nós temos primeiramente que entender de que forma esse nosso estado magnifica a Deus. Eu estou certa de que se nós como “um grupo de pessoas” compreendêssemos a razão para nossas vidas de solteiros, nós como um Corpo de crentes seriamos muito mais propensos à ação, ao invés de nos acomodarmos aos confortos do mundo ocidental. Ver essa fase como uma benção ao invés de um “período de espera” nos permite experimentar e magnificar a dignidade de Cristo de um modo único que não será mais possível no casamento. O gênio do John Piper formulou os três pontos seguintes que nos apresentam uma perspectiva de como essa fase tem o poder de mistificar o mundo secular. Contudo, eu realmente oro para que isso fale profundamente aos nossos corações.

1) Uma vida de solteiro que exalta a Cristo carrega o testemunho de que a família de Cristo cresce através da regeneração pela fé e não através da propagação por meio da atividade sexual. A principal coisa que temos a ver é com relação a essa família. Assim, se você nunca se casar e abraçar uma vida de castidade e sem filhos biológicos, e receber isso das mãos do Senhor como um ato de misericórdia e um presente com contentamento, e se juntar ao pobre e aflito, e gastar a si mesma pelo Evangelho, sem autocomiseração; você irá, em uma feminilidade solteira única, magnificar a Cristo de formas que uma mulher casada nunca poderá.

2) Uma vida de solteiro que exalta a Cristo carrega o testemunho de que relacionamentos em Cristo são mais permanentes e mais preciosos do que os relacionamentos em famílias. Se uma mulher solteira se volta sem amarguras ou ressentimentos da ausência de sua própria família e se dedica à criação da família de Deus na igreja, ela encontrará um florescer da sua feminilidade


3) A vida de solteiro de uma mulher que exalta a Cristo carrega o testemunho da verdade de que o casamento é temporário e finalmente dará lugar a um relacionamento que desde o início apontava para Cristo e a Igreja. Dessa forma, não será mais necessário uma figura quando vocês estiverem face a face.

Eu quero ver mais de nós nos unindo ao pobre e aflito. Eles cobrem o mundo. Mas em minha opinião, há uma necessidade ainda maior de nos unirmos aos que estão entre os povos não alcançados – pois eles também são pobres e aflitos sem Deus. O fato de ainda haver povos que não tiveram o Evangelho penetrado em seus corações é a maior tragédia e injustiça social que vejo hoje. Especificamente, eu vejo olhos de touro sobre o Oriente Médio e nós como Igreja precisamos de mulheres ousadas que irão extinguir a si mesmas em palavra, oração e adoração diária a fim de serem flechas preparadas para serem lançadas e atiradas sobre aquele alvo. Nós precisamos estar moldando as nossas ferramentas e nos engajarmos na guerra iminente. Em “The Perseverance of Jesus” (A Perseverança de Jesus), Mike Bickle afirma, “Deus nos faz um flecha com o propósito de nos atirar em Seus momentos estratégicos. Cada pessoa é unicamente moldada por Deus como uma flecha preparada para um alvo específico. Nós temos que abraçar o alvo que Deus criou para nós. Uma flecha tem alvos específicos em diferentes fases da vida de uma pessoa. O tiro da flecha não está limitado à plataforma de um ministério, mas a qualquer designação que Deus nos der.”

O Senhor tem sido estratégico ao usar missionárias solteiras como flechas. Elas tem sido um fator dominante na grande história da missões mundiais, ao modificarem nações. Quando eu olho para o coração de uma mulher eu vejo uma habilidade de se conectar com o coração do Pai Celeste que produz uma compaixão única pelo perdido. Quando Amy Carmichael ouviu Hudson Taylor, fundador da China Inland Mission, falar sobre os não alcançados, ela foi levada a ficar de pé e fazer algo com relação àquelas estatísticas. Aquelas estatísticas não poderiam sustenta-la, contudo. O que sustentou Amy foi o amor do Calvário. Ela disse: “Isso não desperta os nossos corações a ir e ajuda-los, isso não nos faz ansiar por abandonar nossa luxo, nossa excedente abundante luz e ir termos com eles que estão sentados em trevas?” O amor do Calvário não nos desperta a irmos? Isso não deveria nos levar a tomar uma ação? A vida de Amy foi cheia de abandono por Cristo. Ela viveu uma vida de completa entrega ao Senhor por causa da sua revelação do amor do Calvário. Amy escolheu morrer para si mesma quando ela colocou de lado seus desejos pessoais, família e convenções sociais. Ela nunca se casou, pelo contrário, deixou a casa do pai e da mãe a fim de abraçar uma terra de caos como sendo sua. Ela contendeu pelo retorno do Senhor em meio aos não alcançados. Eu acredito que essa perspectiva é chave para nós hoje. Amy esteve na Índia por 55 anos sem licença, o que nos mostra que ela colocou a mão no arado e não voltou atrás. Ela viu o trabalho que estava sendo produzido pelo trabalho no campo muitos anos depois. Labor como o dela não produz resultados instantâneos, mas requer tempo, sangue e suor, e nós deveríamos ir despreocupados se veremos os frutos que produzimos ou não.


Amy abriu mão de sua vida de maternidade para seguir a Cristo em uma terra de trevas e em resposta à sua obediência, o Senhor a abençoou tornando-a mãe de centenas de crianças indianas. Ela foi claramente separada. Ser separado para um trabalho único pelo Senhor requer a graça que somente Ele pode prover. Nó temos que depender dEle diariamente. Que grande aventura eu vejo em uma pessoa abandonar a si mesma pela causa por causa dEle, cujo nome é digno de receber louvor e honra entre os não alcançados.

Todas essas coisas se resumem nisso: Ele é digno? Essa é uma questão com a qual eu e você devemos lutar. Para mim, não há maior alegria do que gastar os meus dias de solteira vivendo ousadamente pelo Senhor entre os não alcançados. Eu estou convencida de que estaria fazendo o mesmo se eu fosse casada e com uma família. Eu tenho entendido, contudo, que há algo único nessa fase em que estou atualmente. I não quero ver nenhum dos meus dias desperdiçados. Eu tenho apenas essa vida e quero falar do meu salvador. Como uma mulher solteira, posso entrar em lugares que outros não podem. Eu sou capaz de ter uma agenda que não é interrompida por outros. Eu sou capaz de ter uma agenda que é planejada pelo Senhor, assim como é mais fácil para mim ter os meus planos “interrompidos” pelo Espírito Santo. Eu escolhi correr essa corrida porque eu tenho sido cativada pelo meu Amado e Ele não está à esquerda ou à direita, mas à frente. É um caminho estreito a seguir. Ele pode ser solitário e desencorajador algumas vezes, mas com o Senhor como nosso sustentador e fundamento da nossa alegria, vejo que vale a pena segui-lo. Ele não é desse mundo e muitos não o entenderão. Esse chamado requer sacrifício, riscos e compromisso, mas Ele é digno de tudo e quando você chega a essa conclusão, você considera uma honra ir e derramar a sua vida entre pelo menos um desses povos. Nós temos uma linda história que nos foi confiada e não podemos ser egoístas em mantê-la apenas para a nossa América do Norte que já tem acesso à ela.

Um missionário trabalhando nas fronteiras do Tibet escreveu essas impressionantes palavras: “Os olhos dos cristãos deveriam se voltar instintivamente para as terras fechadas ao Evangelho nessa era missionária assim como os olhos de um exército conquistador se voltam contra os poucos remanescentes postos avançados do inimigo que resistem aos vencedores e dificultam a completa vitória; sem quais o chefe comandante é impossibilitado de fechar a campanha.”
-Robert Hall Glover

 “Sem reservas. Sem recuar. Sem ressentimentos.” – William Borden (influenciado pelas missões aos muçulmanos na China)

 “Quando o mundo ver milhões de cristãos ‘aposentados’ derramando as últimas gotas de suas vidas com alegria pela causa dos povos não alcançados e com uma visão voltada para o céu, então a supremacia de Deus brilhará.”
-John Piper

“Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.

Original em: http://www.faimission.org/a-call-to-single-women-to-dig-in-the-middle-east

Texto de  Sarah Racine

Tradução feita por Igor Sabino


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Eu Vos Escrevo, Jovens Rapazes

 “Dois terços dos missionários ativos são casais casados. Outro terço são mulheres solteiras. O resto são homens solteiros.”

Isso não é exatamente uma estatística, propriamente dita. É um sentimento, e algumas vezes uma brincadeira feita por líderes de agências missionárias, e mais recentemente, por um monte de solteiros de vinte e poucos anos em minha sala de estar. É um sentimento que revela uma verdade impressionante sobre o trabalho missionário hoje em dia: há muito poucos homens solteiros escolhendo ir.

A verdadeira estatística é essa: para AIM¹ e outras organizações similares, algo aproximadamente entre 80 e 85 por cento de todos os missionários solteiros são mulheres. Para cada 10 solteiros enviados, apenas 2 são homens. A disparidade é grande o suficiente a ponto de haver uma enorme lacuna em muitos campos missionários. Está faltando homens, e por isso um grupo de mulheres tem assumido o trabalho. Às vezes fazendo trabalhos em que a presença masculina seria mais recomendada.

Por que existe tão grande diferença entre homens e mulheres que escolhem fazer missões em seus anos de solteiros? E por que isso importa?

Estatísticas e dados demográficos são uma forma humana de mensurar algo. Talvez Deus esteja simplesmente dirigindo mais mulheres às missões do que homens – é como se Ele chamasse mais pessoas de Michigan do que de Nova Yorque (ou Ele chama mesmo?). Mas talvez haja algo por trás dessa tendência. Talvez haja algo diferente que nossas igrejas e agências missionárias possam fazer. E talvez haja alguns homens que precisem seres despertados e chamados.

A maioria dos solteiros se envolvendo com missões hoje em dia são muito novos, parte da geração conhecida como os “mileniaristas”. Eu não sou jovem, nem solteiro. Então, a fim de compreender melhor a questão, convidei à minha casa meia dúzia desses jovens com a promessa de uma refeição caseira e uma noite animada, possivelmente com uma conversa inquietante. O grupo consistia em três homens solteiros e três mulheres solteiras, cujas idades variavam de 22 a 30 anos. Todos missionários efetivos na África.

Muito tem sido dito acerca dessa geração e não sou o primeiro a refletir se algo está indo errado. Há uma vasta quantidade de escritos e até mesmo pregações lamentando a diminuição da participação de homens na sociedade moderna e na igreja. Mark Driscroll, pastor titular da Igreja Mars Hill em Seattle pontua isso abruptamente (como ele geralmente faz): “A pessoa menos provável de se ver na igreja é um jovem rapaz solteiro de vinte e poucos anos”. Por coincidência (ou seria por consequência?) essa é também a pessoal menos provável de se ver no campo missionário.

Uma Tendência Cultural

Distraído, cheio de si, sem motivação, apático. Se você fosse procurar adjetivos que descrevam a geração mileniarista, esses são algumas das descrições comuns que surgiriam. Eu coloquei isso, timidamente, em nosso grupo de discussão e perguntei se eles concordavam. Fiquei surpreso ao ouvir um alto “sim”.

Cada vez mais conectados, os mileniaristas tem o mundo ao alcance dos seus dedos, entretenimento em toda esquina e expectativas de que as coisas deveriam ser mais simples- tão simples quanto um click. Apesar dessa massiva conexão virtual, eles estão crescendo cada mais entediados, desconectados e apáticos. Os homens em particular estendem os seus desejos de adolescência, e tanto homens quanto mulheres atrasam o casamento. Eles trocam de empregos frequentemente, vão à igreja com menos fervor; contudo, “postam” de forma prolífica acerca do que está errado com o mundo.

Driscroll percebe isso na igreja da seguinte forma: “O pecado notório dos garotos cristãos hoje em dia é se preocupar mais acerca das coisas do que tentar fazer algo.”

Benjamin Brophy, em um artigo intitulado “My Generation’s Disease” (A Doença da Minha Geração), colocou a questão da seguinte forma: “Mileniaristas querem mudar o mundo, mas eles sentam e esperam que a oportunidade de mudar o mundo seja dada a eles. O clichê é: queremos salvar o mundo, mas queremos fazer isso por trás da tela de um computador”.

Nosso grupo em foco utilizou a recente campanha “Kony 2012” como uma ilustração. O vídeo documentário expondo o chefe de guerra Joseph Kony e as atrocidades que ele cometeu na África Central se tornou um viral massivo em 2012 – largamente devido ao ultraje moral dos mileniaristas.

 “Então muitos foram despertados” nosso grupo disse, “mas tudo o que eles fizeram foi compartilhar o vídeo. Eles não tinha ideia de que isso estava acontecendo por anos, e agora, ninguém fala mais sobre ele.”
 “Essa não é uma mudança duradoura”, uma das jovens mulheres acrescentou, “Isso apenas faz você se sentir melhor”.

Eu perguntei ao grupo se o mundo poderia realmente ser mudado com um click. Sim, eles disseram, como mileniaristas, tem testemunhado essas coisas em primeira mão durante o período de vida deles. Então eu os perguntei se discípulos poderiam ser feitos com um click.

 “Leva tempo para construir relacionamentos, estar na vida das pessoas, e entender uma cultura é muito mais difícil do que clicar um botão”, uma mulher argumentou. “Eu não conheço muitos jovens que estejam dispostos a se meterem em situações como essa. Isso é realmente muito difícil. Discipulado requer relacionamentos reais, compromisso e sacrifício.”

Isso poderia ser parte do que está afetando a participação dos mileniaristas em missões, e se for, isso é um fator maior para homens? Os homens são mais apáticos do que as mulheres? Até mesmo para tentar responder isso, nós teríamos primeiro que definir o que é masculinidade, ou de preferência, como ela é percebida.

A questão dos papéis de gênero tem mudado para essa geração e o nosso grupo tinha muito a dizer acerca dos efeitos em seus colegas de idade no que diz respeito ao que a cultura e a mídia ensinam sobre masculinidade.

Há 50 anos atrás, as mulheres no Ocidente fizeram grandes ganhos. Hoje, mais mulheres do que homens conseguem se formar na faculdade, com notas melhores e mais confiança do que os homens de suas classes. Elas são mais suscetíveis do que os homens a irem para faculdade e muitas ganham salários mais altos do que eles no mercado de trabalho. As mulheres estão sendo ditas que podem conquistar qualquer coisa e muitas tem perseguido essa promessa. Os homens, por outro lado, estão sendo ditos o contrário.

À medida que as mulheres tem ganho mais igualdade, os homens tem sido desvalorizados. Definido como a “efemização da cultura”, nós estamos vivendo em meio a uma mudança cultural em que os homens são vistos cada vez mais como menos importantes no esquema das coisas. A mídia toma essa percepção e a codifica. Assim, uma geração ensinada em massa através da mídia cresce acreditando nisso.

Como Owen Strachan escreveu no blog do The Gospel Coalition, “Os homens hoje estão em apuros. Os garotos tem sido ensinados por incontáveis fontes e mídias que eles são inerentemente mais débeis, tolos e inferiores às mulheres. Os garotos se envolvem com meninas, fogem de suas responsabilidades, não levam as coisas sérias a sério e geralmente negligenciam as grandes oportunidades que lhes são postas.”

É possível que esses homens mileniaristas estejam simplesmente fazendo jus às baixas expectativas que a cultura lhes tem imposto?

O nosso grupo de discussão foi rápido em culpar os lares sem pais. Antes uma anomalia, pais ausentes – como resultado de divórcio, negligência ou até mesmo trabalho demais – são hoje uma epidemia. Como resultado, inúmeras crianças crescem sem um modelo balanceado ou instrução acerca dos papéis de gênero. Os garotos aprendem sobre masculinidade com a mídia ou seus colegas, mas não dos seus pais.

Driscroll diz que isso leva a um certo tipo de “adolescência estendida”, na qual garotos continuam agindo como tais ao longo dos seus vinte anos. “Em uma cultura de consumo, masculinidade termina sendo definida pelo que você consome, não pelo que você produz. Os homens se tornam consumidores auto absorvidos de aparelhos eletrônicos, jogos e mulheres. O que mata os jovens rapazes é o pensamento de que a adolescência estendida é aceitável e inevitável.”

Inevitável. Essa é uma palavra curiosa. Será que os homens mileniaristas são vítimas involuntárias da tendência cultural contrária a eles? Eles estão sobrecarregados com uma angústia geracional, perda de modelos e a morte da masculinidade. Mas e a Igreja? Ela não está se posicionando em meio à lacuna, como uma força contra cultural?

Um Evangelho Tímido

Em um artigo da Revista Biola intitulado “The Feminization of the Church” (A Feminização da Igreja) nós aprendemos que as coisas não foram como a contracultura que você esperaria.

Pollster George Barna se refere às mulheres como “a coluna vertebral das congregações cristãs na América.” Majoritariamente 60% da igreja é constituída por mulheres, e os homens que a frequenta são menos ativos – menos prováveis de participar da escola dominical, pequenos grupos e cultos. Como resultado, a mensagem e os ministérios da igreja tendem a serem dirigidos às mulheres.

Os homens em nosso grupo concordaram, “A espiritualidade está ligada a sentimentos e emoções. Os garotos são distanciados por isso. Essas coisas não são vistas como viris e se um garoto não está na igreja, muito menos estará envolvido com missões.”

Mike Erre, um director de ministério para homens em uma grande igreja da Califórnia, argumenta que a mensagem da igreja não está mais ressoando aos homens. “O Evangelho que Jesus e Paulo pregou é revolucionário e é digno de darmos nossas vidas por ele. Mas parte das razões pelas quais os garotos não estão envolvidos é porque temos vendido um Evangelho tímido. Nós não o pintamos como grande o suficiente – ou Deus como maravilhoso o suficiente – a ponto de ser constrangedor.”

A feminização da igreja reflete a feminização da cultura maior e eu reflito até que ponto isso influencia em missões. Certamente a Grande Comissão é muito constrangedora, ousada e até mesmo revolucionária. Mas se a Igreja não apresenta a vida cristã em uma perspectiva balanceada – afirmando as forças de tanto homens quanto de mulheres – então como eles apresentarão um chamado a missões?

E quanto às agências de missões? Uma das mulheres em nosso grupo serve como a coordenadora de novos missionários em uma organização parceira da AIM. Ele argumenta que os homens não tem ideia das oportunidades diante deles, “Setenta por cento das nossas vagas são preenchidas por mulheres”, ela disse, “porque elas focam em mulheres, crianças, educação, enfermagem... a percepção em massa é que o que está disponível é para ser feito é relacionado a carinho.”

Embora muito do trabalho missionário seja carinho, como temos vistos, discipulado requer relacionamentos e até mesmo relacionamentos requerem carinho. Mas esses mesmos relacionamentos requerem um certo nível de risco, ousadia, e o mais importante, um cenário em comum sobre o qual será erguido. É difícil, senão impossível, para jovens mulheres ministrarem a homens em muitos contextos transculturais. Para incontáveis homens na África que precisam ouvir a Palavra e aprenderem a ser seguidores de Cristo, apenas outro homem pode lhes mostrar o caminho.

Há provavelmente centenas de buscas masculinas que podem oferecer acesso a esses tipos de oportunidades de discipulado. Os jovens rapazes vagando pelos bancos da Igreja do Ocidente já ouviram alguma vez falar sobre isso? Quanto deles já visitaram o site de alguma agência missionária?

Uma Estrada Difícil

Apesar da pressão negativa da cultura e a morna inspiração da Igreja, homens solteiros podem também estar em desvantagem ao realmente irem ao campo e possivelmente florescer enquanto estiverem lá.

Expectativas culturais desempenham um papel. Um dos homens em nosso grupo resumiu isso como uma simples questão de “dinheiro e orgulho”. Os homens carregam um fardo maior do que o das mulheres de serem provedores e membros autoconfiantes da sociedade. Contudo, ao seguirem o chamado para missões, eles são levados a abraçar uma vida de dependência e até mesmo a probabilidade do que alguns poderiam considerar “carreira suicida”; tudo por fazer um trabalho que muitos em casa poderiam não entender. Esse afastamento das expectativas culturais irá sem dúvidas desafias o orgulho de um homem e poderia também ser percebida como um risco colossal.

Relacionado ao orgulho está o medo de falhar, na vida ou ministério ou em ambos. Alguns tem sugerido que as mulheres solteiras são naturalmente melhor equipadas para lidar com as generalidades da vida no campo. O trabalho missionário tende a ser relacional e sem estrutura. É cheio de ambiguidades em que um rapaz poderia preferir um plano de ação e isso não os leva a soluções fáceis como fazer uma ida a Home Depot². Além disso, há a questão da pureza sexual, indiscutivelmente mais difícil para homens solteiros do que para mulheres.

Pode ser verdade que missões requer mais dos homens, mas como o Driscroll martela para fora do seu púlpito em um sermão sobre masculinidade bíblica, “Verdadeiros homens não estão procurando o caminho de menor resistência, mas o caminho de maior glória para Deus”.

Um Chamado à Ação

Enquanto muitos homens estão evitando o caminho quando ele requer uma volta inesperada em direção ao trabalho missionário, as mulheres estão muito mais prontas para seguir em frente. Elas também são rápidas em perceber que isso não é uma boa coisa. Não é bom para o desequilíbrio das necessidades ministeriais no campo. Não é bom para as muitas mulheres que servem solteiras durante toda vida, escolhendo um chamado ministerial ao invés de uma família devido à falta de homens que compartilhem a mesma visão que elas. Também não é bom para os homens a quem Deus tem chamado, que um dia poderão olhar atrás e perceberem ressentidos que perderam a maior oportunidade de suas vidas.

Igrejas e agências missionárias podem estar em falta com isso, e nós temos que reconsiderar a visão da qual estamos lançando mão (ou falhando em fazer) de jovens rapazes em nosso meio pela Grande Comissão. Há custo e perigo em seguir a Cristo e homens são trabalhados por Deus a responderem a tais coisas.

Eu sou lembrado da gentil, porém sóbria exortação na epístola de Primeira João que expõe o conflito do cristão com o mundo, a carne e o diabo. “Eu vos escrevo,” o autor desafia, “... pais, filhos, jovens rapazes.”³

Nós poderíamos facilmente carregar mais essa cobrança – a todos os envolvidos no movimento missionário moderno:

Eu vos escrevo, Igreja, porque você sustém uma mensagem revolucionário e só precisa expô-la.

Eu vos escrevo, agências missionárias, porque vocês conhecem a paisagem e precisam traçar um caminho.

E eu vos escrevo, jovens rapazes, porque nós precisamos de você.

Sim, isso pode ser mais difícil para você. Difícil de abandonar as mentiras e a apatia. Difícil de prover um sustento e ser autoconfiante na sociedade. Difícil de entrar em relações dirigidas de forma transcultural. Difícil de encontrar o seu ministério em sua vocação. Mas o Evangelho precisa de homens. A vida cristã pode ser uma batalha, tanto que a Bíblia nos manda vestirmos uma armadura. O campo missionário é um campo de batalha, onde as forças e paixões de um homem são chamadas para serem gastas pela maior causa que a criação já conheceu: a causa de Cristo e a sua obra redentora para salvar este mundo. Isso requer coragem – coragem para sair da sonolência e entrar na briga. Isso requer humildade – para estar disposto a falhar ou pelo menos ser considerado um fracasso pelos seus colegas. Por fim, isso requer coragem – mais do que você tem, mas não mais do que a que Deus lhe dará.

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno.” (1 Jo 2.14)

1.    1   AIM é uma agência missionária americana que atua na África

2.   2    Home Depot é uma loja de departamentos americana


3.   3    Em todas as traduções da Bíblia para o inglês o termo “jovem” em 1 João 2 é “Young Man”, que pode ser traduzido como “jovem rapaz”, especificando que os destinatários não eram jovens em geral, mas jovens homens.

Mike Delorenzo

Texto traduzido por: Igor Sabino

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Prosperidade ou Contentamento?

Em meio a tantos ataques de falsos mestres a igreja de Cristo, muita gente honesta e temente a Deus têm se levantado para defender fielmente a Sã Doutrina. Um dos falsos ensinos que vem causando grande repercussão e discordância entres os fiéis hoje, é a chamada “Teologia da prosperidade”. Que usa um princípio bíblico do cuidado e sustento que Deus prometeu ao seu povo e o utiliza para justificar sua ganância e seus caprichos. E o pão de cada dia é substituído pelo caviar, que não pode faltar na casa de um dos “filhos do Rei”.

Muitas das pessoas que defendem a teologia da prosperidade, usam textos do antigo testamento onde Deus faz promessas de prosperidade a nação de Israel para justificar suas reinvindicações de luxo ao Deus altíssimo. Para deixar mais claro o cuidado que devemos ter nessa situação, faço minha as palavras de John Piper: “No Antigo testamento Deus glorificou amplamente a si mesmo ao abençoar Israel, de modo que as nações pudessem ver e saber que o Senhor é Deus. (1Reis 8.59-60)[...] Israel não foi enviada como uma “Grande Comissão” para ajuntar as nações; pelo contrário, ela foi glorificada para que as nações vissem sua grandeza e viessem a ela. Então quando Salomão construiu o templo do Senhor, foi espetacularmente abundante em revestimentos de Ouro(1Reis 6.20-22).”

O padrão do antigo testamento é o “venha-ver”.  Existe um centro geográfico do povo de Deus, com um templo físico, um rei terreno, um regime político, uma identidade étnica, um exército terreno, e uma equipe de sacerdotes para fazer os sacrifícios.

Mas a vinda de Cristo mudou tudo isso. Como Jesus falou a mulher Samaritana não há mais espaço físico para o Cristianismo. Cristo substituiu o templo e os sacerdotes e os sacrifícios. O padrão não é mais o “Venha ver”, mas o IDE!


A grande comissão que Cristo anuncia nos evangelhos afirma: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.Mateus 28:19-20.

Essas palavras nos trazem sérias implicações. Nós somos peregrinos  e forasteiros nessa terra, nós não podemos usar esse mundo como se fosse nosso lar permanente! Isso nos faz entender as ilustrações militares que Paulo usa para descrever a caminhada Cristã. Nós vivemos em pé de guerra! Nós devemos viver de maneira que tudo possa nos impulsionar cumprir a missão da melhor forma possível. Temos que trabalhar de modo que nossos esforços contribuam para nossa missão. Temos educar as crianças para que elas cresçam e abracem a causa missionária. 

O exemplo deixado pelos Apóstolos nos ensina a lutar, sofrer, e até mesmo morrer pela causa de Cristo. Claramente a ênfase Neotestamentaria não está em viver de forma que ostentemos com nossos bens que somos Filhos de Deus. Mas em MORRER para este mundo. A ênfase dada pelos pregadores da prosperidade, embora eles afirmem ser, não é bíblica. (Devemos lembrar que o Diabo usou a Bíblia erroneamente ao tentar Jesus.) Há inúmeros textos no Novo-Testamento alertando para o cuidado que devemos ter com nossas pretensões gananciosas, e nos exortando á estarmos contentados com o que temos!

Para terminar esta reflexão, faço uso das palavras do inspirado Apóstolo Paulo:


“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro,
pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar;
por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos.
Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição,
pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.
Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão.
Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas.”


1 Timóteo 6:6-12

Guilherme Barros
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