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segunda-feira, 28 de abril de 2014

3 Maneiras que Noé Resume a Grande História da Bíblia

Todo mundo conhece a história de Noé e a Arca, certo?
Afinal, qual é a casa na América (com crianças pequenas) sem alguma representação de um bicho de pelúcia da arca bonito acompanhado por um arco-íris e uma, com a aparência de um velho barbudo? Os meus filhos adoraram os brinquedos de banho da arca de Noé. Depois, há os livros de histórias, desenhos animados e os "documentários" aparentemente onipresentes alegando "prova" ou que a história é mito, ou que os restos da real arca foram descobertos.

Pode-se também mencionar a minisséries de TV de 1999, ou a comédia de Hollywood 2007 Evan Almighty. Agora, há um novo filme de Hollywood (o que eu não vi), estrelado por nomes como Russell Crowe, Anthony Hopkins e Emma Watson.
Claro, os cristãos biblicamente fiéis seriam rápidos em apontar que essas representações populares inevitavelmente perdem o ponto inteiramente.
Qual é então o ponto?
Muitos cristãos seriam rápidos para dizer que o dilúvio é a respeito do pecado, da justiça e da ira de Deus. E, enquanto que é, pelo menos, parcialmente verdade. As verdades parciais podem ser as mais enganosas de todos. O verdadeiro ponto está no fato de que esta história apresenta alguns dos temas centrais das Escrituras pela primeira vez dentro da narrativa da revelação de Deus.
Deixe-me mostrar-lhe o que quero dizer.

1. NOÉ MOSTRA QUE O PECADO ENTRISTECE DEUS
Para começar, Gênesis 6:6-7 nos dá a primeira visão registrada da resposta de Deus ao pecado um nível emocional. Eu acredito que esta é de importância enorme. E, curiosamente, a primeira resposta de Deus  não é a ira ou raiva. Pelo contrário, o que vemos é tristeza tingida com pesar, como nos é dito que Deus é literalmente entristecido de coração.

Muitas vezes pensamos em pecado em termos meramente transacionais, como a desobediência aos mandamentos ou lei. A infração, então, cria culpa e provoca a ira justa de um Deus santo. Embora tecnicamente verdade, essa visão é inerentemente impessoal e quase mecânica.

A história de Noé apresenta alguns dos temas centrais das Escrituras pela primeira vez dentro da narrativa da revelação de Deus.
O que vemos claramente, primeiramente na história de Noé é que o pecado é essencialmente relacional. Para Deus, o nosso pecado é profundamente pessoal. O que vemos aqui é algo semelhante às emoções de um pai amoroso dolorido e triste ao coração sobre o pecado persistente de um filho ou filha rebelde. Sim, a raiva está na mistura, mas a ênfase principal é profunda dor e decepção transmitidas através de muitos anos de amor paciente.
A história de Noé destrói completamente a venda dos olhos que muitas vezes usamos pelo efeito de nossas escolhas pecaminosas sobre o coração do nosso Pai no céu. Meu pecado faz com que a maior dor em primeiro lugar ao meu Pai no céu. O Rei David tinha razão (Sl. 51:4 ).

2. NOÉ MOSTRA QUE DEUS DÁ GRAÇA
Também importante, e talvez surpreendentemente, a história de Noé nos dá a primeira menção de graça na Bíblia.
Pergunta: Por que Deus salva Noé e sua família?
Anos atrás, quando perguntei, eu imediatamente puxei a minha resposta de Gênesis 6:9: “Noé era um homem justo e íntegro em sua geração." O que eu perdi e que muitos de nós falta-é o verso anterior, que nos diz: “mas Noé achou graça [literalmente graça] aos olhos do Senhor “( Gênesis 06:08 ).
Curiosamente, a primeira resposta de Deus para o pecado não é a ira ou raiva.
Sim, Noé era um homem justo, mas pela graça e não pelas obras. Isso é muito claro por outro conjunto de referências bíblicas na história de Noé: a saber, que crescem uma vinha, fazendo o vinho, ficando bêbado, e que passam a nu (Gn 9:20-23). Noé foi definitivamente justo somente pela graça! A esperança começa a aparecer.

3. NOÉ MOSTRA QUE DEUS FAZ UMA ALIANÇA CONOSCO
A nota mais esperançosa de tudo, no entanto, vem com a primeira ocorrência nas Escrituras da palavra "aliança". Esta é a história de um Pai amoroso e paciente cujos filhos, criados à sua imagem, trazer-lhe dor, angústia, e dor através da rebelião.
A resposta de Deus é o julgamento, trazendo morte universal através do dilúvio. Mas o dilúvio, embora merecido, é impotente para acabar com o pecado e dar um novo começo para uma humanidade justa em um novo jardim. O estado da humanidade não é diferente, depois do dilúvio do que era antes (24:37-39 Matt.). O horror do pecado continua. A intenção de cada coração humano permanece mal (Gen. 6:05). Julgamento e morte continua a ser justa e universalmente merecida hoje.
Sim, Noé era um homem justo, mas pela graça e não pelas obras.
Por um lado, portanto, o dilúvio parece fútil e inútil, mas é aí que reside o ponto principal. O dilúvio não leva a nada (em última instância), mas antecipa tudo. Noé e sua família foram salvos pela graça. Deus estabeleceu um pacto por um só homem pelo qual a raça humana foi preservada.
Esta história verdadeira, de autoria do Espírito Santo através da pena de Moisés, aponta para frente, antecipando um melhor pacto estabelecido de uma vez por todas por um só homem, Jesus.
Ele revela nosso pecado, mostra-nos o coração de Deus, e alerta para o julgamento merecido. Ele antecipa a oferta genuína de uma nova identidade, sendo justificados pela fé em Cristo, que sofreu a morte e o julgamento em nosso lugar. Como resultado, somos adotados em uma nova família sob o Filho justo. Nele conhecemos a alegria da salvação e da promessa de um novo começo em uma nova criatura, livre da presença do pecado.
Pense na história de Noé como sendo como uma mordida de um aperitivo envolto em bacon. Não é satisfatório em si, mas deve levar-nos a salivar em antecipação do banquete por vir. Não vamos perder o ponto principal.


Publicado em:


Tradução e Edição

Jéssica Figueiredo

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Porque Batizar Crianças? Com a palavra Louis Berkhof.

É sobre a questão do batismo de crianças que se acha a mais importante divergência entre nós e os batistas. Estes afirmam, como o dr. Hovey, escritor batista o expressa, “que somente os crentes em Cristo têm direito ao batismo, e somente os que dão uma confiável prova da fé nele devem ser batizados”. Quer dizer que as crianças são excluídas do sacramento. Contudo, em todas as demais denominações** elas o recebem. Vários pontos requerem consideração em conexão com este assunto.
a. Base bíblica do batismo de crianças. Pode-se dizer de início que não há´nenhuma ordem explícita na Bíblia para batizar crianças, e que não há um único exemplo no qual se nos diga claramente que crianças foram batizadas. Mas isto não torna necessariamente antibíblico o batismo. O fundamento escriturístico do batismo de crianças acha-se nos seguintes dados:
(1) A aliança feita com Abrão era primariamente uma aliança espiritual, embora também tivesse um aspecto nacional, e desta aliança espiritual a circuncisão era um sinal e selo. É um procedimento infundado dos batistas partir esta aliança em duas ou três alianças diferentes. A Bíblia se refere à aliança com Abraão diversas vezes, mas sempre no singular, Ex 2.24; Lv 26.42; 2 Rs 13.23; 1 Cr 16.16; Sl 105.9. Não há sequer uma única exceção a esta regra. A natureza espiritual desta aliança é comprovada pela maneira segundo a qual suas promessas são interpretadas no Novo Testamento, Rm 4.16-18; 2 Co 6.16-18; Gl 3.8, 9, 14, 16; Hb 8.10; 11.9, 10, 13. decorre também do fato de que evidentemente a circuncisão era um rito que tinha significação espiritual, Dt 10.16; 30.6; Jr. 4.4; 9,25, 26; At 15.1; Rm 2.26-29; 4.11; Fp 3.2, e do fato de que a promessa da aliança é até denominada “o evangelho”, Gl 3.8.
(2) Esta aliança ainda está em vigência, e é essencialmente idêntica à “nova aliança” da presente dispensação. A unidade e continuidade da aliança em ambas as dispensações segue-se do fato de que o Mediador é o mesmo, At 4.12; 10.43; 15.10, 11; Gl 3.16; 1 Tm 2.5, 6; 1 Pe 1.9-12, a condição é a mesma, a saber, a fé, Gn 15.6 (Rm 4.3); Sl 32.10; Hb 2.4; At 10.43; Hb 11, e as bênçãos são as mesmas, quais sejam, a justificação, Sl 32.1, 2, 5; Is 1.18; Rm 4.9; Gl 3.6, a regeneração, Dt 30.6; Sl 51.10, dons espirituais, Jl 2.28, 32; At 2.17-21; Is 40.31, e a vida eterna, Ex 3.6; Hb 4.9; 11.10. Aos que foram levados à convicção no dia de Pentecostes Pedro deu a certeza de que a promessa era para ele e para os seus filhos, At 2.39. Paulo argumenta em Rm 4.13-18 e Gl 3.13-18 que a dádiva da lei não anulou a promessa, de sorte que ela ainda permanece na nova dispensação. E o escritor de Hebreus assinala que a promessa a Abraão foi confirmada com juramento, de modo que os crentes neotestamentários podem haurir consolo da sua imutabilidade, Hb 6.13-18.
(3) Pela determinação de Deus, as crianças participavam dos benefícios da aliança, e, portanto, recebiam a circuncisão como sinal e selo. Segundo a Bíblia, a aliança é, evidentemente, um conceito orgânico, e sua realização segue linhas orgânicas e históricas. Há um povo ou nação de Deus, um conjunto orgânico tal que só pode constituir-se de famílias. Naturalmente, esta idéia de nação é muito proeminente no Velho Testamento, mas o notável é que ela não desapareceu depois da nação de Israel ter servido ao seu propósito. Ela foi espiritualizada e, assim, passou para o Novo Testamento, de modo que o povo de Deus, no Novo Testamento, também é apresentado como nação, Mt 21.43; Rm 9.25, 26 (comp. Oséias 2.23); 2 Co 6.16; Tt 2.14; 1 Pe 2.9. Durante a antiga dispensação, as crianças eram consideradas parte integrante de Israel como o povo de Deus. Estavam presentes quando era renovada a aliança, Dt 29.10-13; Js 8.35; 2 Cr 20.13, tinham um lugar na congregação de Israel e, portanto, estavam presentes em suas assembléias religiosas, 2 Cr 20.13; Jl 2.16. Em vista de promessas ricas como as de Is 54.13; Jr 31.34; Jl 2.28, dificilmente esperaríamos que os privilégios de tais crianças fossem reduzidos na nova dispensação, e, certamente, não procuraríamos sua exclusão de todo e qualquer lugar na igreja. Jesus e os apóstolos não as excluíram, Mt 19.14; At 2.39; 1 Co 7.14. A referida exclusão por certo exigiria uma declaração muito explícita a respeito.
(4) Na nova dispensação o batismo, pela autoridade divina, substitui a circuncisão como o sinal e selo iniciatório da aliança da graça. A Escritura insiste vigorosamente em que a circuncisão não pode mais servir como tal, At 15.1, 2; 21.21; Gl 2.3-5; 5.2-6; 6.12, 13, 15. Se o batismo não lhe tomou o lugar, o Novo Testamento não tem nenhum rito iniciatório. Mas Cristo o estabeleceu como tal substituto, Mt 28.19, 20; Mc 16.15, 16. Seu sentido espiritual corresponde ao da circuncisão. Como a circuncisão se referia à eliminação do pecado e à mudança do coração, Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4; 9.25, 26; Ez 44.7, 9, assim o batismo se refere ao lavamento purificador do pecado., At 2.38; 1 Pe 3.21; Tt 3.5, e à renovação espiritual, Rm 6.4; Cl 2.11, 12. esta última passagem claramente liga a circuncisão ao batismo e, ensina que a circuncisão de Cristo, isto é, a circuncisão do coração, simbolizada pela circuncisão da carne, é realizada pelo batismo, isto é, por aquilo que o batismo simboliza. Cf. também Gl 3.27, 29. Mas, se as crianças recebiam o sinal e selo da aliança na antiga dispensação, a pressuposição é que certamente elas têm direito de recebe-lo na nova, a qual os fiéis do Velho Testamento eram ensinados a aguardar como sendo uma dispensação muito mais completa e muito mais rica. Sua exclusão dela requereria uma declaração clara e inequívoca com esse fim, mas exatamente o oposto é que se vê, Mt 19.14; At 2.39; 1 Co 7.14.
(5) Como acima foi assinalado, o Novo Testamento não contém nenhuma evidência direta em favor da prática do pedobatismo nos dias dos apóstolos. Lambert, após considerar e sopesar todas as evidências à mão, expressa a sua conclusão com as seguintes palavras: “Então, as evidências do Novo Testamento parecem apontar para a conclusão de que o batismo de crianças, para dizer o mínimo, não era costume geral na era apostólica”.[1] Mas não há necessidade de ninguém se surpreender com o fato de não haver menção direta do batismo de crianças, pois num período missionário como o da era apostólica, naturalmente a ênfase recairia sobre o batismo de adultos. Além disso, nem sempre as condições eram favoráveis ao batismo de crianças. Os conversos não teriam de imediato uma adequada concepção dos seus deveres e responsabilidades pactuais. Às vezes somente um dos pais se convertia e é perfeitamente concebível que o outro se opusesse ao batismo dos filhos. Muitas vezes não havia razoável certeza de que os pais educariam os seus filhos piedosa e religiosamente, e, todavia, era necessária essa certeza. Ao mesmo tempo, a linguagem do Novo Testamento é perfeitamente coerente com uma continuação da administração orgânica da aliança, que exigia a circuncisão das crianças, Mt 19.14; Mc 10.13-16; At 2.39; 1 Co 7.14. Ademais, o Novo Testamento fala repetidamente do batismo de famílias, e não dá indicação de que isto seja considerado fora do comum, mas, antes, refere-se a esse fato como natural, At 16.15, 33; 1 Co 1.16. È, por certo, inteiramente possível, mas não muito provável, que nenhuma dessas famílias tivesse crianças. E se havia crianças, é moralmente certo que eram batizadas junto com seus pais. O certo é que o Novo Testamento não contém nenhuma prova de que pessoas nascidas e criadas em famílias cristãs não possam ser batizadas antes de chegarem à idade da discrição e de haverem professado sua fé em Cristo. Não há a mais ligeira alusão a alguma prática desse tipo.
(6) Wall, na introdução da sua História do pedobatismo (History of Infant Baptism), mostra que no batismo de prosélitos os filhos dos prosélitos muitas vezes eram batizados junto com seus pais; mas Edersheim diz que havia uma diferença de opiniões sobre este ponto.[2] Naturalmente, mesmo que isso acontecesse, nada provaria quanto ao batismo cristão, mas mostraria que não havia nada de estranho nesse procedimento. A mais antiga referência histórica ao batismo de crianças acha-se nos escritos da segunda metade do segundo século. A obra Didaquê fala do batismo de adultos, mas mão do pedobatismo; e conquanto Justino faça menção de mulheres que eram discípulas de Cristo desde a infância (ek paidon), esta porção dos seus escritos não menciona o batismo, e a expressão ek paidon não significa necessariamente infância. Irineu, falando de Cristo, diz: “Ele veio salvar por meio de Si próprio todos os que, por meio dele, nascem de novo para Deus, crianças e criancinhas, e meninos, e jovens e idosos”.[3] Este trecho, embora não mencione explicitamente o batismo, é considerado como a mais antiga referência ao batismo de crianças, visto que os chamados “pais primitivos” associavam tão estritamente o batismo à regeneração, que empregavam o termo”regeneração” em lugar de “batismo”. Que o batismo de crianças era praticado mui geralmente, é evidenciado pelos escritos de Tertuliano, embora ele próprio considerasse mais proveitoso protelar o batismo.[4] Orígenes o descreve como uma tradição dos apóstolos. Diz ele: “Pois isto havia também que a igreja tinha dos apóstolos uma tradição (ou, ordem) de dar o batismo até mesmo às crianças”.[5] O Concílio de Cartago (253 A.D.) toma o batismo de crianças como certo e simplesmente discute a questão sobre se elas deveriam ser batizadas antes dos oito dias de idade. Do segundo século em diante, o batismo de crianças é reconhecido normalmente, embora às vezes negligenciado na prática. Agostinho inferiu do fato de que ele era praticado pela igreja no mundo inteiro, apesar de não instituído nos concílios, que, com toda a probabilidade, foi estabelecido pela autoridade dos apóstolos. Sua legitimidade não foi negada até aos dias da Reforma, quando os anabatistas se opuseram a ele.




** Excetuadas as igrejas pentecostais em geral, que tiveram maior desenvolvimento nas décadas recentes. Nota do tradutor.
[1] The Sacraments in the New Testament, p. 204.
[2] Life and Times of Jesus the Messiah II, p. 746.
[3] Adv. Haereses II, 22, 4.
[4] De Baptismo, c. XVIII.
[5] Comm. In Epist. Ad Romanos, lib. B.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2013, pg. 634.



Guilherme Barros

              
                               

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Pacto e as Escrituras

Quando falamos em Pacto, imaginamos que se trata de um acordo em que cada parte tem uma responsabilidade e privilégio quanto àquilo que ficou acordado. Isto pode ser verdade nos acordos e contratos comuns entre os homens, mas nem sempre é assim quando diz respeito ao Pacto que Deus fez com os homens.

A doutrina do pecado tem uma nuance importante a se observar que é a inabilidade do homem quanto a incapacidade do homem por si e, unicamente por si, alcançar a salvação.

Historicamente nos deparamos basicamente com três pontos de vista, qual o seu?

O primeiro é o ponto de vista pelagiano que afirma que o homem é plenamente habilitado para fazer tudo que Deus requer. Não há necessidade de regeneração ou de graça divina na santificação ou crescimento espiritual.

O segundo é o ponto de vista semi pelagiano que afirma que o homem está enfraquecido; mas nem toda habilidade (capacidade) foi perdida. Ele necessita da graça divina  para ajudar seus esforços pessoais.

O terceiro ponto de vista agostiniano ou calvinista afirma que o homem ficou totalmente desabilitado (incapacitado) pela queda e assim depende completamente do Espírito de Deus para início e desenvolvimento de sua vida espiritual.

O primeiro ponto de vista diz que o homem está bom, o segundo que ele está doente e o terceiro que ele está morto. Biblicamente o homem não está bom e nem tão pouco apenas doente, então morto ele está em seus delitos e pecados.

O que inabilidade não é? Não é perda de qualquer faculdade da alma, intelecto, sentimento, vontade ou consciência. Não é perda de livre agência. Não significa que o homem caído não possua virtudes. Não significa falta de capacidade para conhecer a Deus e a receber a graça.

A inabilidade significa: 1) Que o homem é incapaz de guardar a lei de Deus e merecer a vida eterna pelas suas obras; 2) Que é incapaz de restaurar-se a si mesmo no favor de Deus; 3) Que é incapaz de mudar a sua natureza, regenerar-se a si mesmo e tornar-se santo; 4) que é incapaz de nutrir um sentimento correto ou inclinação para com Deus; 5) Que foi auto adquirida no jardim do Éden, portanto constitui-se culpa; 6) que é incapaz para estar disposto para exercer volições santas.

 Esta é a condição do homem com quem se fará um pacto eterno, pelo sangue de Jesus. O homem morto e Deus em sua graça resolve salvar, redimir, perdoar, ressuscitar a quem ele quis para que o adore.

Pastor Fábio Bernardo

terça-feira, 16 de julho de 2013

Restaurando a Família



              Quanta coisa poderíamos falar sobre família. Podemos chamá-la de célula-mater da sociedade, de um plano que nasceu no coração de Deus, entre outras coisas mais. Tudo isto é verdade, mas muitas vezes um dos aspectos principais da família é deixado de lado, que é o fato dela ser constituída de seres humanos. Sendo assim, falhos, pecadores e carentes da glória de Deus (Rm 3.23). E ao falarmos de restaurar a família, não estamos falando de uma entidade ou meramente de uma instituição. Estamos falando de pessoas, de vidas carentes de Jesus para uma eficaz restauração, pois restauração só em Jesus.

             Podemos observar isto no diálogo de Paulo e Silas com o carcereiro: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e atua casa (At 16.31). A restauração da família do carcereiro foi iniciada com a restauração da sua vida, e em seguida ocorre o mesmo com os seus familiares, segundo nos relata os versículos seguintes. Uma família restaurada por Jesus não é uma família perfeita, mas uma família de pessoas cientes de sua necessidade de Deus e que sem Ele, tudo é perdição. Por isso, canalizam seus esforços e energias para viverem, dentro da família os princípios bíblicos do amor, ensino, prática do perdão, compreensão do fato de ser pecador tanto quanto o outro e da disciplina. São ainda conscientes de que, sem Jesus, nada disso é possível, e só através dele, por meio de sua graça, somos levados a obediência a seus princípios. Restauração só em Jesus.

               Neste início de milênio (já não tão início assim), enxergo dois grandes desafios para a família. Um é o pluralismo, que tende a aceitar como normal e natural toda e qualquer forma de manifestação afetiva como família (seja o homossexualismo, o lesbianismo ou o chamado casamento aberto, onde os cônjuges são livres para fazerem o que quiserem, sem prestar contas ao outro). Quanto a isto é bom lembrarmos que toda prática de manifestação cultural ou social deve ser avaliada pela palavra de Deus. E se uma visão sobre família não se conformar à Bíblia (deixará o homem seu pai e sua mãe se unirá a sua mulher e serão os dois uma só carne), pode dispensar. Mas para esta análise, é preciso conhecimento da Bíblia. O outro desafio é o de criarmos filhos nos caminhos das Escrituras. Para isso, acho necessário duas coisas. A primeira é estarmos no caminho junto com nossos filhos,(Pv 22.6) orientando-os e acima de tudo, dando-lhes exemplo. A segunda é não querer criar filhos dentro de uma bolha, dizendo que eles não são do mundo. Eles são de onde? De Marte, por acaso? O que precisamos é dar-lhes ensinamento bíblico o suficiente para suas escolhas refletirem uma vida restaurada, o que mostra que fazem parte de uma família restaurada. Restauração só em Jesus.

Família restaurada é feita de vidas restauradas por Deus.




                                                                                       Deus nos abençoe! 

Presb. Cicero da Silva Pereira 
Twitter: @ciceroeiris

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Todos os que Morreram na Infância são Salvos? Com a Palavra, William Hendriksen


POSIÇÕES ERRADAS

Primeiramente, há o que pode ser chamado de visão prevalecente na Igreja Católica Romana. Esta posição é: todas as crianças não batizadas estão perdidas, no sentido em que, quando elas morrerem, elas entrarão no Limbus Infantum (ou Infantium), um lugas às margens do inferno. O sofrimento delas aqui é negativo, em vez de positivo. Elas sofrem a falta da “visão beatificada”.

Esta posição, embora contendo realmente um elemento de verdade (já que reconhece justamente o fato que a responsabilidade varia de acordo com a oportunidade), está errada em duas considerações, a saber: A) as Escrituras não designam em nenhuma parte tal importância à omissão do batismo; B) não ensinam também em nenhuma parte sobre a existência de um Limbus Infantum.

Opondo-se a isto está a posição dos que sustentam que todos os bebês são “inocentes”. De acordo com este ponto de vista, o “pecado original”, se é que podemos chamá-lo assim, não é sujeito ao castigo sem que haja transgressão real. Visto que crianças pequenas não são capazes de transgredir realmente, mas são inocentes, todas são salvas se morrem na infância. Esta ou algo similar a esta, é a posição de muitos protestantes evangélicos hoje. Como irmãos em Cristo, nós amamos essas pessoas, mas nós não acreditamos que as Escrituras endossem este argumento de sua posição. As crianças também são culpadas em Adão. Além disso, elas não são inocentes (veja Jó 14.4; Sl 51.5; Rm 5.12, 18, 19; 1Co 15.22 e Ef 2.3) Se elas serão todas salvas, esta salvação não terá que ser concedida com base em sua inocência, mas na aplicação do méritos de Cristo para com elas.

A POSIÇÃO OFICIAL DA IGREJA PRESBITERIANA DOS ESTADOS UNIDOS

A Confissão de Fé de Westminster não dá uma resposta clara à pergunta se todos que morrem na infância serão salvos. De fato, a Confissão deixa espaço para a opinião de que alguns poderiam não ser eleitos e, portanto, não serem salvos. Veja isto você mesmo. A Confissão declara: “As crianças que morrem na infância, sendo eleitas, são regeneradas e por Cristo salvas, por meio do Espírito Santo, que opera quando, onde e como quer (Capítulo X, Seção III). Em 1903, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, porém, interpretou este artigo de forma que hoje sabe-se exatamente onde esta denominação se mantém com relação a este assunto. Esta denominação adotou o seguinte Manifesto Declaratório: “A Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América, com toda autoridade, declara como segue... Com referência ao Capítulo X, Seção III, da Confissão de Fé de Westminster, que não é considerado como ensino, que qualquer um que morrer na infância esteja perdido. Nós acreditamos que todos, morrendo na infância, estão incluídos na eleição da graça, e são regenerados e salvos por Cristo através do Espírito Santo, que opera quando, onde e como lhe agrada”.

CITAÇÕES DE OBRAS DE TEÓLOGOS REFORMADOS

“Todos que morrem na infância serão salvos. Isto é deduzido do que a Bíblia ensina sobre a analogia entre Adão e Cristo (Rm 5.18-19). As escrituras não excluem qualquer classe de crianças em nenhuma parte, batizada ou não batizada, nascidas em países Cristãos ou pagãos, de pais crentes ou não crentes, dos benefícios da redenção em Cristo.” (Charles Hodge, Systematic Theology, Vol I, 9.26)

“O seu destino é determinado independentemente de sua escolha, por um decreto incondicional de Deus, e nenhum ato próprio delas pode suspender sua execução; sua salvação é forjada por uma imediata e irresistível operação do Espírito Santo, antes e à parte de qualquer ação de suas próprias vontades. Isto quer dizer que elas estão incondicionalmente predestinadas para a salvação desde a fundação do mundo.” (B. B. Warfield, Two Studies in the History os Doctrine, p. 230)

“A maioria dos teólogos calvinistas sustenta que aqueles que morrem na infância são salvos... Certamente não há nada no sistema calvinista que nos impeça de acreditar nisto; e , até que seja provado que Deus não predestina para a vida eterna todos aqueles que ele agradou chamar na infância, podem nos permitir sustentar esta visão.” (L. Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, pp. 143,144).

Não obstante, nem todos teólogos Reformados se expressam tão positivamente. Alguns apresentam mais claramente a diferença, segundo eles a veem, entre os filhos dos crentes e todas as outras crianças. “As crianças da Aliança, batizadas ou não batizadas, quando morrem, entram no céu; a respeito do destino das outras, tão pouco nos foi revelado que a melhor coisa que podemos fazer é nos abstermos de qualquer julgamento positivo” (H. Bavinck, Gereformeerde Dogmatiek, 3° ed., Vol IV, p.117, minha tradução).

De forma semelhante, L. Berkhof, embora em completo acordo com os Cânones de Dort com relação à salvação dos filhos de pais piedosos, a quem Deus se agrada chamar para fora desta vida em sua infância, declara, a respeito dos outros, que “não há nenhuma evidência nas Escrituras na qual nós possamos basear a esperança de que... os filhos dos gentios que não tenham alcançado a idade do discernimento sejam salvos” (Systematic Theology, pp. 638-693).

O ENSINO BÍBLICO

A) Se aqueles que morrem em sua infância são salvos, essa salvação não está baseada em sua inocência, mas está baseada na graça soberana de Deus através de Cristo aplicada a eles (Veja o terceiro parágrafo deste texto).

B) O fato de que o coração de Deus não se preocupa só com os filhos dos crentes, mas também com os filhos dos descrentes, e até mesmos com aqueles “que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda”, é ensinado claramente em Jonas 4.11.

C)“O Senhor é bom para todos, e suas misericórdias permeiam todas as suas obras” e “Deus é amor” (Sl 145:9; 1Jo 4.8). É nos, então, permitido concordar com as belas linhas:

“Porque o amor de Deus é mais vasto
Que a extensão da mente do homem
E o coração do Eterno
É o mais maravilhosamente amável (F. W. Faber, 1854)

D) As crianças não pecaram de qualquer forma similar aos adultos, que rejeitaram a pregação do evangelho e/ou pecaram grosseiramente contra a voz da consciência;

E) As Escrituras, em nenhuma parte, ensina explicitamente que todos os filhos dos descrentes que morreram na infância são salvos. Embora com base nos pontos B, C e D, uma pessoa possa se sentir fortemente inclinada a aceitar a posição que todas estas são salvas, jamais se pode afirmar que as Escrituras positivamente, e com todas as palavras, declarem isto como verdadeiro.

F) Deus deu ao crente e à sua semente a promessa encontrada em Gênesis 17.7 e Atos 2.38,39, e também 1 Coríntios 7.14. Por isso, os Cânones de Dort declaram que “desde que “Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base na sua Palavra. Ela testifica que os filhos de crentes são santos, não por natureza mas em virtude da aliança da graça, na qual estão incluídos com seus pais. Por isso os pais que temem a Deus não devem ter dúvida da eleição e salvação de seus filhos, que Deus chama desta vida ainda na infância.” (I, artigo 17).

HENDRIKSEN, William. In: A vida futura segundo a Bíblia. Traduzido por Marcus Ferreira.  São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2004. pp. 123-127.


Guilherme Barros

terça-feira, 2 de abril de 2013

O Susto de Ana Maria


No programa matinal Mais Você do dia 02 de Abril de 2013, após uma matéria sobre as finanças do lar e qual dos conjugues exercia o controle sobre o dinheiro, a apresentadora Ana Maria Braga passou a perguntar à sua equipe de produção acerca de como se dava esta relação nos relacionamentos destes.

Após algumas respostas, a apresentadora decidiu entrevistar um dos funcionários de mais idade, a fim de saber como pessoas casadas há muitos anos lidam com a questão das finanças do lar e foi neste instante que ela foi surpreendida: o membro da produção entrevistado era recém-casado, mais especificamente a 9 meses, e estava em seu oitavo casamento. As expectativas de sua pergunta foram frustradas, pois aquele senhor de idade não cultivava mais um relacionamento duradouro, como podia aparentar.

De fato, não posso dizer ao certo o quanto Ana Maria se surpreendeu com aquilo, pois na sociedade em que vivemos tal descaso com o matrimonio, para nossa vergonha, não tem sido algo tão raro. É bastante comum o acumulo de divórcios consecutivos assim como uma infinita gama de novos casamentos, numa espécie de loteria desenfreada em busca de uma felicidade conjugal utópica, egoísta e inalcançável.

O desprezo as recomendações bíblicas, como por exemplo as encontradas em Efésios 5:22-28 e1 Pedro 3:7, aliados à expectativas infantis e irreais, são a causa visível da ruptura com o conceito de divino do casamento como uma aliança que não pode ser desfeita, uma união indissolúvel. Mas na sociedade de mercado em que vivemos, onde até mesmo as relações afetivas são vistas como produtos que podem ser trocados ou devolvidos, não há espaço para nada que seja eterno.

O susto maior não deve pertencer aqueles vivem segundo o curso deste século, com suas mentes obscurecidas, mas nós, povo de Deus, é que devemos ficar perturbados diante de tamanha distorção, que muitas vezes invade as portas de nossos templos.

E esta reflexão merece ainda um aprofundamento: ao ser questionado acerca de sua conduta, o homem ainda alegou que na sociedade de hoje as pessoas namoram como se estivessem casados, mas no entanto dormem em casas separadas, e ele optou por casar de uma vez ao invés de namorar ou noivar. Neste sentido, ele não está completamente errado. Os relacionamentos “pré-casamento” tem roubado elementos que pertencem tão somente àquele, e não digo isto somente com relação ao sexo, mas também a certas intimidades sentimentais e obrigações e deveres que só pertencem aqueles que são cônjuges.

O escândalo de condutas como esta deve nos levar a refletir sobre a desvalorização do sagrado vínculo conjugal, mas também deve nos exortar a respeito dos relacionamentos que temos cultivados antes do enlace matrimonial, como namoro e noivado, pois muitas vezes estes nomes são apenas camuflagens para verdadeiros casamentos irregulares, em oposição frontal à vontade revelada de Deus. Ainda que o mundo caminhe cada vez mais neste tipo de conduta, a igreja de Cristo não pode se conformar com isto e deve andar de forma a revelar os valores eternos do Reino de Deus, os valores da imutável Palavra de Deus.

Se nós não nos assustamos ao se deparar com este quadro terrível, talvez nosso coração esteja menos sensível do que o da própria Ana Maria Braga, o que é bastante sério e preocupante. O problema é que igreja tem se acostumado a ser um simples Louro José a repetir os ensinamentos torpes que o mundo propaga. Isso precisa mudar.

Deus nos ajude.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd
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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Por que muitas crianças criadas na igreja a abandonam quando crescem? Com a Palavra Joel Bekee

Toda igreja deseja ter crescimento. No entanto, é surpreendente como poucas delas buscam promover isso por meio de uma ênfase na necessidade de se criar os filhos na verdade da aliança. Poucos lutam com o porquê de muitos adolescentes se tornarem membros apenas nominais das igrejas, com uma mera noção de fé ou abandonarem a verdade evangélica em troca de doutrinas não bíblicas e modismos na adoração.

QUAL A CAUSA DISTO? COM A PALAVRA, JOEL BEEKE.

Creio que uma das principais razões para esse fracasso é a falta de ênfase no culto doméstico. Em muitas igrejas e lares, ele é algo opcional ou, no máximo, uma prática superficial, como uma breve oração de agradecimento antes das refeições. Consequentemente, muitas crianças crescem sem nenhuma experiência ou impressão da fé cristã e da adoração como uma realidade diária. Quando meus pais comemoraram suas bodas de ouro, todos nós, seus cinco filhos, decidimos agradecer a eles pela mesma coisa, sem consultarmos um ao outro. Surpreendentemente, agradecemos nossa mãe por suas orações, e nosso pai por sua liderança no culto doméstico de domingo à noite. Meu irmão disse:

 “Pai, a lembrança mais remota que tenho é a de lágrimas escorrendo pelo seu rosto enquanto você nos ensinava sobre como o Espírito Santo guia os crentes, nas noites de domingo, quando usava o livro O Peregrino. Quando eu tinha três anos de idade, Deus o usou em nosso culto doméstico para me convencer que o cristianismo era verdadeiro. Não importa o quanto tenha me desviado nos últimos anos, nunca pude questionar seriamente a veracidade do cristianismo e quero lhe agradecer por isso”.

Poderíamos ver um reavivamento entre os nossos filhos? Que possamos nos lembrar que Deus usa a restauração do culto doméstico como um prenúncio de avivamento na igreja. Um exemplo disso é a aliança da congregação puritana, de 1677, em Dorchester, Massachusetts, que incluía o compromisso de:

reformar nossas famílias, empenhando-nos para ter
um cuidado consciente para manter a adoração a
Deus em nosso culto doméstico; comportando-nos
em nossa casa com corações perfeitos; executando
todos os afazeres domésticos com fidelidade; educando,
instruindo e exortando nossos filhos e família
a guardarem os caminhos do Senhor.

Conforme as coisas são em casa, assim o serão na igreja e na nação. O culto doméstico é o fator que determina como as coisas andam no lar. É claro que o culto doméstico não é o único fator determinante para isso. Ele não substitui outras obrigações paternas. O culto doméstico sem o bom exemplo dos pais é fútil. O ensino espontâneo que surge ao longo de um dia comum é crucial. Todavia, separar momentos para o culto doméstico também é importante. Ele é a base bíblica da criação de filhos.

Trechos iniciais do livro Adoração No Lar, de Joel Beeke, publicado pela Editora Fiel.

 Nota: O fato de o autor citar o culto doméstico no domingo a noite é pelo fato de os cultos dominicais nas igrejas americanas serem realizados no horário da manhã.

Presb. Cícero da Silva Pereira