segunda-feira, 10 de junho de 2013

UMP INDICA: Posso Saber se Sou Salvo?

Graça e paz,
A minha indicação esse mês parte de um principio de questionamentos, onde muitos que frequentam igrejas há muito ou pouco tempo, ainda tem duvidas a cerca das escrituras.
A editora fiel lançou uma série de livros escrito por Dr. R. C. Sproul que nasceu em 1939 , no estado da Pensilvânia, Ministro presbiteriano, pastor da igreja St.  Andrews na Florida. E um dos seus livros fala a respeito a nossa salvação. Posso Saber se Sou Salvo?  Mostra que a segurança e algo possível e bíblico. A fim de ajudar os cristãos a alcançarem esta confiança. O Dr. Sproul define o que é segurança, mostra como é possível obtê-la e revela as bênçãos que ela oferece bem como os perigos da falsa segurança.
Espero que a  através desse boa leitura Deus venha te revelar o seu belo plano de salvação e te dando paz em saber que é possível ter a certeza da vida eterna e assim continuarmos Glorificando ao Rei que é digno de todo louvor.

Fábio Araujo

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O que vem Depois da Graça? Com a Palavra Ricardo Barbosa

A ruptura que muitos cristãos fazem entre o Antigo e o Novo Testamento, entre lei e graça, entre mandamento e amor, compromete tragicamente a formação do caráter cristão. O processo que envolve o crescimento e o amadurecimento cristão requer obediência consciente e diligente. Uma passagem bíblica que expressa bem isto está em 2 Pedro 1.4-7: “[...] ele nos deu as suas grandes e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo [...]. Por isso mesmo, empenhem-se para acrescentar à sua fé a virtude, à virtude o conhecimento; ao conhecimento o domínio próprio [...]”.
 
As promessas foram cumpridas em Cristo. O propósito de Deus para o ser humano foi revelado. O caminho do crescimento espiritual foi escancarado com a vida, morte e ressurreição de Cristo. Maturidade cristã é tornar-se participante da natureza divina, revelada em Cristo. É por causa disso que devemos abandonar a corrupção que existe no mundo e nos entregar, deliberadamente, às virtudes, ao domínio próprio, à perseverança e a tudo o que nos leva a ser semelhantes a Cristo.
 
É possível fazer isto sozinho? Não. Jesus afirmou: “[...] sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). Somente a graça de Deus pode realizar isto em nós. Porém, se eu nada fizer, nada será feito. É aqui que a obediência e o amor se encontram na experiência da fé. Os mandamentos de Deus não são uma negação de sua graça e amor, são sua afirmação. É a obediência aos mandamentos que nos leva a experimentar o amor divino.
 
Pedro afirma que precisamos nos empenhar para acrescentar à nossa fé a virtude, o domínio próprio, a perseverança, a piedade, a fraternidade e o amor. Sou eu que tenho de me empenhar. A responsabilidade é minha. Ninguém fará isto por mim. Consigo fazer isto por conta própria? Não. Preciso da graça de Deus. Contudo, se eu não me esforçar para fazer, nada será feito.
 
A formação do caráter cristão requer uma experiência intensa e poderosa com a graça de Deus. Deus, em Cristo, nos revelou seu amor, cumprindo por meio dele todas as promessas. Fomos salvos, regenerados e transportados do império das trevas para o seu reino de amor, justiça e paz. O caminho foi trilhado por ele, ele é o primogênito da nova criação. Sua vida consistiu em fazer a vontade do Pai e realizar a sua obra.

A formação do caráter cristão requer a mesma obediência aos mandamentos de Deus. Um cristão passivo e apático jamais experimentará o real significado da graça divina e, mais cedo do que imagina, perceberá a fragilidade de seu amor por Deus. Não deixamos de obedecer a Deus por falta de amor, deixamos de amá-lo por não obedecer-lhe.

Trechos do artigo de mesmo título do autor na edição 341 da revista Ultimato

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília.


Presb. Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Um Deus que Rejeita Pedidos de Desculpas

“O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração
quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”
(Salmos 51:17).

         Deus não desprezará o coração quebrantado e contrito; ou, em outras palavras, Deus não desprezará o coração arrependido. Em Lucas 15:7, vemos que há alegria nos céus quando pecadores se arrependem. Mas o que é, na prática, esse arrependimento? Biblicamente, “arrependimento” expressa a ideia de mudar de convicção. Em Lucas 3:8-14; Atos 3:19, as Escrituras nos mostram que o arrependimento verdadeiro resultará em mudança de comportamento.  Pessoas que se arrependem de coração devem produzir frutos dignos de arrependimento (Mt 3:8; Lc 3:8; At 26:20).

            O arrependimento não deve ser algo que nós praticamos somente quando fomos chamados à conversão, mas uma prática diária da nossa caminhada cristã, sabendo que todos os dias nós pecamos e ofendemos a Deus e a Sua santidade, sendo assim, precisamos de perdão.

            Porém, na maioria das vezes em que nos deparamos com situações de pecado, o que experimentamos logo após é uma sensação de ‘remorso’, mais como um peso na consciência, que aos olhos humanos pode ser confundido com o arrependimento genuíno, mas aos olhos de Deus, que sonda nossos corações, não tem valor algum.

Vejamos os casos de dois reis, Saul e Davi, igualmente ungidos por Deus, igualmente pecadores, mas completamente diferentes nas suas visões a respeito de Deus e de si mesmos. Ambos afirmaram ter se arrependido de suas ofensas ao Senhor, mas a atitude de Deus em resposta aos dois ‘arrependimentos’ não foi igual: Ele se agradou de um e rejeitou ao outro. Mas por quê?

O meu desejo é que o Senhor fale ao seu coração da mesma forma que Ele falou ao meu.

            SAUL frente à repreensão do SENHOR

Farei um resumo de 1 Samuel 15:1-31, para que possamos nos situar na história que mostra a desobediência de Saul e a sua rejeição:

            O profeta Samuel foi enviado por Deus a Saul para que este fosse ungido rei de Israel. Deus, por intermédio de Saul, iria castigar o povo de Amaleque pelo que eles tinham feito a Israel. O rei Saul foi ordenado pelo SENHOR a ferir totalmente os amalequitas, a destruir tudo o que tivesse em Amaleque e absolutamente nada poupar (v.3). Mas Saul não cumpriu a instrução do Senhor, pelo contrário, ele tomou atitudes diretamente contrárias às ordens de Deus. Ele, juntamente com os seus, destruíram o povo de Amaleque, mas pouparam Agague (o rei dos amalequitas), o melhor das ovelhas, o melhor dos bois, e os animais gordos e os cordeiros. O melhor que havia eles não quiseram destruir totalmente; porém toda coisa vil e desprezível destruíram (v.9) e Saul levantou para si um monumento (assim como Absalão, em 2Sm 18:18, levantou “para si uma coluna”, a fim de que o seu nome fosse lembrado). A partir de então, o Senhor se arrependeu de ter constituído Saul rei (v.11). Esse “arrependimento”, em seu contexto, quer dizer que a rejeição de Saul era definitiva, e nenhuma tentativa para abrandar suas consequências teria sucesso¹. Esse verso não contradiz aquilo que é dito num mais à frente (v.25), que diz que A Glória de Israel (Deus) não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa. O fato é que quando o Senhor toma uma decisão final, ele não pode, como ser humano, ser dissuadido.¹

            Quando o profeta Samuel voltou, Saul lhe disse que havia executado as palavras do Senhor (v.13). A desculpa que o rei usou para o fato de terem poupado os animais, foi que o povo o fez, não ele. Observe: “Respondeu Saul: De Amaleque os trouxeram; porque o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois, para sacrificar ao Senhor, teu Deus; o resto, porém destruímos totalmente.” (v.15). Saul estava tentando enganar a Deus, a Samuel e a si próprio.

            Saul foi repreendido por Deus através de Samuel. E no verso 23, parte b, o profeta finalmente anuncia o julgamento de Deus contra Saul: “Visto que rejeitaste a Palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.”

            Depois do julgamento, Saul aparentemente se arrepende do que havia feito: “Pequei, pois transgredi o mandamento do Senhor e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz.” Mas este arrependimento foi genuíno? Qual a intenção do rei Saul ao proferir essas palavras? No verso 30, ele volta a dizer: “Pequei”... mas o desenrolar da frase nos mostra a sua verdadeira intenção: “...Honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comigo, para que adore o Senhor, teu Deus.” Fica claro para nós, na segunda confissão de Saul, que a sua verdadeira intenção era obter honra, se livrar do julgamento severo, mas não reconciliar-se com Deus. Em troca, ele “adoraria” ao Senhor.
           
DAVI frente à repreensão do SENHOR

A história do rei Davi é mais conhecida e, para nós, ele pode ter sido um homem muito menos digno de aceitação por Deus que Saul. Davi foi escolhido por Deus, ungido rei, era um homem que temia ao Senhor e tinha comunhão com Ele. Davi foi aquele que foi chamado “homem segundo o coração de Deus” (1 Samuel 13.14) , embora não fosse alguém sem pecado, mas um homem que era impulsionado por seus desejos intensos.

Entretanto, nos nossos dias Davi seria considerado um criminoso. Por quê?  Na realidade, Davi era um homem com um temperamento violento, cheio de vícios de caráter, um homem que era, muitas vezes, cruel e inconsequente. Davi, o mesmo que derrotou Golias, agora tinha cometido adultério com Bate-Seba. O homem que foi ungido por Deus mandou que num combate, Urias (marido de Bate-Seba) ficasse na frente da maior força da peleja, sozinho, para que fosse morto (2Sm 11:15) e assim aconteceu. Com todas as letras ele foi um homicida, ele mesmo matou Urias naquela frente de guerra. Ele o mandou para a morte.

Depois de tantos acontecimentos espantosos, o Senhor enviou o profeta Natã a Davi (2Sm 12:1) e este lhe disse:

“Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. O rico possuía muitíssimas ovelhas e vacas. Mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha. E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para assar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre, e a preparou para o homem que viera a ele.” 2 Samuel 12:1-4

A Bíblia diz que o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem e ele disse ao profeta Natã: “Tão certo como vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto.” (v.5). E Natã o respondeu: “Tu és o homem!” (v.7).

Nesse momento nós vemos Davi proferindo o seu próprio julgamento. Davi tinha tomado a única esposa de Urias e tinha agido tal como o homem rico dessa parábola. Davi merecia morrer! Logo após, vem o julgamento de Deus para Davi: “Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres à tua própria vista, e as darei ao teu próximo, o qual se deitará com elas, em plena luz deste sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e perante o sol” (v.11-12).

A sentença de Davi estava certa, MAS havia algo em Davi que não houve em Saul após o julgamento: arrependimento sincero. Davi, após cair em si, disse: “Pequei contra o Senhor!” (v.12). E apesar da sentença contra ele ter que se cumprir, o Senhor perdoou o seu pecado e não o matou, mas disse que o filho dele, gerado por Bate-Seba morreria. (v.14-15).

Depois de ter recebido a sentença do Senhor através do profeta Natã, Davi escreve, em minha opinião, um dos mais belos Salmos, o Salmo 51. Neste salmo nós vemos por um pouco aquilo que Deus já tinha visto de antemão, o arrependimento de Davi. Davi reconheceu a grandeza de Deus diante da sua pequenez. Davi olhou para o seu pecado e viu o tamanho da santidade do Deus que é Santo, Santo, Santo! Davi reconheceu que pecou contra Deus, contra Deus somente (Sl 51:4a) e que Ele necessitava da purificação do Senhor (v.7) e do Seu perdão (v.9). E ele diz:

Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário.” (v.10-12).

Lições que podemos aprender com a vida desses dois reis:

O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração. (1 Sm 16:7). Se nós fossemos dar a sentença contra Davi certamente daríamos uma muito mais pesada que a que daríamos ao rei Saul. Mas porque Deus vê o coração, Ele conhece tudo aquilo que tentamos esconder e nos julga de forma justa e reta. Nada passa despercebido aos Seus olhos.

SAUL NOS MOSTRA UM EXEMPLO DE ARREPENDIMENTO FINGIDO (Rejeitado por Deus)

1) Saul não cumpriu as instruções do Senhor, pelo contrário, ele tomou atitudes diretamente contrárias às ordens de Deus. Na concepção de Saul, ele estava fazendo algo que traria mais benefício pra ele. Ele agiu como se ele fosse onisciente, e Deus não. Agiu como se a forma de Deus não fosse tão boa quanto à dele. Quantas e quantas vezes nós não fazemos isso? Quantas vezes preferimos fazer as coisas do nosso jeito, da forma que, a nosso ver, nos trará maiores benefícios e deixamos de lado a instrução do Senhor em tantas áreas da nossa vida? A consequência para Saul foi trágica. É preciso que tenhamos cuidado e atentemos para o que é dito em Is 55:8-9: Que os caminhos e os pensamentos do Senhor são mais altos que os nossos.

2) Saul sempre tinha uma desculpa. Saul culpou o povo, tentando se livrar do castigo. Vimos claramente Saul tentando fugir da responsabilidade, tentando esconder o seu pecado, mas Deus sabia, de antemão, o que ele havia feito. Nós também fazemos isso. Tantas vezes nos pegamos imputando culpa sobre todas as pessoas, menos em nós, como se isso fosse nos livrar de um julgamento. Mas a Palavra de Deus nos diz que ninguém pode se esconder de Deus. (1 Reis 22:34)

3) Saul não se arrependeu genuinamente. Para ele, o mais importante era manter a honra diante do seu povo e, em troca, adoraria ao Deus de Samuel. A partir daqui não podemos nos ver como semelhantes a Saul. Se nos vemos, precisamos correr para a Cruz de Cristo e nos arrepender. Ele não se arrependeu verdadeiramente do que havia feito contra o Senhor. Ainda mais, durante o texto nós vemos que Saul sempre se refere a Deus não como o Deus dele, mas como a [teu] Deus, o Deus de Samuel. Diante disso, podemos pensar que não tinha havido em Saul o primeiro arrependimento, o da salvação. Não podemos esquecer que o Senhor Deus examina os pensamentos e as intenções humanas, e Ele põe à prova os corações (Jr 17:10). Não se engane: Ele sabe se o nosso arrependimento é verdadeiro ou fingido.

DAVI NOS MOSTRA UM EXEMPLO DE ARREPENDIMENTO GENUÍNO (Agradável aos olhos de Deus)

1) Davi ofendeu gravemente a Deus. Por conta das inclinações da sua carne, Davi cedeu à tentação, de forma que cometeu pecados horríveis, principalmente para um ungido do Senhor, que tivera recebido infindáveis bênçãos do Altíssimo. Mas ao ser confrontado pelo Senhor através do profeta Natã, viu o quão desprezível era o que havia feito e que sendo assim, merecia justa condenação, então clamou por misericórdia.

2) Davi prontamente se arrependeu de forma genuína. Essa é uma característica de um verdadeiro cristão que busca entender a Majestade de Deus. Se nós não somos prontos a nos arrepender quando somos confrontados por Deus, pode ser um indício de que não tivemos um primeiro arrependimento, como falado, para salvação.

3) Davi pediu ao Senhor que o purificasse, o perdoasse, e renovasse nele a alegria da Salvação. Que possamos pedir ao Senhor todos os dias para que Ele nos revele nossos pecados e nos repreenda, para que possamos nos arrepender e nos voltar para Deus, a fim de glorificá-Lo para sempre.

 Este é o exemplo que nós devemos seguir!

            Não podia deixar de encerrar esse texto com o mesmo verso que abriu a nossa exposição, umas das últimas palavras do rei Davi nesse tão lindo salmo de arrependimento.

            “O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração
quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”
(Salmos 51:17).
Que nossa oração diária seja semelhante à oração de Davi no Salmo 51.
 Arrependamo-nos!
Letícia Lima

¹ Comentário da Bíblia de Genebra: 1 Samuel 15:29 “não mente, nem se arrepende”. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Ética do Homem-Aranha e a Ética de Jesus Cristo

Considerando que vivemos tempos difíceis, onde a sociedade jaz numa cultura subterrânea, que por sua vez, valoriza o poder de constranger, colocando o “ter” ou o parecer “ter” acima do “ser”, ao mesmo tempo em que o resultado pragmático é idolatrado acima da vida e da ética, a busca por exemplos capazes de inspirar uma ética em favor do bem surge como objeto principal do personagem “Homem-Aranha”.

É importante notar que no princípio do filme, o jovem Peter não é um ‘super-herói’, mas apenas um jovem, com limitações manifestas que se voltaram contra ele, através de pessoas que o tratavam como um lerdo esquisito.

Visto e rotulado pela sociedade como um fraco, Peter vê cada vez mais distante o sonho de namorar sua paixão – a bela Mary Jane. Além disso, ele morava com os tios, que além de idosos, atravessavam uma situação difícil para sobreviver com o mínimo de dignidade. Certamente este tipo de “homem” não serve de inspiração para o nosso tempo. Contudo, um dia acontece algo extraordinário. Numa feira de ciência, acidentalmente, Peter é picado por uma aranha geneticamente modificada e a partir de então recebe poderes. À medida que o jovem Peter descobre seus novos poderes, de maneira inevitável, segue um padrão de conduta marcado pelo egoísmo, pelo desejo de obter fama e pela sede se impor sua força perante os outros, para assim de alguma forma impressionar Mary Jane.

Preocupado com o caráter do sobrinho, o tio Ben lhe diz: “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. O jovem Peter não aceitou a lição ética do tio, e quando teve a chance de fazer o bem ele tomou uma decisão em favor da vingança. O resultado foi a morte do seu tio, mas daquele dia em diante, Peter começou a entender que fazer o bem é fundamental para ser “homem’.

Tomar decisões em favor do bem nunca foi algo fácil para Peter. Em muitos momentos ele vivenciou crises existenciais. Em um desses momentos, a Tia May lhe disse: “Deus sabe como as crianças precisam de heróis! Gente corajosa, altruísta, dando exemplo para todos nós. Todos adoram heróis. Acredito que há um herói dentro de todos nós que nos mantém íntegros, que nos dá força e nos enobrece. E por fim, nos deixa morrer com dignidade, mesmo que, às vezes, seja preciso ser firme e desistir daquilo que mais queremos. Até dos nossos sonhos”.

Críticos e filósofos ao analisar o personagem ‘Homem-Aranha’ conseguem discernir linhas fortes de um herói meio kantiano, meio utilitarista e porque não meio niilista que busca o bem como um ato de coragem. Seja como for, o fato é que realmente nossa cultura é carente de exemplos bons.

Jesus nos deu o maior de todos os exemplos de bondade, altruísmo e pureza. Seus seguidores devem recordar e guardar no coração suas palavras que nos responsabilizam no sentido de fazer o bem. Ele disse: "Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. " (Lucas 6:35-36) Como cristãos, numa sociedade sedenta de bons exemplos, devemos nos esforçar em “fazer o bem perante todos os homens” (Romanos 12:17), sabendo que “aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.”(Tiago 4:17).

Segundo a sabedoria de Deus não podemos nos furtar em fazer o bem, principalmente “estando na mão o poder de fazê-lo.” (Provérbios 3:27). Mitos como o ‘Homem-Aranha’ efetivamente possuem algum valor, na medida em que nos despertam para a prática do bem. Entretanto, mais importante é seguir Jesus Cristo, assumindo todos os dias, o compromisso em favor da justiça, ajudando os desamparados, resistindo aos opressores e acima de tudo espalhando o Evangelho da paz com Deus. Seguindo Jesus Cristo, verdadeiramente aprenderemos a “andar fazendo o bem”. (Atos 10:38).


Rev. Francisco Macena da Costa.

Publicado originalmente em: http://feembusca.blogspot.com.br/2011/06/etica-do-homem-aranha-e-etica-de-jesus.html

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Arte Sacra e a Bíblia dos Ignorantes

O grito de Sola Scriptura custou muito caros aos reformadores, e alguns homens considerados pré-reformadores como John Huss, que foi morto em razão de não arredar os pés das preciosas verdades bíblicas. Este lema, um dos cinco solas, é basilar no protestantismo, pois trata sobre a autoridade final em todas as questões, sobre o instrumento que valida as práticas e experiências, nos diz respeito sobre quem somos, quem cremos e o que devemos ou não fazer. Tudo isto está na escritura, a norma maior que nos guia (Gl 6.16), a verdade que nos habilita para toda boa obra (2 Tm 3.16-17).

No entanto a religião majoritária da Europa do Século 16, o catolicismo romano, não creditava um valor tão elevado as Sagradas Escrituras, e a colocava em um verdadeiro cativeiro, pois a afastava do povo, deixando distante dos leigos, trancafiadas nas mãos do clero. Para as pessoas comuns, que não tinha acesso à Bíblia, tão pouco sabiam ler em latim, o pensamento católico medieval reservava um pequeno paliativo: a arte sacra compreendia como a Bíblia dos ignorantes. [1] É neste sentido que podemos vislumbrar a efusiva produção artística e sacra do período, pois as esculturas, imagens e demais manifestações gráficas serviam como alento para os iletrados.

Tal postura foi rejeitada pelo protestantismo, que ainda entendo o valor das artes, não aceitava a existência de “Bíblias para os ignorantes” e sempre se propôs a investir de maneira árdua na tradução das Escrituras para a língua original de cada povo, e também atuou de forma diligente na educação das pessoas, a fim de que se tornassem capazes de por si próprios, com o auxílio do espírito, recorrer à revelação divina para se alimentarem e encontrarem a correta orientação a respeito do modo que deveriam viver.

Observando o rico legado protestante, é inevitável a perplexidade diante dos rumos que o evangelicalismo contemporâneo tem tomado, assumindo posturas que são evidentes regressos à teologia e prática romana medieval. Os cristãos têm se mantidos distantes das Escrituras, seja por compreensões equivocadas ou por mera preguiça espiritual, e tem sido sutilmente doutrinados por melodias belas, mas de conteúdo sofrível e que ferem a sã doutrina. É bastante verdadeiro o comentário do Pr. Paul Washer a esse respeito, quando diz que a maior parte do nosso cristianismo vem de músicos e não da bíblia. Com isso não estou criticando a arte sacra, tão pouco a arte como um tudo. Mas sim o uso indevido desta. A sua supervalorização em detrimento da fonte segura e imutável de fé e prática: as Escrituras Sagradas. Temos resgatado o conceito de “Bíblia dos ignorantes”, nos alimentando de remendos, desprezando a comida que nos alimenta (Jó 23:12).

É por falta de uma base solida calcada na palavra que muitos formam suas teologias em canções, que são muitas vezes compostas por hereges, ou no mínimo, por homens de pouco conhecimento bíblico e até mesmo neófitos. Precisamos lembrar-nos sempre que, ainda que existam excelentes canções, complemente afinadas com os ensinamentos bíblicos, também existe muita heresia envolvida numa melodia bonita e agradável sendo vendida por ai, tal qual nos dias de Ário [2]. É arriscado demais entregar-se cegamente às partituras, sem o prévio confronto com as verdades bíblicas. Podemos acabar trocando o Deus da bíblia por um outro que vive a levar portas na cara, enquanto tem "flash backs" alucinógenos e lamenta pelas promessas arquivadas. [3]

E a principal questão é que não precisamos de “Bíblias para ignorantes”! Todo cristão, por mais humilde que seja, tem acesso à Deus, por intermédio do Espírito e da mediação de Cristo, e pode encontrar as respostas e direções na Bíblia Sagrada. Não precisamos depender do clero, e ficar contentes com as migalhas da arte sacra. Podemos e devemos ir direto a fonte. É conhecimento que nos falta? Que sejamos instruídos pelos mestres e pastores fiéis à palavra, mas que acima de tudo, possamos recorrer diretamente à escritura, confiando no poder do Espírito, o que de modo nenhum anula nosso dever de estudar com dedicação a fim de compreender cada vez melhor a revelação de Deus para nossas vidas.

Como protestantes devemos zelar pela “sola scriptura”, não aceitando as muletas do mundo gospel com sua teologia fajuta, que coloca palavras na boca de Deus as quais ele nunca disse. Que possamos investir na educação, a fim de que libertemos a Escrituras do exílio da ignorância e da letargia espiritual.

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd




Notas:
[1] MATOS, Alderi de Souza. In: A caminhada cristã na história: A Bíblia, a igreja e a sociedade ontem e hoje. Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2005. 72p.

[2] No inicio do Século 4, o bispo Ário, que pregava a heresia que Cristo não era Deus e que havia sido criado por este, popularizou sua doutrina através de pequenas canções populares, com estruturas simples e cativantes, que foram dissiminadas por todo o império romano. (MACARTHUR JR, John. F: In: A Guerra pela Verdade. São José dos Sampos, SP: Editora Fiel, 2007. 137p.

[3] Este texto não se propõe a explicitar os problemas da nova canção de Thalles Roberto, apesar de citá-la como exemplo, e inclusive a imagem do mesmo foi também utilizada na postagem. O faço tão somente á título de exemplo, mas existem tantas outras canções iguais e até mesmo piores teologicamente à esta do referido cantor. A crítica é feita à todo um movimento e não a ninguém pessoalmente. Só fiz referências a ele pelo fato dele estar em grande evidência e ser um legítimo representante do movimento a qual faço referência no texto. Entretanto, caso alguém deseje dissecar a badala canção deste artista gospel, indico o texto de nosso amigo-parceiro Antognoni Misael: http://www.artedechocar.com/2013/05/deus-corre-atras-oferece-promessa-arquivada-leva-porta-na-cara-e-chora-como-assim-thalles/). Não teria como fazer uma análise mais preciso do esta. A quem interessar, está ai a indicação.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

UMP INDICA: É na Roda que Se Vê (Dr. Davi Charles Gomes)

Expondo o texto de Tiago 3.13-18, o Reverendo Davi Charles Gomes encontra na tradição popular uma metáfora adequada para explicar a diferença entre a sabedoria humana, carnal e eterna e sabedoria que vem do Alto: é na roda que se vê!

A cantiga popular afirma que para saber se um pássaro é um curió, um macho, ou uma curruíra, fêmea, deve-se colocá-lo na roda, com os outros pássaros e observar a forma com que ele canta. Só assim perceberemos quem é curió de fato. Apropriando-se desta metáfora, o pregador nos mostra que nos mostramos a sabedoria que seguimos a partir da forma com que atuamos, vivemos e fazemos a nossas obras. Não com o que alcançamos com elas, mas da forma com que fazemos.

Diante do texto de Tiago, somos confrontados com o modo com que temos vivido. Somos levados a refletir em nossas motivações, afeições e sentimentos. E no resultados disto: a forma com que vivemos e trabalhamos. Será que se fomos observar nossa conduta "na roda", seremos curíos ou curríara? Seremos sábios segundo Deus ou segundo o mundo?

É esta reflexão que a pregação que indicamos nos traz. Assista e seja confrontada pela maravilhosa sabedoria divina, que é o próprio Cristo encarnado.

Veja a pregação:

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

domingo, 2 de junho de 2013

Fé e Obras: Dois Lados da Mesma Moeda

Notoriamente, tem havido um interesse impressionante no que tange à teologia reformada ou o que chamamos de Calvinismo, em especial entre os jovens. Temos visto um resgate dos sermões e escritos dos gigantes do passado, como também muitas igrejas e instituições (seminários) abraçando a fé reformada. Trata-se de uma ótima notícia, pois estamos voltando as nossas origens, olhando para as grandes confissões do século XVI, para os famosos solas (Só a Escritura, Só a Graça, Só a Fé, Só Cristo e Só aDeus Glória), para os cinco pontos (Depravação total, Eleição incondicional, Expiação limitada, Graça irresistível e Perseverança dos santos). Vale salientar que, quando falamos em calvinismo, estamos falando em uma cosmovisão de mundo, e não a algo restrito apenas à doutrina da salvação como muitos pensam. A visão de mundo calvinista tem avançando de tal maneira que o Rev. Leandro Lima em seu livro O futuro do calvinismo, diz que a conhecida revista americana Time Magazine afirmou que o novo calvinismo é uma das dez ideias que estão mudando o mundo. Isso sem dúvida alguma nos deixa impressionados!

Conseguintemente, tenho acompanhado muitos jovens que têm se encantado pela teologia reformada, têm a estudado, têm se dedicado às Escrituras, entretanto, por muitas vezes, os mesmos estão apenas envolvidas em discussões e muitas delas sem expressarem o amor e humildade provenientes da Escritura e da teologia que bebem. Daí, confesso que me sobrevém grande preocupação.

Desejo dividir este texto em três partes sucintas e preciosas para o nosso crescimento. Primeiro, abordaremos um pouco da realidade que temos presenciado mesclando com a definição de alguns termos. Segundo, olharemos alguns reformados da história e a atuação dos mesmos. Por fim, em terceiro lugar, veremos o que a Bíblia diz acerca deste assunto.
ORTODOXIA x ORTOPRAXIA

Como dissemos acima, a busca e o interesse principalmente dos jovens pela teologia reformada tem sido algo surpreendente, porém, muitos destes moços têm se enchido de conhecimento, famintos pela comida escassa, mas o que deveria ser motivo para humildade, simplicidade, modéstia, temperança, piedade, tem conduzido à arrogância, soberba, prepotência, quase a ponto de não ver mais como um irmão em Cristo aqueles que não compactuam dos seus pensamentos e, por muitas vezes, até a convivência fica comprometida. As oportunidades que muitos têm as utilizam para descarregar a metralhadora e assim fuzilar alguém que não concorde com ele. As discussões não têm por finalidade orientar o incauto, ou ajudar o débil na fé com todo amor que podemos demonstrar por entender que trata-se de um irmão em Cristo, e que o instruindo estou demonstrando amor e cuidado com a Igreja de Cristo, como também cumprindo uma orientação bíblica expressa em Cl 3.16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria”, mas, sim, os mais variados motivos egoístas é que estão em jogo, talvez, mostrar quem sabe mais ou quem está no patamar mais alto de conhecimento; digamos que seria o crente de primeira categoria. O grande congregacional do passado D.M. Lloyde Jones uma vez disse o seguinte: “Devemos ter conhecimento com amor, sem amor e só com conhecimento tornamo-nos obstinados e orgulhosos”. Vale salientar que não há nada de errado em ter conhecimento, muito pelo contrário, um dos grandes problemas do passado como disse Oséias, como também atual, é a falta de conhecimento que leva à destruição, contudo, como disse o apóstolo Paulo: “sem amor de nada valerá”. Lembrando também que não estamos falando desse amor romântico e anti bíblico que tolera o erro e faz de conta que o pecado não existe, mas sim da falta de amor no sentido de tratar e se dispor a conversar com muita longanimidade e disposição com aqueles que ainda não compreenderam, pela dificuldade natural de algumas questões, doutrinas bíblicas que perduram ao longo da história da igreja.

Duas palavras nos ajudarão muito aqui: Ortodoxia e ortopraxia. Sendo bem objetivos, a ortodoxia trata da doutrina e crença correta, já a ortopraxia versa sobre a ação correta. A ortodoxia seria o conhecimento e a ortopraxia a prática deste conhecimento. Biblicamente falando, Tiago disse isto em sua epístola no capítulo 1.22: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” Tornai-vos denota que estes irmãos não estavam colocando em prática a palavra de Deus. Mas por que praticar? Porque Tiago os considera como inúteis por serem meros ouvintes. Não que ouvir a Palavra de Deus seja errado, mas o alvo é ouvi-la e praticá-la. Em outras passagens da Escritura, observamos essa verdade, por exemplo Rm 2.13: “Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.” Lc 11.28: “Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deuse a guardam!” Ou seja, a menos que a palavra seja colocada em prática, ela não terá sido verdadeiramente recebida (acolhida). Por isso já afirmava o grande reformador de Genebra João Calvino: “obediência é a mãe do verdadeiro conhecimento de Deus.”

ERUDIÇÃO E PIEDADE: EXEMPLOS DA HISTÓRIA DA IGREJA

Acreditamos que valerá a pena passear rapidamente na história olhando alguns gigantes do passado, visto que os grandes pregadores, teólogos, missionários, derivam da linha reformada. Quem já não escutou falar de João Calvino, John Owen, Jonathan Edwards, como uns dos maiores teólogos que esta terra já presenciou. William Carey e David Brainerd, dois dos grandes missionários que essa terra já viu. O diário de vida deste último tem sido o grande influenciador de jovens a obra missionária. Não esquecendo de falar de George Whitefield e Charles H. Spurgeon como grandes pregadores; este último mais conhecido como o príncipe dos pregadores.

Por muitas vezes, já vi gente se arrepiando e se contorcendo ao ouvir este nome: João Calvino. Com toda certeza o mesmo não desejaria, e porque não dizer que não concordaria em dar seu nome ao sistema doutrinário que foi batizado como calvinismo. Talvez poucos conheçam a humildade deste grande homem que, segundo Leandro Lima no livro o futuro do Calvinismo diz:
“Calvino pregou seu último sermão em 6 de fevereiro de 1564 e morreu em 27 de maio do mesmo ano, sendo sepultado num cemitério comum, numa sepultura sem qualquer identificação, como ele próprio havia solicitado. O túmulo comum representava a humildade do reformador, mas não a grandiosidade de sua vida e a influência mundial de sua obra.”

            Sem falar nas contribuições dadas por ele na vida urbana da cidade de Genebra. Para isso, já que não teremos tempo pra isso, indico o artigo do Rev. Sérgio Paulo Ribeiro Lyra, o qual está o endereço eletrônico no final do texto, como também grandes livros com a biografia de Calvino das editoras Cultura Cristã e Fiel.

         O que falar então do patriarca do presbiterianismo John Knox, um homem de oração. Foi um reformador que atuou na Escócia no Séc. XVI. Knox, foi um homem tão comprometido com a oração a ponto de a rainha da Escócia dizer que temia mais as orações de John Knox do que os exércitos da Inglaterra. A ponto dele passar noites e noites em oração, e quando a sua esposa vinha chamá-lo para se alimentar, ele dizia: “como eu posso comer, como eu posso me alimentar se o meu país está perecendo!” E ele orava em lágrimas uma das suas frases mais famosas: “Dá-me a Escócia pra Jesus senão eu morro”. Ele viu um dos maiores milagres da oração e da pregação da palavra quando em 1560 o parlamento estava adotando o protestantismo como religião daquele país pela influência poderosa de Knox, através de suas orações e pregações fervorosas.Um outro grande nome do passado, Martinho Lutero, nos ensina muito acerca de oração. Lutero falava que quanto mais ocupado estivesse, mais se dedicaria a falar com o Salvador. Estes eram homens que tinham um grande conhecimento, consequentemente, tal conhecimento fazia seus joelhos dobrarem.

            Como não lembrar dos puritanos que por muitas vezes ouviam sermões de uma hora e meia; dormiam mais cedo nos sábados para estarem atentos e dispostos para o dia do Senhor. Eles amavam tanto a pregação que quando alguém pregava apenas meia hora eles se sentiam roubados. Leitura bíblica e culto diário era uma prática comum nos lares puritanos. Oh, que belos dias!

FÉ X OBRAS: UMA ANÁLISE BÍBLICA

Olhando neste momento para as Escrituras, observaremos as palavras de Tiago 2.14-26. Tiago afirma que a fé sem obras é morta, e dará os argumentos pelos quais ele assevera que a fé sem obras não salva. No versículo 14 ele pergunta qual é o proveito da fé que não tem obras? Qual o proveito da fé a qual Tiago está falando? Obviamente, que o proveito da fé é a salvação. Portanto, Tiago conclui que uma fé sem obras não tem proveito algum porque é falsa, por isso não pode salvar. A ordem lógica em Tiago é: A salvação é mediante a fé; a fé produz obras. Conseguintemente, onde não há obras, a fé não existe; logo, profissão de fé sem obras que a acompanham não tem qualquer proveito. Então, o que Tiago diz aqui é o seguinte: “Se a sua profissão de fé não é acompanhada de obras, revela-se como meras palavras.” Não foi esse o contraste lançado em Tg 1.25? Preste atenção, pois isto foi algo que aprendi ao analisar esta passagem! A palavra obras deve ser entendida não apenas como atos de misericórdia para com os necessitados, mas também, e principalmente, como atos de obediência à vontade de Deus, conforme Tiago deixará muito claro em dois personagens do AT nos versículos 21 à 26. Portanto, uma confissão de fé que não for acompanhada das obras que atestam sua genuinidade não é de proveito algum, por isso ele diz: “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” Deste modo, fé e obras são dois lados da mesma moeda. Onde está uma, está a outra. Onde falta uma, certamente falta a outra. Não temos como discorrer nos demais versículos, porém fica-nos claro o argumento de Tiago.

Às vezes, tenho a impressão que somos doutores em ortodoxia, porém leigos em ortopraxia. Daí vale lembrar as palavras do grande Jonathan Edwards quando disse: “tudo o que dizemos será inútil, se não for confirmado pelo que fazemos”. Se por um lado, como diria o grande John Stott, crer é também pensar, poderíamos sem dúvida alguma afirmar que crer é também agir.Talvez com o tempo e conhecendo melhor a doutrina e a história, muitos perceberão as falhas e verão a diferença de suas atitudes para as dos autores bíblicos, como também para as dos gigantes da história da Igreja. Se questionamos muito as pessoas que negligenciam o conhecimento, e até afirmamos ser um pecado grave, não seria do mesmo modo (um pecado grave) quando não praticamos o que sabemos?Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Como um amigo me falou: “Se alguns pecam em negligenciar o conhecimento, precisamos reconhecer que também pecamos quando ficamos apenas no conhecimento.” Logo, essa falta de frutos, ausência de prática em nosso comportamento, deve nos levar a uma auto reflexão sincera, que culmine em arrependimento e confissão de pecados.

No fim da história, Obras (prática) sabe que precisa de fé(conhecimento), visto que sem conhecimento ela não será eficaz e não atingirá os resultados proveitosos. Por outro lado, fé (conhecimento) sabe que precisa de obras (prática), caso contrário sua vida será inútil, não teria sentido. Em vista disso, obviamente, elas são inseparáveis.

Com certeza são em casos como esses que poderíamos utilizar aquelas expressões para ocasiões mais que especiais: o que Deus uniu não separe o homem!  #FICAADICA ;)

Referências
LIMA, Leandro Antônio de. O futuro do calvinismo: Os desafios e oportunidades da pós modernidade para a igreja reformada. São Paulo, Cultura cristã, 2010.
Artigo do Rev. Sérgio Paulo Ribeiro Lyra:

Pr. Valker Neves
Um grande amigo nosso, pastor da Congregacional Zona Sul, parceiro de longa datas da UMP da IV.