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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Qual o papel do Artista Cristão no Reino de Deus? Com a Palavra, Rookmaaker.


Cristo não veio apenas para nos tornar cristãos ou salvar nossa alma; ele veio também para nos redimir, de forma que pudéssemos ser humanos no sentido mais amplo da palavra. Ser pessoas novas significa que podemos usar nossa capacidade humana de forma plena e livre em todas as facetas de nossa vida. Portanto, ser cristão significa que temos humanidade - a liberdade de trabalhar na criação de Deus e usar seus talentos que ele deu a cauda um de nós para a sua glória e para o beneficio do próximo. Assim, se tivermos talentos artísticos, eles devem ser usados.

E o Senhor sabe por que ele nos concede tais talentos. Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios (12.12-27), fala sobre a comunidade cristã como corpo de Cristo. Cada pessoa tem uma função específica no corpo e ninguém pode ser deixado de fora. Certamente há quem toque música, desenhe retratos, fotografe e escreva histórias.

Esses são os artistas. Eles possuem um lugar de direito na família de Deus. Assim, a vida do corpo de Cristo e, certamente, um renovo, um avivamento, é impossível sem esses membros chamados por Deus a fazerem o seu trabalho.

ROOKMAAKER, H. R. In: A Arte Não Precisa de Justificativa. Traduzido por Fernando Guaracy Junior.  Viçosa, Minas Gerais: Ultimato, 2010. Capítulo 2: A Resposta da Igreja, pp. 27.

OBS: Está é a nova seção da sexta-feira no UMP da Quarta, denomidada COM A PALAVRA. Toda semana colocaremos uma edificante citação de algum autor cristão com boa teologia reformada, sempre em forma de perguntas, para que assim possamos aprender mais sobre assuntos específicos e pertinentes. Caso haja algum autor que você deseje conhecer mais, nos indique na FAN PAGE do Facebook e colocaremos citações dele. 

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Graça Comum: Deus é o maestro que criou e que rege toda a sinfonia da criação!


Bem sabemos que depois da queda, o homem foi dominado pelo pecado(Rm 3.23), tornando-se escravo de suas próprias paixões e morto espiritualmente, sendo esta a doutrina já discutida aqui em outro texto, a Depravação Total. No entanto, tal perspectiva nos deixa diante de um sério dilema: em meio à tamanha corrupção espiritual, como pode haver uma sociedade ordenada com princípios éticos, e relações de afeto? Como as estruturas da sociedade não foram devoradas pelo desejo insano do coração dos homens? A resposta dada pelo Calvinismo é só uma: a graça comum de Deus.

Essa questão me foi esclarecida durante a leitura do excelente livro Calvinismo de Abraham Kuyper, teólogo holandês do século passado, onde ele afirma que assim como o homem domestica os animais, e prende ou controla seres selvagens, assim também Deus limita a maldade dos homens, extraindo até mesmo o bem do mal, para que se preserve a criação, entendido neste conceito não somente as coisas naturais, mas também toda a criação intelectual que também vem Dele.

É tal pensamento que nos explica a retidão moral de alguns incrédulos, que apesar de caídos espiritualmente, tem uma conduta séria e comprometida com suas causas, ao ponto de causar admiração. Isto nada mais é do reflexo da graça comum de Deus, que é a interferência mínima Dele para garantir que o mundo não seja destruído pelos corações pecaminosos dos homens. Esta graça é diferente da especial, sendo esta a que conduz a salvação por colocar a fé no caminho do escolhido.

A graça comum é um conceito rico e que nos dá amplas possibilidades de contemplação por caminhos muitas vezes negligenciados por separações equivocadas que foram construídas com base em premissas erradas, como a separação do sagrado e do profano. Neste mesmo livro, Kuyper prega que a cosmovisão calvinista, que nada mais é que a exposição clara e fiel das Santas Escrituras, deve permear todas as esferas do conhecimento humano, e restringir este pensamento ao ciclo religioso, como temos feito, acaba o isolando e entregando as ciências, a política e as artes nas mãos das vãs filosofias, deixando de lado uma ótima oportunidade de glorificar a Deus através destas áreas da convivência humana.

Paulo afirma em colossenses que: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. E ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” [1] Assim, é uma posição falha o isolacionismo do pensamento cristão que deve abranger com completude o ser humano, já que tudo foi feito por Deus e tem como fim Cristo. Muda-se o paradigma: não me afasto do mundo, mas somente daquilo que é pecaminoso nele..

Mas, dentro do campo vasto onde podemos notar o agir de Deus em lugares onde dogmas infundados nos impediam de ver, gostaria de limitar a análise e me deter na questão da arte, citando o também holandês Hans Rookmaaker, e sua defesa de que a arte não precisa de justificativa: Assim, a arte deve abrir os olhos das pessoas, ou servir como decoração, ou louvor, ou ter uma função social, ou expressar uma filosofia em particular.  A arte não precisa de desculpas.  Ela possui seu próprio significado que não precisa ser explicado, assim como o casamento ou o próprio ser humano, ou a existência de um pássaro ou flor ou montanha ou mar ou estrela.  Todos eles detêm um significado porque Deus os criou.  Seu significado é que foram criados por Deus e são por Ele sustentados.  Assim, a arte tem sentido como arte porque Deus considerou bom dar arte e beleza à humanidade. [2]

Esta conclusão é bela e instigante: a graça comum de Deus nos agraciou, em meio a tanta corrupção, com a beleza da arte. Ao visitar o museu da língua portuguesa em São Paulo, não pude ter outra afirmação em mente se não esta, e vi verdades eternas em muitas obras de homens que não a conheciam, e esta é a beleza do agir de Deus como maestro na criação, se revelando até mesmo através daqueles que não o conhecem. Este texto é na verdade uma introdução a uma série que pretendo fazer nos próximos meses, analisando sob a ótica da graça comum concepções em canções e poesias sobre a criação, a morte, o amor, o sentido da vida e etc. Além de introduzir, este artigo também nos dará o aporte teórico para esta viagem. Aguardo sugestões para incrementar este trabalho, com indicações de até mesmos outras manifestações artísticas como artes plátiscas e cinema, assim como temáticas para serem tratadas. Termino com um nítido exemplo de verdade de Deus que brota fora dos celeiros eclesiásticos:

Três âncoras deixou Deus ao homem: o amor da pátria, o amor da liberdade, o amor da verdade.
Cara nos é a pátria, a liberdade mais cara; mas a verdade mais cara que tudo. Patria cara, carior-Libertas, Veritas carissima. Damos a vida pela pátria. Deixamos a pátria pela liberdade. Mas pátria e liberdade renunciamos pela verdade. Porque este é o mais santo de todos os amores. Os outros são da terra e do tempo. Este vem do céu, e vai à eternidade. (Rui Barbosa) [3]


Jesus Cristo é a verdade!
Deus vos abençoe!

Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd

 Citações:
[3]PAULO: In: A Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Barueri, São Paulo, 1993. Epístola aos Colossenses, capítulo 1, versículo 16 e 17. 1060p. 
 [2] H. R. Rookmaaker, Modern Art and the Death of a Culture, 2nd ed. (Londres: Inter-Varsity Press, 1973), 229-30.
[3] BARBOSA, Rui.  A inprensa e o dever da verdade. São Paulo: Com-Arte; Editora da
Universidade de São Paulo, 1990, 80 p. (Clássicos do Jornalismo Brasileiro; 2)