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sábado, 19 de outubro de 2013

Deus Espera com a Mão Estendida? Com a Palavra João Calvino


Em Jeremias (32:39-40) Deus diz: "Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias"; "Porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim." E logo no princípio da profecia de Ezequiel (11:19): "Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne." Deus considera nossa conversão como criação de um novo espírito e um novo coração. Como então poderia Ele reivindicar mais claramente para Si mesmo tudo o que é bom e reto na vontade do homem?

Com isso estão de acordo as orações dos santos. Salomão disse: "O Senhor nosso Deus seja conosco... a fim de que a si incline os nossos corações para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos os seus mandamentos." (1 Rs. 8:57-58). E no Salmo 119 achamos a oração: "Inclina o meu coração a teus testemunhos, e não à cobiça" (v. 36). Davi pede a Deus que crie nele um coração puro, e renove nele um espírito reto, reconhecendo que seu coração está cheio de impureza e seu espírito de perversidade, e reconhecendo que a pureza que pede em oração é criação de Deus.

O testemunho de Cristo a respeito deste ponto fica claro para todos aqueles que não fecham seus olhos deliberadamente: "Eu sou a videira; vós os ramos; meu Pai é o agricultor. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim." (Jo. 15:1, 4-5). Se não podemos produzir mais frutos por nós mesmos do que um ramo de videira arrancado do seu tronco e privado de seiva, então não precisamos ir mais longe em busca da nossa capacidade natural para o bem. Igualmente decisiva é a conclusão de Cristo: "Sem mim nada podeis fazer."

O apóstolo Paulo, numa passagem que já citei, atribui a Deus todas as boas obras: "porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade" (Fil. 2:13). A primeira parte de uma boa obra é a vontade de praticá-la; a segunda é um esforço eficaz para realizá-la; o autor de ambas é Deus. Portanto, furtamos a

Deus tudo quanto arrogamos a nós mesmos, seja com respeito ao querer ou ao fazer. Deus tanto inicia como completa. Vem da parte dEle que nossa vontade conceba o amor daquilo que é certo, seja inclinada a desejá-lo, e seja despertada para procurá-lo; que nossa escolha, nosso desejo e nosso esforço não fracassem, mas sim sejam realizados; que continuemos nas boas obras e perseveremos nelas até o fim.

Deus move a vontade do homem na conversão, de modo eficaz, não deixando à escolha do pecador se ele obedecerá ou desobedecerá. Devemos rejeitar, portanto, uma declaração de Crisóstomo, freqüentemente citada: "Aquele que é atraído por Deus é atraído voluntariamente", pela qual subentende que Deus espera com a mão estendida para ver se queremos aceitar Sua ajuda, ou não. O apóstolo não nos diz que a graça de uma vontade renovada nos é oferecida na condição de a aceitarmos, mas que a própria vontade é gerada por Deus em nós; ou seja, que o Senhor pelo Seu Espírito dirige, molda, regula nosso coração e reina nele como no Seu próprio reino.

Teria ficado igualmente certo que a perseverança deva ser considerada o dom gratuito de Deus, se não fosse a prevalência do erro grave de que a perseverança é a recompensa do mérito humano, e é dada àqueles que foram devidamente gratos pela graça recebida. Mas visto que este erro brotou de um outro que já refutei, a saber, que depende do homem aceitar ou rejeitar a graça que Deus oferece, o erro originador tendo sido refutado, o segundo cai por terra.

E agora, escutemos Agostinho. Suas palavras mostrarão que não somos, conforme alegam nossos adversários, contraditos pela voz unânime dos pais antigos. Farei um esboço breve da opinião de Agostinho, usando suas próprias palavras.

"Foi concedido a Adão ficar firme se fosse da sua vontade assim fazer; a nós é dado querer e a vencer o mal pela vontade. Ele teria o poder, se apenas tivesse a vontade; Deus nos dá tanto a vontade quanto o poder. Sua liberdade era esta: ser capaz de não pecar; a nossa é maior, a saber: não ser capaz de pecar (1 Jo. 3:9). Se naquela fraqueza, em que o poder de Deus se aperfeiçoa, os santos

fossem deixados a exercerem sua própria vontade, e se Deus não operasse neles para querer e para realizar, a vontade deles falharia devido à própria fraqueza em meio às suas muitas tentações, e não seriam capazes de perseverar. Deus atrai os homens pela própria vontade deles, mas Ele mesmo opera naquelas vontades."

Noutro lugar, Agostinho diz que a graça não priva o homem da sua vontade, e sim transforma-a de uma má vontade para uma boa vontade, e depois passa a assisti-la; com isso quer dizer que o homem não é forçado, por assim dizer, por algum impulso externo, e sim está tão afetado interiormente que obedece de coração. Diz também, numa das suas cartas: "Sabemos que a graça de Deus não é dada a todos os homens; e que, onde é dada, não o é na base dos méritos das obras do homem nem da vontade do homem, mas pela livre graça; e sabemos que onde não é dada, é retida pelo justo julgamento de Deus." E em certo lugar resume admiravelmente a questão inteira desta forma: "Humana voluntas non libertate gratiam, sed gratia consequitur libertatem, isto é, a vontade humana não obtém a graça mediante a liberdade, e sim a liberdade mediante a graça."

João Calvino (1509-1564)


Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Deus é incapaz de salvar alguns simplesmente porque eles não desejam serem salvos? Com a palavra A.W. Pink


Antes de responder esta pergunta, pensemos acerca da experiência de pessoas que têm chegado a ser cristãs. Antes de chegar a serem crentes, elas não desejavam conhecer a Deus. Elas caminhavam pelos seus próprios caminhos e não pelos de Deus. Então, qual foi a mudança neles que as fez acreditar e se converter nas pessoas que são hoje? Um crente responderia nas palavras de 1 Coríntios 15:10: "pela graça de Deus sou o que sou". Contudo, todos os verdadeiros crentes dirão que, embora fossem responsáveis pelas suas próprias ações, pela Sua graça Deus foi capaz de controlar e dirigir as suas vontades. Isto significa que eles estiveram dispostos a receber a Cristo como Salvador, mas foi Deus quem primeiro lhes deu a disposição de crer. É só uma parte da verdade dizer que a gente não é convertida porque não quer acreditar. Não é toda a verdade. Por que então a gente não crê? A resposta é porque não têm fé. A fé é o dom de Deus, e Deus a concede às pessoas que Ele tem escolhido. Lemos em Atos 13:48 que todos aqueles que estavam ordenados para vida eterna acreditaram.
Assim sendo, a razão do por que Deus não salvou todo mundo é que Deus o Pai é soberano na salvação. Ele outorga o dom da fé salvadora só a quem Lhe apraz. Existem muitos textos na Bíblia que mostram que desde o Pai é soberano na salvação dos homens. Vamos a mencionar alguns exemplos. Em primeiro lugar, em Romanos 9:21-23 nos diz que Deus é como um oleiro e nós, como o barro. As pessoas a quem Deus tem escolhido e as que não tem escolhido são inteiramente iguais em si mesmas. Se Deus não salvara aqueles que tem escolhido, então todo mundo se perderia; ou seja, todos iriam pro inferno. Mas Deus faz uma diferença entre as pessoas, assim como o oleiro faz da mesma massa diferentes classes de objetos, alguns para enfeitar e outros para usos ordinários.
Deus pode fazer o que quer com o que é dEle, ou seja, com a gente que Ele criou. O Juiz de toda a terra fará o que é justo. A Bíblia, como já temos visto em Atos 13:48, diz que todos os que foram escolhidos para a vida eterna acreditarão. Este versículo mostra claramente que o crer é o resultado da eleição de Deus. Também mostra que só certas pessoas têm sido escolhidas para a vida eterna, o qual significa que eles serão salvos de seus pecados. Este versículo ensina que todos aqueles que são escolhidos por Deus, sem lugar a dúvidas chegarão a acreditar no Senhor Jesus Cristo.
Em segundo lugar, Romanos 11:5 nos diz que existem pessoas no mundo que têm sido escolhidas pela graça de Deus. Também nos diz por que estas pessoas têm sido escolhidas para salvação. Não foram eleitas porque Deus visse de antemão que eram boas pessoas. Foram eleitas simplesmente pela bondade de Deus para com aqueles que não a merecem.
Em terceiro lugar, 1 Coríntios 1:26-29  nos diz que Deus não tem escolhido a muitos sábios, nem poderosos, nem muitos nobres para que acreditem nEle. Ao contrário, tem elegido a alguns dos mais vis e fracos para que sejam Seu povo. Isto nos mostra que é Deus definitivamente quem escolhe às pessoas para que sejam salvas, porque a eleição de gente débil e simples é prova de que a salvação não tem nada a ver com as qualidades das pessoas mesmas. A eleição é inteiramente pela bondade de Deus e não devido a nenhuma outra razão.
Em quarto lugar, em Efésios 1:3-5 lemos que Deus escolheu seu povo antes da fundação do mundo. Em amor os escolheu, para que viessem a serem santos e sem mácula, seus filhos e suas filhas. Isto mostra que o povo de Deus foi eleito antes da queda de Adão, e nos ensina também o motivo pelo que Deus os escolheu. Como o texto o indica, os indicou para serem adotados como filhos Seus, para louvor de Sua glória e de Sua graça (veja os versículos 5, 6 e 12). Também nos diz que foram escolhidos conforme a Seu propósito soberano e Seu beneplácito (veja os versículos 9-11). Em quinto lugar, em 2 Tessalonicenses 2:13, o apóstolo Paulo agradece a Deus que tenha escolhido os Tessalonicenses para salvação, mediante a santificação pelo Espírito e a fé na verdade. Isto ensina que todo o povo de Deus é eleito para ser salvo e que é o Espírito Santo quem assegura que creiam a verdade.
Em sexto lugar, 2 Timóteo 1:9 declara que Deus chama e salva seu povo, não pelo que tenham feito, senão pela sua bondade e amor e Ele quis demonstrar aos Seus. Também ensina que isto foi determinado pelo conselho eterno da Trindade, antes que o mundo existisse.
Finalmente, a Bíblia nos diz claramente, em muitos outros textos, que Deus tem escolhido um povo para que seja salvo (veja os textos na nota no final deste capítulo). E já que foram eleitos por Deus, eles buscam a Deus. assim sendo, não há necessidade de temer que Deus não tenha escolhido você; se você O está procurando sinceramente, com certeza é porque Deus escolheu você. Por natureza ninguém busca a salvação de Deus, porque todos estão espiritualmente mortos e separados de Deus. então, se tu desejas a salvação que Deus dá, esse desejo é evidência de que Deus te ama e está operando em você. Esta é uma das verdades mais alentadoras que se encontram na Bíblia; não duvide, a fé é o dom de Deus. Assim que, se você acredita, Deus tem lhe dado essa fé, porque é o Seu desejo que você a tenha. Esta é uma verdade maravilhosa, não é?
PINK, Arthur W. Deus é soberano. Capítulo 4, sem página. Tradução do espanhol para o português realizada por Daniela Raffo, 2007. 

Felipe Medeiros

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Você deveria orar para Deus salvar seus queridos? Com a Palavra, Michael Horton


Calvinistas ouvem seus amigos arminianos fazerem essa pergunta o tempo todo. Normalmente, há a intenção de ser uma pergunta retórica. Em outras palavras, esta é, na verdade, uma afirmação: Se você crê que seu amigo incrédulo está morto em pecado até que Deus unilateralmente o regenere e que Deus incondicionalmente escolheu quem salvará, então qual o sentido?Que sera, sera: O que será, será.
É claro, essa é uma objeção extraordinária ao hipercalvinismo, mas falha em atingir o alvo reformado. Nossas confissões ensinam que Deus trabalha por meios. Embora o Pai tenha escolhido incondicionalmente alguns de nossa raça condenada para a vida eterna no Filho, os eleitos não foram redimidos até que Deus enviou seu Filho “na plenitude do tempo”, e eles não são justificados até que o Espírito lhes dê fé em Cristo por meio do Evangelho. Invocando o argumento do Paulo (que vem logo após o ensino sobre eleição incondicional), “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?… De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. (Rm 10.14-15,17)
Por anos, inverto esta questão retórica, perguntando “Por que alguém oraria pela conversão de seus queridos se Deus não é soberano em dispensar sua graça?”. Arminianos não deveriam orar para Deus salvar seus amados, porque Deus poderia responder: “Olha, eu já fiz minha parte; agora é a vez de vocês”. Todavia, eu percebo que os arminianos tipicamente não são menos zelosos ao orar pela salvação dos perdidos que os calvinistas. Estamos juntos em oração.
Não tão rápido, diz Roger Olson, famoso professor batista e escritor do livro Arminian Theology [Teologia Arminiana]. Os meus leitores talvez saibam que eu e meu amigo Roger nos envolvemos em discussões sobre esses assuntos. Ele escreveu o livro Against Calvinism [Contra o Calvinismo] e eu escrevi For Calvinism [Pelo Calvinismo] e tratamos desses assuntos pessoalmente como parte de uma série do meu site, White Horse Inn. Estamos tentando entender caridosamente a visão um do outro, ainda que criticamente. Neste espírito, prosseguimos.
Em um texto recente, Roger cutucou o vespeiro ao sugerir que os “arminianos não deveriam orar para que Deus salve seus amigos e entes queridos”. Pode ser que alguém esteja usando “salve” de maneira diferente. No entanto, “uma interpretação de texto normal me parece indicar que pedir que Deus salve alguém, sem alguma qualificação, é o mesmo (não importa a intenção) de pedir que Deus faça o impossível (a partir de uma perspectiva arminiana)”.
Ele acrescenta: “Assim, se uma pessoa me pergunta sobre esse tipo de oração, eu a levaria a uma discussão com ‘O que você deseja que Deus faça?’. Se a pessoa disser ‘estou pedindo que Deus intervenha na vida deles ao forçá-los a arrepender-se e crer’, eu diria que ‘Isto não é possível’ e explicaria por quê”.
(Porém, Roger, devo divagar aqui: Quem na terra, incluindo o calvinista mais inflexível, iria dizer ‘‘estou pedindo que Deus… force-os a arrepender-se e crer”? Mais uma vez, você deve observar nossas confissões para nossas perspectivas sobre o assunto e todas elas unanimemente ensinarão que ao, nos chamar eficazmente, o Espírito não força nossa vontade, mas a liberta da escravidão do pecado e da morte. A fé é inteiramente o dom de Deus e inteiramente a resposta livre de um ser humano que foi revivido pelo Espírito por meio do Evangelho).
O argumento de Roger é que um arminiano que ora esse tipo de oração está agindo como um calvinista, porém, na verdade, pedir que Deus “force-os a arrepender-se e crer” não é uma forma calvinista de oração.
Dito isso, creio que Roger tem a consistência ao seu lado quando se trata de sua própria posição. “’Senhor, salve meu amigo’ (sem qualificação) normalmente reflete o monergismo, não o sinergismo”. (Como Paulo disse que sua“oração a Deus por Israel é para sua salvação” [Rm 10.1], me alegro em descobrir que esse é mais outro texto-prova do monergismo!)
O professor Olson não está sendo preciosista ao sair por aí falando que seus companheiros arminianos não devem orar pelas pessoas; ele só quer que sua oração seja consistente com sua teologia. Ele explica: “Se eu escutar meu pastor, meu professor da EBD ou um aluno orarem algo como ‘Deus, por favor salve fulano e sicrano’, provavelmente irei até aquela pessoa, perguntarei o que ela quis dizer e darei a sugestão de mudar as palavras no futuro para que ela alcance o sentido pretendido. Por quê? Porque orações públicas também ensinam. As pessoas que ouvem um pastor, um professor de EBD ou um estudante orando tal oração provavelmente entenderão errado (a não ser que a intenção da oração seja monergística)”.
Fico feliz porque a maioria dos arminianos não são consistentes nesse ponto. Como Deus usa meios (incluindo nossas orações) para cumprir seus propósitos, é verdadeiramente bom que cristãos de qualquer linha estejam pedindo que Deus traga seus queridos – e os nossos – à fé salvífica em Cristo, assim como Deus usou a oração de todo tipo de pessoas em nosso caso. E é bom que Deus possa de fato responder essa oração, certo?
Traduzido por Josaías Jr | iPródigo.com | Original aqui

Intercâmbio feito por Walber Arruda

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Vocação Eficaz (Graça irresistível)



“... Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”
2 Timóteo 1:9

“Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna”
Tito 3:4-7

                Do que já explanei em textos anteriores, vimos que mesmo diante da condição de total depravação do homem, Deus na sua infinita misericórdia elegeu alguns, segundo o seu santíssimo consentimento e para salvar os escolhidos de sua própria ira, morreu a seu tempo para a remissão dos pecados dos mesmos. E como reflexo disso, Deus chama eficazmente os escolhidos para lhes proporcionar as bênçãos do sacrifício de Cristo. O chamado incondicional de Deus aos homens redimidos em Cristo é intitulado de graça irresistível ou ainda chamado eficaz [1].
                O chamado eficaz de Deus é assunto do capitulo 8 do livro de Romanos, no versículo 30 Paulo afirma que “... aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou e aos que justificou, a esse também glorificou.” No tempo certo, os escolhidos (predestinados) são chamados por uma ação interior do Espírito Santo e assim são atraídos e dispostos à vontade do Senhor. Na verdade, não seria de se esperar fato contrário a um chamado irresistível haja vista que nosso Deus é soberano. 
                De semelhante modo ao fato de não possuirmos controle algum sobre o minuto que se sucederá, é a nossa vida espiritual: não há como alguém que está morto em seus pecados (ver artigo depravação total) poder simplesmente decidir voltar-se para Deus. O coração homem natural está totalmente inclinado a fazer as obras da carne, pois “não há quem faça o bem, não há nenhum sequer” [2], assim não há a mínima condição de um homem não regenerado pelo sacrifício expiatório de Cristo pode por livre e espontânea vontade escolher seguir a Deus.
                Outro ponto importante a ser discutido é o convencimento que o Espírito Santo produz nos eleitos, remidos e justificados. O evangelho de João, capitulo 16, versículo 7 a 8, narra a afirmativa de Jesus que muito claramente atesta que quando morrer, deixará o Espírito Santo e ele convencerá o mundo de seu pecado. Não se trata em dizer que o Espírito iluminará a todos, mas sim a inescusável manifestação da culpa da humanidade. Jesus continua seu discurso, de forma que no versículo 13 do mesmo capitulo, conclui o Espírito guiará a toda verdade da obra salvadora de Deus. A expiação de Cristo, limitada eficazmente aos eleitos, proporcionou não somente a consumação de sua obra, mas também a continuidade do chamado incondicional do Pai e isso não se trata de uma visão superficial, pois sem a obra do Espírito ninguém acreditaria, mas sim a profundidade da atribuição ao mesmo Espírito de operar a graça irresistível no coração dos eleitos.
                Por fim, em contra ponto às doutrinas da graça, estão os que consideram a abordagem dos calvinistas sobre graça irresistível como sendo pesada, não dando assim opção ao homem. Não são poucos os que atribuem a Deus uma posição de educado quanto a persuasão e chegam até a afirmar que Ele só entrará quando nós abrirmos a porta. Tratando-se de uma visão lógica, abrimos a porta  porque somos conduzidos por Ele mesmo a isso. Não por sua presciência, mas pela sua condição de soberano Pai; não pelo meu merecimento, mas pela revelação do Espírito de que sou pecador; não porque me declaro filho dEle, mas porque o sou.

“De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes não só na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.”
Filipenses 2:1213

Felipe Medeiros
@felipe_ipb


[1] SPROL, R. C.: Vocação eficaz. 2º Caderno verdades essenciais da Fé Cristã. Ed cultura Cristã.
[2] PAULO: In: A Bíblia de Estudo de Genebra. 2. ed.Barueri, São Paulo: Cultura Cristã, 2009. O livro de Romanos, cap. 3, vers. 12 parte b .pág. 1477.