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quinta-feira, 29 de maio de 2014

A Lista de Características para Escolher sua Esposa

          Não sei quantos de vocês já ouviram falar disso, mas anos atrás, quando eu era de uma igreja batista – mas praticamente pentecostal – e tinha lá meus 17 anos, durante uma das aulas dominicais, uma mulher foi lá nos ensinar que nós tínhamos que fazer uma lista de características que queríamos que nossos futuros cônjuges tivessem. Segundo ela, poderíamos incluir ali as características que quiséssemos: que fosse uma pessoa bonita, educada, bonita, inteligente, bonita, rica e até bonita. Ah, sem esquecer que tinha de ser crente também. Sério. Uma das listas que eu vi de uma menina – ela deixou - tinha três páginas e várias vezes a palavra “bonito” aparecia.

            Eu me lembro bem da reação ao ouvir sobre como poderíamos fazer uma lista contendo essas “exigências” para Deus: pareceu-me estranho querer determinar como Deus tinha que me dar uma vida fácil ao escolher uma pessoa que seria perfeita, que eu provavelmente nem mereceria ou estaria à altura, ao invés do que eu havia aprendido na Bíblia que dizia que o casamento era para a glória de Deus. Eu lembro de sonhar acordado nessa época com esposas que possuíam deficiências, físicas ou mentais, ou que fossem pobres, romantizando de forma infantil o princípio correto de que o casamento não é primeiramente  para nos fazer felizes, mas para que glorifiquemos a Deus e assim consigamos felicidade nEle. Deus me deu uma linda jovem para cuidar, com quem namoro a 491 dias – se esse texto for colocado no blog no dia 30, vai fazer 495 dias – e com quem pretendo me casar.

            Mas isso não era a única coisa que me intrigava. Ao que me parecia, Deus já havia deixado uma lista dessas, pronta, na Bíblia! Eu não precisava colocar critérios – fortemente influenciados pelo mundo, pela carne, ou por aquilo que me agradaria – pois Deus já os havia dado em Sua palavra. E é sobre essa lista que eu gostaria de falar hoje. Abra por favor, a sua Bíblia em Provérbios 31:10-31 e dê uma lida no texto.

            Vamos a algumas informações preliminares, para podermos interpretar o texto diante de nós: esse texto é um poema de 22 versos, e sua forma é utilizada também no Salmo 119 (22 seções de 8 versos) e em Eclesiastes (o número de versículos nos capítulos é sempre mútiplo de 22). Esses 22 versos são as 22 letras do alfabeto hebraico, e o objetivo de usar um acróstico com todas as letras é expressar que o texto diante de nós tenta cobrir o assunto todo que o autor se propôs a escrever, ainda que de maneira resumida.

            Bem, se você leu o texto – se não leu ainda, leia! – deve ter identificado facilmente algumas das características da mulher virtuosa. Uma mulher virtuosa não é aquela que exibe uma e outra virtude aqui e ali, mas sim uma pessoa cuja maioria das ações expressa um caráter agradável a Deus - a maioria, e não todas, pois senão teríamos um robô e não uma mulher! Vamos entender um pouco mais a fundo o texto.

            “Mulher virtuosa, quem a achará? O seu vaor excede muito o de finas jóias.” Aqui o autor estabelece tanto a raridade de uma mulher virtuosa quanto seu valor. “Finas jóias” só eram possuídas pelos reis, ou por pessoas da corte real. Ma Deus, em Sua Palavra, está nos dizendo que a esposa virtuosa está acessível mesmo a nós, e que devemos ter grande expectativa em procurá-la e achá-la. Afinal, a boa esposa é bênção do Senhor.
            “O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho. Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” Esses versos estabelecem que ela é uma mulher confiável, que incentiva o trabalho do seu marido, pois o verdadeiro ganho não é dinheiro, mas a sua esposa mesmo, ao mesmo tempo que ela mesma é trabalhadora e sábia, edificando sua casa com suas próprias mãos: “Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos. É como o navio mercante: de longe traz o seu pão.”

            “É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa, e a tarefa ás suas servas.” Nesse trecho vemos que a mulher virtuosa sabe administrar a sua própria casa, “arregaça as mangas” e busca trazer prosperidade à sua casa, para que seus filhos não passem fome: “Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho”.

Ao contrário do que alguns podem pensar, a mulher virtuosa tem sim certa independência financeira do seu marido. Eu cresci em um lar onde minha mãe não trabalhava, e vi de perto um homem maltratar uma mulher por causa do amor ao dinheiro que meu pai tinha – e tem. Sem independência financeira, e com o desejo de não se divorciar para não causar problemas aos filhos, eu vi minha mãe sair da situação de refém dos ganhos do meu pai – homens, nunca façam isso com suas esposas! - fazer mestrado e doutorado, ser professora universitária e alcançar uma independência que equilibrou o lar e lhe deu poder para ser ajudadora do marido, que só recentemente descobrimos que tem síndrome de Aspenger. E é bom que a mulher seja obediente ao marido, não nego. É bom que a mulher mesmo cuide dos filhos. Mas ela também não pode se tornar escrava do seu marido por causa de dinheiro! “Cinge os seus lombos de força e fortalece os braços. Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca.”

Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado.” A mulher virtuosa não ganha dinheiro somente para si ou para seus filhos: ela corresponde às exigências da caridade cristã, auxiliando com sua renda aqueles que precisam de ajuda. “No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate.” Ela veste até as suas servas com lã escarlate, uma lã trabalhada e tingida para a nobreza! Repare bem isso: a mulher virtuosa trata bem mesmo os empregados mais simples. E ao mesmo tempo sabe dar valor a si mesma: “Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura.”

Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra.” Por trás de um grande homem há sempre uma mulher virtuosa empurrando! A mulher virtuosa incentiva seu marido a ser virtuosa também, ela é parceira na caminhada da santificação que Deus opera em nós.

Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cinta aos mercadores.” A mulher virtuosa faz com excelência aquilo a que se propõe fazer, e excelência é um hábito. “A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações.” Ela está revestida de caráter, e por isso não teme o amanhã, pois sabe que, mesmo nas dificuldades, com o esforço que Deus lhe dá, certamente há de superar as dificuldades, especialmente as espirituais.

Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está em sua língua.” Quem precisa de sabedoria, deve pedi-la a Deus que a todos dá liberalmente, e não impõe nenhuma condição (Tiago 1:5); a mulher virtuosa ela ora pedindo aquilo que Salomão pediu sabedora de que será atendida.

 “Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça.” Administrar uma casa dá trabalho! Mas a mulher virtuosa não busca desculpas, ela busca soluções! Por isso, o reconhecimento: “Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.” O reconhecimento não é só de seu caráter, mas também da obra de Deus na vida da mulher virtuosa: a transformação não engana, nem é essa dignidade ou graça algo artificial, mas o fruto do trabalho operado pelo Espírito Santo.


É com essa lista que você, rapaz, deve procurar uma esposa; tente ser caminhão suficiente para toda essa areia! E é sendo conforme essa lista, moça, que você se tornará virtuosa! “Dai-lhe do fruto de suas mãos, e de público a louvarão por suas obras!”

Daniel Campos

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A ordenação feminina: motivos e consequências


Um dos assuntos indigestos para a igreja contemporânea, no que tange discussão de opiniões e o afastamento de um procedimento bíblico, a meu ver, é a questão da ordenação feminina ao pastorado. A justificativa da não-observância do mandamento de que a mulher não ocupe o cargo de pastor geralmente segue as seguintes linhas: 1-Paulo ordenou isso em consonância com a cultura para a qual escrevia e 2-a mulher é tão capaz quanto o homem de exercer o ministério.

A primeira linha de raciocínio ignora que Paulo está, sempre, em suas cartas, pregando justamente contra a cultura das pessoas que vão lê-lo. No caso de Ef 5:25, por exemplo, ele ordena um amor sacrificial pela esposa, algo que um grego jamais pensaria, posto que o amor era algo possível somente entre homens. No caso do véu, como em I Co 11:2-16, Paulo ordena o seu uso, mas ressalta que essa não era a prática de outras igrejas pelo mundo conhecido (I Co 11:16). No caso da proibição da ordenação feminina, porém, não há um motivo cultural por trás; se houvesse, Paulo mesmo o apontaria.

A verdadeira questão de por que a mulher não deve se tornar pastora, no meu entender, reside na segunda linha de raciocínio. É verdade que há mulheres muito capacitadas ao ministério; há decerto mulheres piedosas que conhecem profundamente a Palavra de Deus, que são sensíveis às necessidades do rebanho de Deus. Mas nós não podemos nos esquecer de que o pastorado não é somente um cargo ou carreira: é um dom do Espírito, que Ele dá a quem Lhe apraz.

No momento em que passamos a pensar a ordenação pastoral como advinda de mérito, de habilidades e capacidades adquiridas, e não na ordenação espiritual, então aparentemente não deveria ser considerado problema que mulheres se tornassem pastoras. Mas o pastorado, assim como qualquer outro dom espiritual, tem a ver com a direção de Deus, e não com as capacidades. Paulo reconhece isso acerca do seu próprio apostolado várias vezes (ex: I Co 3:4-7, II Co 4:7, Gl 2:20), isto é, que o ministério que Deus nos dá depende inteiramente dEle, do Seu poder, do Seu agir.
A proibição bíblica da ordenação feminina tem por objetivo lembrar tanto a homens quanto a mulheres que o mais importante é o dom que Deus dá. Homens e mulheres possuem e podem adquirir habilidades e capacidade de liderar o rebanho, considerando as capacidades naturais que são exigidas, bem como o conhecimento. Mas o dom espiritual é ministrado por Deus, e é a dom que o ministro do Evangelho deve se fiar, ou melhor, ele deve se fiar em Deus, depender dEle, e não de suas capacidades adquiridas, por mais que elas sejam requisitadas ao serviço.

O fato de as mulheres não poderem ocupar essa posição humilha-as, mas também humilha aos homens. Não conhecemos nós, por acaso, mulheres piedosas e santas? Não conhecemos mulheres que poderiam cuidar do rebanho? Não conhecemos mulheres sensíveis a Deus, com um conhecimento maior que muitos pastores? É evidente que conhecemos. Isso nos lembra que o ministério é graça de Deus, e não premiação pelo nosso esforço. Isso nos leva a buscar o dom que vem de Deus, e não dependermos das nossas próprias capacidades. Impede-nos de olharmos para o que já alcançamos e ficarmos satisfeitos conosco mesmo, mas damos glórias a Deus e reconhecermos que não somos nada. A proibição da ordenação feminina ao pastorado tem por objetivo humilhar homens e mulheres a fim de que reconheçam sua total dependência nos dons que Deus dá aos homens.

Quanto á prática da ordenação feminina, o que a igreja tem colhido com isso? Igrejas que permitiram no passado a ordenação feminina, que tinham um entendimento de que o pastorado advém de capacidade, o que aconteceu? Não é por causa disso que vemos um degladio de egos entre pastores e pastores? Se bem que, por causa dessa mesma luta entre eles, uns já não são mais pastores: são bispos, bispas, apóstolos, e recentemente um paipóstolo [sic] apareceu. Quando o ministério é entendido como resultado de esforço e mérito, a cultura desse mesmo mérito exige que haja promoções para diferenciar um pastor com mais méritos que outro. Não é de se espantar que as mesmas igrejas que aprovam ordenação feminina sejam as mesmas que agora advogam ministério apostólico.

Que a proibição da ordenação feminina seja obedecida, pelo menos por nós, e que ela nos humilhe completamente, para que nos confiemos somente no dom que está em Cristo Jesus. Amém!


Daniel Campos

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

A Palavra de Deus: Uma Defesa Racional


Deixe-me desenvolver duas linhas de pensamento aqui, de forma a entender se a Bíblia é inequivocamente a Palavra de Deus ou não. E que Deus abençoe você que está lendo isso!

Primeiro precisamos saber se Deus possui o poder de, através de homens falhos, criar um livro exatamente como Ele deseja. Existem apenas duas respostas possíveis: sim e não. Se Deus possui esse poder, então é possível que a Bíblia seja a Palavra de Deus. Se não possui, então é impossível que ela seja 100% revelação de Deus.

Agora, qual seria o motivo pelo qual Deus não teria tal poder? Primeiro precisamos duvidar da onipotência de Deus, mas, para aqueles que não creem na Bíblia como revelação objetiva de Deus, isso não será problema. Em segundo lugar, precisamos crer que a natureza pecadora e má dos homens interferiu na Escritura, ou seja: a mão, que segurava a pena, havia cometido pecados e por isso não permitiria que a escrita fosse totalmente orientada por Deus, isto é, que o pecado produziria uma interferência.

Se crermos nisso, amados, imediatamente podemos descartar toda a possibilidade da nossa salvação. Isso porque, se Deus é incapaz de realizar tudo quanto deseja através do homem, se Deus é incapaz de fazer uma obra totalmente Sua e absolutamente perfeita, então a nossa salvação, tal qual a Sua Palavra, jamais será completa e totalmente obra divina, posto que nós mesmos a impediríamos inevitavelmente, se Deus não tem poder de purificar de forma eficaz. Bradar, como fazem os liberais, que a Bíblia não é senão que uma revelação imperfeita de Deus, é ter de admitir, igualmente, que a nossa salvação jamais poderá ser completa e assim, o Evangelho nada mais é que uma mentira.

Tendo isto claro, não podemos duvidar de que Deus tenha sido capaz de criar Sua Palavra de maneira perfeita. Mas permanece a questão: era esse Seu desejo? Foi assim que Ele fez?

Aqui, apenas uma opção se apresenta: Deus criou, de fato, Sua Palavra, absolutamente como Ele desejava, isso significando que, mesmo ela contendo a interferência humana ou não, ela é aquilo que Ele desejou que fosse. Resta-nos saber se ela possui interferência humana ou não. E creio que não é questão de duvidarmos da própria palavra, portanto, visto que Deus permitiu que ela possuísse as informações que possui. E ela diz dela mesma que é toda inspirada por Deus, que homens santos escreveram aquilo que o Santo lhes indicou, e que ela é um presente perfeito e maior que todas as riquezas do mundo. Se ela diz isso de si mesma, e se ela é, ainda que alguns considerem, em parte inspirada, então esses textos não são inspirados? Ou são medianamente? Ora, a Palavra também nos lembra que Deus não é Deus de confusão: Deus certamente não desejava que ficássemos confusos, ou que lêssemos essas passagens e duvidássemos se são palavras de Deus ou de homens.

Deixe, portanto, as opiniões de homens de lado. Se fôssemos acatar com as opiniões dos liberais, cada um tem a sua própria: um diz que não devemos aceitar os milagres de Jesus, porque foram escritos apenas para engrandecer sua história, mas não foram reais; outros nos dirão para abandonar os Seus discursos duros, que são apenas pregações moralizantes que os discípulos colocaram na boca do Cristo. Outros ainda irão dizer que os evangelistas erraram ao atribuir ao Senhor encarnado certas profecias antigas, e assim não teremos NADA do Evangelho, se aceitarmos as opiniões dos homens.

Daniel Campos

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Não pule do pináculo!


“Então, o levou a Jerusalém, e o colocou sobre o pináculo do temple, e disse: Se és Filho de Deus, atira-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeitoque te guardem; e: Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçardes nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus:Dito está: Não tentarás o Senhor, teu Deus.”
Lc 4:9-12

            Jesus havia sido levado pelo Espírito Santo para ser tentado no deserto pelo próprio Satanás e, ali, o inimigo de nossas almas faz uma proposta que deixa alguns cristãos perplexos, porque ele utiliza das Escrituras para fazê-la. Algumas pessoas, que não entendem porque exatamente Jesus não pulou do pináculo, dizem que Ele não o fez somente para não obedecer a Satanás porque, se houvesse pulado, os anjos O segurariam; mas não é esse o caso, realmente. O texto de Sl 91:9-13 fala acerca do Ungido de Deus e a proteção do Altíssimo das dificuldades e acidentes da vida. Deus O protege a fim de que nenhuma praga se achegue à sua tenda, mas o texto não diz que o Ungido deve procurar a praga para Si! Os anjos O sustentam a fim de que Ele não tropece; ora, ninguém tropeça por vontade própria!

            Aqui Satanás demonstra sua sagacidade no uso da Palavra de Deus: Ele propõe que Jesus faça algo de acordo com a má interpretação de um texto bíblico. Jesus, ao invés de fazê-lo, imediatamente responde mostrando que a interpretação do texto não dizia assim, nem jamais poderia dizê-lo, porque outros textos claramente estabelecem outra coisa. Como o mandamento que Cristo cita. Veja que a correta interpretação do texto é dada e também outros textos que apoiam essa interpretação.

            Mas, de forma similar à tentação de Jesus, Satanás tem tentado alguns crentes com outro texto distorcido. Tenho conversado com muitos jovens e debatido coisas com eles esse ano e, às vezes, costume divergir deles em alguns assuntos. Depois de demonstrar meu ponto de vista com alguns textos bíblicos, muitos tem me citado o famoso “a letra mata, mas o Espírito vivifica”. É compreensível em parte, afinal esses jovens geralmente não são capazes de empregar a Espada do Espírito para apresentar suas opiniões, e então se valem de “revelações de Deus” ou “experiências com Deus” para crerem no que creem. Eles estão pulando do pináculo.

            Digo que eles estão pulando do pináculo porque assim como o texto de Sl 91:9-13 foi distorcido por Satanás para tentar Jesus a agir de acordo com um texto mal interpretado, assim esses jovens são incentivados, por uma má interpretação de um trecho de 2 Co 3:6 a viver suas vidas cristãs de forma bem diferente do que deve ser realmente. Esses jovens talvez nunca tenham lido 2 Co 3:1-11 para entender o que realmente essa “Letra” quer dizer. E assim como a tentação de Satanás perdeu sua força quando o texto foi adequadamente interpretado, creio que essa sugestão também ficará bem mais fraca se lermos o que o texto diz.

            Abra sua Bíblia em 2 Co 3, e leia dos versos 1 a 11: Paulo está, aqui, comparando a antiga aliança com a nova e afirmando a superioridade da segunda. A primeira foi gravada com letras em pedras, e é chamada de “ministério da morte” e “ministério da condenação”; essa é a Lei. Ele afirma, porém, que havia alguma glória na antiga aliança. Para alguém que conhece alguma coisa de outros escritos de Paulo a respeito, sabe que “a Lei é boa”, e que tudo que ela diz, “aos que vivem na Lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus”. A Lei tem o seu propósito claro, qual seja: deixar evidente o pecado e a condenação de todos os homens, sem exceção. E por isso ela é chamada de “ministério da condenação”, e por isso se diz que “a Letra mata”. E não há nada de errado em a Lei nos condenar, porque isso é absolutamente justo.

            Também me faltaria o tempo de fazer toda uma longa exortação, com os vários textos bíblicos que nos orientam a um estudo diligente e a um conhecimento profundo da Palavra de Deus; esses jovens mesmo com os quais tenho conversado durante este ano sabem alguns. Eles sabem o “não tentarás o Senhor, teu Deus”. Mas, não obstante, pulam do pináculo! O argumento de Satanás é muitíssimo fraco, mas quantos acedem a ele! Porque ele diz: “a Letra mata, mas o Espírito vivifica, quer dizer que se você conhecer muito da Bíblia, ou se expor demais a ela, você irá ficar frio na fé; o Espírito vivifica: para evitar ficar frio, você deve apenas depender do Espírito, e não da Palavra”. Percebe que argumento fraco? Ainda que o texto dissesse o que ele não diz, poderíamos ler as Escrituras, e conhecê-las bem, dependendo do Espírito Santo a fim de que não ficássemos frios – como de fato fazemos!

            Irmãos, não pulem do pináculo! Não alicercem suas vidas, ainda suas vidas cristãs, em textos mal interpretados. Tenham cuidado! Satanás não tem intenção alguma que conheçamos a Palavra de nosso Deus; ele sabe que ela é lâmpada (Sl 119:105) e que sem ela o peregrine não encontra o caminho da cidade celestial; ele sabe que ela é semente (Lc 8:11), sem a qual o trabalhador da seara não pode fazer coisa alguma; ele sabe que ela é a água, que tanto dá vigor (Sl 1:1-3), quanto é usada para preparar a noiva do Cordeiro (Ef 5:25); sem ela, os justos não crescerão como a palmeira nem como os cedros do Líbano (Sl 92:12), e a noiva não ficará preparada.

Sabemos, porém, que os propósitos de Deus jamais serão frustrados: os peregrinos chegarão à cidade celestial; os semeadores farão o seu trabalho e a noiva estará pronta no tempo devido. Mas Deus cumpre Seus desígnios por diversos meios e um deles é o da exortação que nós fazemos uns pelos outros. E aqui está minha exortação: não pule do pináculo!


Daniel Campos
Irmão em Cristo Presbiteriano, de Belo Horizonte, que tivemos o prazer de conhecer através do grupo de leitura anual da bíblia no Facebook.