quinta-feira, 23 de agosto de 2012

É preciso cavar!


Ultimamente venho pensando muito sobre a historia que Jesus contou dos dois construtores, - o construtor sábio e o construtor insensato. O homem sábio edificou sua casa sobre a rocha. Quando veio a tempestade, a sua casa se manteve firme. O homem insensato edificou a casa sobre a areia. Quando os ventos e as chuvas chegaram, a casa foi destruída.

Antes quando ouvia ou lia essa historia pensava que para edificarmos nossa casa sobre a rocha bastava apenas sermos cristãos, ou seja, crer na palavra de Deus como verdade. Aparentemente se tratava de uma oposição estre o crente e o descrente. Mas o livro ‘’Cave mais fundo’’ de Joshua Harris me trouxe uma visão diferente sobre o assunto.

Hoje posso ver que o significado desta parábola vai bem além de cremos na palavra de Deus, nos desafia a cavarmos nossa casa em cima de sua palavra, que nossa vida seja edificada na palavra de Deus e quando o texto diz que o homem sábio teve que cavar isso nos leva a pensar que para conhecermos a Deus e seus mandamentos exige esforço de nossa parte.

Nem todos os que estão nos bancos da igreja, tem realmente cavado fundo. Muitos vivem sempre na superficialidade, se baseando em conceitos básicos e às vezes errados sobre as verdades da fé Cristã. Não se esforçam para crescer, e vivem satisfeitos e iludidos em sua inanição espiritual. Só perceberão o erro, quando a tempestade vier, e suas frágeis estruturas forem postas a prova.

Por fim, se cavarmos nossa vida na rocha na palavra de Deus, mesmo que venham os maus ventos e a tempestade, sempre ficaremos de pé, pois oque nos sustenta é a palavra de Dele. Um conhecimento superficial de Deus nos deixa desprotegidos contra os tempos maus, no entanto, uma fé alicerçada na palavra, é um abrigo seguro, um castelo forte, contra toda e qualquer tribulação. Cavemos mais fundo!


Dora Oliveira

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Confissões de um viciado em Facebook


“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”  João 1:14
Volta e meia, leio algum artigo ou mais um estudo falando sobre os efeitos negativos do facebook. Já chegou até ao ponto de ser associado a casos de depressão. Coisa de louco! E aí comecei a pensar sobre o assunto…
Qual é a grande graça do facebook? Qual é a jogada que deu certo? Qual é o segredo do Mark Zuckerberg? Bem, ele simplesmente enxergou uma necessidade primordial do homem e trabalhou em cima disso. Ou será que foram os irmãos Winklevoss? Enfim. Isso aí é conversa para os tribunais.
Por que será que não conseguimos ficar longe do facebook? Entramos para passar uns dez minutinhos, e quinze minutos depois passaram-se três horas. Não vemos o tempo passar. Mas somos fisgados por essa ferramenta social. Por que? Bem… pessoas. Simplesmente. O homem não nasceu para viver só, seja casamento ou amizade. Eu preciso me socializar com outros. E o facebook “permite” justamente isso. E não só o facebook. Desde as épocas de ICQ, MSN, orkut, fotolog, fotolist, blogs, vlogs, twitter, skype, Hi5, linkedin e por aí vai. As ferramentas sempre foram das mais variadas. O objetivo continua sendo o mesmo.
Mas será que essas ferramentas são eficazes em alcançar esse objetivo?
Vamos viajar um pouco…
Quantos conhecem a Mona Lisa, o famoso quadro de Leonardo da Vinci? Difícil não conhecer. Aquela jovem sentada com vestido escuro e cabelos negros lisos com um esboço de sorriso. Tipo Gioconda. Já virou, inclusive, até piada no nosso querido facebook numa suposta propaganda de alisamento de cabelo (Mona lisa X Mona crespa). Você sabe de qual quadro estou falando. Porém, reza a lenda que quando as pessoas vão visitar o quadro em si, a tela exposta no museu do Louvre, ficam um pouco desapontadas. Como? Acham a tela pequena. Ou seja, pessoas que nunca viram a tela pessoalmente se decepcionam com o tamanho reduzido do famoso quadro. Desapontamento vem de uma esperança ou expectativa frustrada. De onde veio tamanha expectativa em torno de algo que jamais se conheceu? Bem, a fama, a reputação da senhora Lisa Gherardini se tornou algo numa proporção tão grandiosa que superou o próprio quadro em si. Não faz sentido. A origem da reputação (o quadro) está aquém da reputação construída em torno da obra. Ou seja, a origem do frisson deixa a desejar. Devido a tantas reproduções e, de certo modo, falsificações da obra, o quadro original perde valor. Cria-se um simulacro, uma reprodução imperfeita, uma simulação a tal ponto que aquilo que inicialmente lhe conferiu sentido torna-se vazio. O quadro em si, por mais que nunca tenha-se verdadeiramente conhecido, se torna uma decepção.
O que o facebook está fazendo com nossos relacionamentos? O quanto será que essa ferramenta de socialização está criando um simulacro de amizade ou até corrompendo a maneira como nos relacionamos com o próximo?
Estou beirando os dois mil amigos no facebook. Amigos? Olhando para esta lista, eu talvez conheça (e por conhecer quero dizer com quem troquei palavras ao vivo, no mínimo) metade. Dessa metade, talvez quinhentos (estou chutando alto) sejam pessoas que vejo face a face algumas vezes por ano. Há muitos colegas de colégio com quem não falo há quase dez anos. Há outros que conheci numa viagem que fiz e com quem passei uma semana muito legal. E há outros com quem se quer troquei uma palavra na vida. Não faço a mínima ideia de quem são. Quando alguém me adiciona, não faço muita questão de filtrar. Como escrevo um blog e viajo bastante pela minha função na editora, imagino que sejam pessoas que acompanham meus textos ou com quem esbarrei numa conferência. Mas além disso, nunca trocamos uma palavra se quer. Já tive quem me encontrasse num congresso e perguntasse: “Você é o Andrew do blog do Andrew?” Respondo que sim. Isso é legal, porque a partir disso inicia-se uma conversa e posso até ter uma resposta aos meus textos. Mas em outros casos, alguém chega pra mim e fala: “Oi Andrew, sou seu amigo no facebook.” E fica aquele silêncio. Respondo educadamente, mas não sei muito o que dizer. Nem ele. Continua o silêncio estranho, como se tivéssemos uma relação estabelecida anteriormente e aqui estamos “botando o papo em dia”. Mas nunca houve papo. Nunca conversamos. No lugar de começarmos uma conversa nova e criarmos algo a partir do zero, fica aquela reputação, uma ideia de que já somos amigos. Será?
Como é que se conhece alguém via facebook? De verdade? Eu não coloco tudo que sou no “face”, até por uma questão de segurança. Recentemente, um parente meu começou a namorar e me espantei quando dei de cara com ele e a menina. Minha reação inicial foi preocupante: “Mas você não atualizou seu status no facebook! Como assim você está namorando?” Só foi depois que me dei conta do que eu tinha pensado. Temos agora o timeline, para a angústia de muitos. Mais uma ferramenta para postarmos nossa vida (ou pelo menos aquilo que queremos que seja conhecido) na internet. “Fulano anda sumido, afinal, quase não posta mais no facebook.” “Estou achando que o João não vai com a minha cara, afinal, ele não respondeu à minha solicitação de amizade no facebook.” “Ela está de mal comigo. Sei disso porque ela não curtiu aquela foto em que estamos juntos. Se quer comentou no meu status hoje.”
Criamos uma nova modalidade de relacionamento, e nós estamos viciados. Sou o primeiro a admitir o quanto o facebook tem me feito mal. Estou “por dentro” da vida de pessoas que, na vida real, não fazem parte da minha realidade. Faz mais de oito anos que eu não vejo aquela menina com quem eu estudei ao longo de quinze anos. Hoje eu sei que está casada. Legal. E aí? Alguém fez aniversário, logo, mandei um recado e tá tudo certo. Quando foi a última vez que você ligou para alguém no seu aniversário? Pior, quando foi a última vez que você falou encontrou alguém na semana do seu aniversário e pensou: “Ih caramba, não dei parabéns. Mas deixei recado no face, então tá legal.” Como é que a gente foge de encontros reais e saudáveis lançando mão da praticidade do facebook? É só postar uma foto, entrar no chat, mandar uma mensagem, criar um evento e tá tudo certo.
Fico pensando em quando lançaram o cinema 3D e muitos começaram a ter dor de cabeça e náuseas (fui ver Avatar e aconteceu comigo). Li um estudo que fala que isso acontece porque o cérebro percebe o movimento e se prepara para que o corpo responda. Na falta de resposta, da reação normal à percepção de movimento, essa mistura de sinais causa esses efeitos colaterais. Será que o mesmo não acontece com o facebook? O meu cérebro percebe uma realidade e se prepara para uma interação social, mas o meu dia a dia não corresponde àquilo. Será que é daí que vem meu mal estar?
Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Deus é um Deus relacional. Pai, Filho e Espírito Santo vivem numa eterna comunhão relacional perfeita. Ao enviar Cristo para morrer em nosso lugar, o Pai quebrou a barreira entre os mundos divino e material (dando um nó na cabeça da filosofia platônica) e se colocou como homem, ao nosso lado, para morrer em nosso lugar. Fomos criados, tanto biologicamente quanto emocionalmente, para isso. A Bíblia fala tanto da necessidade de interagir, aprender e servir o próximo e tantas coisas mais.
Por que será que o facebook causa depressão? Qual será o desapontamento causado por esse site de relacionamentos? Ele toma o lugar (teoricamente) das nossas relações humanas. Por mais que estejamos em contato com nossos amigos ao redor do planeta, continuamos a mercê da telinha intermediária que tira nosso sono com “apenas mais cinco minutinhos antes de dormir”.
Sou o primeiro a dizer o quanto o facebook tem me feito mal. O problema é que estou viciado nele e não sei como largar.
Facebook é legal, é prático. Mas nenhuma mídia, por mais social que seja, é capaz de transmitir a nuança de um sorriso, a firmeza de um aperto de mão, uma gargalhada constrangedora, um espirro dado fora de hora, uma palavra balbuciada, uma voz trêmula, um choro engasgado, um cheiro gostoso ou um abraço apertado.
Tenho que reaprender a me relacionar com pessoas, e creio que não sou o único.
Andrew McAlister

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro
@rodrigolgd



terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Mediação de Cristo na Oração


Aprouve a Deus em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do Mundo; e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.

O trecho acima é do capítulo VIII da Confissão de Fé de Westminster, que trata exatamente do assunto da mediação de Cristo. Sobre salvação já falamos nos textos anteriores. Continuando essa sequência de textos sobre esse importante tema para nós cristãos, quero destacar a mediação de Cristo na nossa santificação, particularmente no quesito da oração.

Em Jo 14.14, somos ordenados a orar em nome de Jesus. E assim o fazemos. Mas o que isto significa? Significa que, como mediador, ele atua agora como nosso representante legal diante de Deus. Ele assume esse papel na cruz, quando desfaz o mal causado pela queda do nosso primeiro representante, Adão. Por isso oramos a Deus em nome de Jesus. Temos um representante legal, um advogado, conforme 1 Jo 2.1. A mediação é necessária, pois mesmos salvos, temos uma natureza pecaminosa e corrupta a nos descredenciar de irmos diretamente ao Pai. Então qual (quem) é o meio de acesso? O Senhor Jesus. Por isso, oramos a Deus em nome dele. Isto deve nos conduzir a uma reflexão importante. O que estamos entregando a Jesus em oração para ser por Ele apresentado ao Pai? Vejamos a seriedade da questão e pensemos porque Tiago nos exorta quanto ao que devemos pedir, (Tg 4.3). Nesta passagem, Tiago nos mostra a razão de não recebermos o que pedimos. Pedimos para nos vangloriarmos, para nossa soberba. E como deve ser o pedido? O fim da oração do Pai Nosso nos orienta quanto a isso. Pois teu é o reino, o poder e a GLÒRIA.  Quando pedimos buscando a glória de Deus, a resposta que vier será bem vinda, pois o nome dEle será glorificado. E como essa resposta virá? E a mediação atua mais uma vez, pois quando Deus nos responde, o faz em nome de Jesus (Jo 16.23). O representante que apresenta nossas orações diante do Pai também é o meio pelo qual Deus manda a resposta às mesmas, para a glória do seu nome. E isto nos leva a glorificá-lo e nos jubilarmos quando ele nos concede ou nos priva de algo, pois assim entendemos ser a sua boa, perfeita e agradável vontade. (Rm 12.2).

Por fim, é importante lembrar um fato importantíssimo: Não sabemos orar como convém. Quem nos socorre? O Espírito santo de Deus, o selo da nossa salvação, que habita em nós, nos conduzindo a entender e obedecer a vontade de Deus, revelada em sua palavra (Rm 8.26). O mais importante, porém é o que Jesus afirma em Jo 14.26: o Consolador, cuja função é nos lembrar daquilo por  Ele ensinado, foi enviado pelo pai em nome dEle, do próprio Jesus. E eis que se completa todo o ciclo em relação à mediação de Cristo na oração.

DEUS NOS ABENÇOE

Presb. Cicero Pereira

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UMP Indica: O Ateísmo Cristão e outras ameaças à igreja



 A minha dica deste mês é o mais recente livro do Rev. Augustus Nicodemos. No combate as heresias que se produzem na Igreja Brasileira e outras ameaças à Igreja. Temas controversos são discutidos à luz do evangelho. Um livro para ser lido e relido sempre que doutrinas prejudiciais à saúde da igreja brasileira surgirem.

Augustus Nicodemus Lopes é paraibano e pastor presbiteriano. É bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (Recife), mestre em Novo Testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul) e doutor em Interpretação Bíblica pelo Westminster Theological Seminary (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda).

Para adquirir este material acesse: http://www.mundocristao.com.br/

Missionário Ericon Fábio

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Que diferença faz se você crê nas doutrinas da depravação total do homem e na soberania absoluta de Deus? Elas realmente produzem impacto na vida de alguém? Com a Palavra, Terry Johnson

Deixe-me falar pessoalmente. A primeira grande diferença que essas doutrinas fizeram em minha vida foi a transformação de um egoísta, de um espectador sentado no banco da igreja, em um adorador de Deus. Quando tive meu primeiro contato com as primeiras doutrinas da soberania de Deus e da depravação do homem, e me reconciliei com o ensino da Bíblia, fui dominado pela admiração. Até esse ponto, o conhecimento de Deus tinha sido 'proveitoso' para mim. Eu tinha crescido consideravelmente em maturidade na faculdade. Mas eu realmente não tinha relação com Deus, exceto para tirar alguma vantagem pessoal. Ele estava ali para mim.  Certamente, é desta forma que muito do ensino bíblico de hoje faz parecer. Deus é retratado como o Auxílio Final no tratamento coma auto-imagem, a raiva, a tomada de decisão, as finanças, etc. Quando compreendi que ele me salvou e que eu estava em suas soberanas mãos, isso reordenou minha perspectiva. Eu vim a compreender tanto que ele estava muito além das pequenas caixas que eu tinha construído para ele, quanto que eu estava ali para ele, não ele para mim. Isso fez com que me curvasse em adoração perante o Deus a quem eu fui feito para glorificar.

Minha experiência com as 'doutrinas da graça' (um outro de nossos sinônimos, até aqui chamadas de depravação total e de soberania absoluta) é incomum? Não somente é incomum, mas eu penso que ela assume algo que se aproxima das expectações do novo Testamento. A doutrina da eleição não foi dada para ser um ponto de discussão teológica, mas uma chamada à adoração. É exatamente deste modo que Paulo trata do assunto em Romanos 9-11, quanto em Efésios 1.

*Terry Johnson, autor de vários livros, é pastor senior de Independent Presbyterian Church in Savannah, Georgia, nos Estados Unidos.

Trecho do livro A doutrina da graça na vida prática, publicado pela Editora Cultura Cristã

Cícero da Silva Pereira

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Carpe Diem, para quê?

““Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará”.
Lucas 9:24

No mundo atual, a mídia, os grupos de amigos, as propagandas, a sociedade, de uma forma geral, nos convocam a viver mais a vida, a aproveitá-la ao máximo, a viver cada momento como se fosse o último, apregoando o carpe diem[1].

Entretanto, o que é “o viver a vida” que a sociedade estimula? Os exageros que satisfazem a carne: baladas, ingestão de bebidas, sexo na adolescência e fora do casamento, relacionamentos sem responsabilidade com os sentimentos alheios, traições, tudo o que está fora do padrão de vida cristão.
Nesse sentido, vemos como a citação de Jesus, no evangelho de Lucas, é atual. O modo humano de viver a vida é o caminho da perdição. O caminho na contra mão da Palavra e da vontade de Deus. Um caminho que nos faz perder a vida, tendo em vista que, aquele que sente preenchimento e prazer nessas práticas, é uma pessoa morta espiritualmente. Vive pela carne, somente. E com ela também padecerá.

A vida que Jesus nos convoca a ter é uma vida de plenitude espiritual, de amor ao próximo, de valorização das coisas que nos mantém em comunhão com o Pai. Nesse caso, somos chamados a perder a nossa vida em função do amor de Cristo. Sim, perder a vida carnal e leva uma vida de santificação, pautada na Palavra de Deus.

Como viver então nessa sociedade carpe diem? O verdadeiro cristão deve levantar-se todos os dias e perguntar-se como ele pode aproveitar plenamente o dia, de uma forma que o mantenha em comunhão com Deus. E não é fácil, nesse mundo no qual estamos totalmente imersos e com a nossa natureza carnal e corrompida, buscarmos estar no centro da vontade de Deus. São muitas as distrações e as armadilhas, camufladas de necessidades, que buscam nos tirar do caminho agradável aos olhos de Deus.

Entretanto, não estamos sós nessa luta. Como se lê em I Coríntios 3:16: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”. O Espírito Santo de Deus está nessa militância diária conosco para que possamos vencer o mundo, assim como Jesus o fez. Aproveitar o dia, no sentido cristão, é manter-se firme na certeza de que as práticas da carne não são comparáveis à alegria do espírito.

Que possamos escolher a boa parte, assim como fez Maria, irmã de Marta (Lucas 10:42), e que não nos desviemos nem um milímetro do caminho perfeito que Deus tem para nós.

Andrea Grace


[1] Carpe Diem, em latim, significa “aproveite o dia”.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Eis que estou à porta e bato

"E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." (Apocalpse 3.14-22)

Dia desses quando passava pelo calçadão de Campo Grande, bairro aqui no Rio de Janeiro, acontecia um culto público. Eram irmãos da Assembléia de Deus, em um culto bem característico desta denominação. O pregador, então, exortava os transeuntes que se convertessem a Jesus, e o apelo estava baseado na expressão de Jesus no Apocalipse: “eis que estou à porta e bato”. Jesus quer entrar no teu coração, mas você tem que abrir a porta para ele, ensinava o pregador. A utilização deste versículo como apelo evangelístico é bem comum no meio evangélico, contudo não é este o sentido original do texto.

Apocalipse 3.14-22 é uma carta endereçada a igreja cristã de Laodicéia. Uma exortação aos cristãos e não um apelo evangelístico. Com esta afirmação não quero dizer que a utilização do versículo para fins evangélisticos seja ilegítima, apenas quero afirmar que o sentido primário do texto não é este. É preciso estar atento a tal fato, pois muitas heresias surgem de interpretações que tiram o texto de seu contexto original.

O apelo de Ap 3.20 (“eis que estou à porta e bato (...)”) é o desafio para a renovação espiritual dos cristãos de Laodicéia. O fervor inicial foi perdido, a igreja outrora quente, agora está morna. Melhor que eles fossem frios, pois ficaria claro que eles não eram cristãos, mas a situação em que viviam produzia um escândalo para a fé cristã. Eles se diziam discípulos de Jesus, mas sua vida indicava outra coisa. A fé cristã para eles se tornou numa mera rotina, tudo agora era mecânico. Não é este um perigo para a nossa fé hoje em dia também? Nos acostumamos com a fé cristã, Jesus e igreja, e nos tornamos em cristãos mornos. Nada pior, a palavra de Jesus é dura para os mornos: vou vomitá-los de minha boca.

Outro problema causou a estagnação espiritual de Laodicéia, a auto-suficiência. Somos ricos e não precisamos de nada mais. Uma condição básica para o discípulo de Jesus é a dependência de Jesus, sem ele nada podemos fazer, o real sentido da humildade cristã. Quando achamos que podemos seguir sozinhos, a derrota se inicia. Por mais que avancemos em nossa fé, por mais maduros que sejamos, nunca podemos prescindir da ação do Espírito Santos em nossas vidas.

Diante da lamentável situação dos cristãos de Laodicéia, Jesus os exorta: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.” Jesus não os abandonou, o seu amor era o mesmo por aqueles cristãos. O castigo era uma expressão deste amor, o apelo era para que eles se arrependessem! Era necessária uma mudança radical de atitude, uma renovação espiritual como diríamos hoje.

O amor de Jesus também fica claro com a imagem de que ele estava do lado de fora da igreja, mas batia a porta de forma insistente. Os cristãos de Laodicéia podem ter colocado Jesus para fora de suas vidas, mas Jesus não os deixou a vagar sozinhos. Ele continuava a expressar o seu amor incondicional e gracioso para os cristãos de Laodicéia. Nada mais consolador. Nossos erros e pecados podem colocar Jesus para fora de nossas vidas, mas Ele sempre estará do nosso lado, batendo a porto do nosso coração.

Diante do apelo amoroso de Jesus (“eis que estou à porta e bato”), a resposta esperada era atenção a sua palavra e obediência. “Se alguém ouvir minha voz e abrir a porta”. Em toda situação de debilidade espiritual, uma saída indispensável é ouvir a palavra de Jesus, ouvir a Palavra de Deus. Em todos os grandes avivamentos espirituais, da Reforma Protestante ao aviamento americano do Século XIX, todos foram motivados pela leitura da Palavra de Deus. Não basta, porém, ouvir a voz de Deus, a obediência é atitude que se segue de imediato. Ouvir e obedecer, duas atitudes inseparáveis na vida do cristão.

E qual o resultado da renovação espiritual? Nada de acontecimentos fantásticos e inusitados, mas sim a simples e profunda intimidade com Jesus: “entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”. É sabido que a refeição conjunta no contexto histórico de Jesus, a Palestina do primeiro século, representava mais do que simplesmente comer uma refeição em conjunto, representava uma íntima comunhão. Partilhar uma refeição era o mesmo que partilhar um pouco de si mesmo com o outro. Esta a razão do escândalo dos fariseus perante a comum atitude de Jesus de comer junto com os pecadores e marginalizados. Quando Jesus volta ao centro do nosso coração, a comunhão é restabelecida, não há mais uma vida morna, nem arrogância, mas sim a doce e transformadora presença de Jesus. Amém.

Luís Carlos Batista
Fonte: [ Blog do autor ]




Intercambio feito por: Walber Arruda