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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Evangélicos Encontram-se no Meio de um Avivamento Calvinista

Para aqueles que estão tristes com o fim do quiz de fim de ano, aqui está uma pergunta para começar 2014: Se você tivesse se unido a uma igreja que prega uma teologia da Tulip, isso significa que: a) o pastor coloca flores no pão da ceia; b) o pastor crê que as flores que surgem novamente toda primavera simbolizam a ressurreição; ou c) o pastor é um calvinista?

Como um número cada vez maior de cristãos sabe, a resposta é a letra “c”. O acrônimo [em inglês] resume as chamadas doutrinas da graça de João Calvino, com sua ênfase na pecaminosidade e na predestinação. O “T” significa a Total Depravação do homem. O “U” significa a Eleição Incondicional, que quer dizer que Deus já decidiu quem será salvo, independente de qualquer condição na própria pessoa, ou em qualquer coisa que ela possa fazer para conquistar sua salvação.

O acrônimo não fica mais animador depois.

O evangelicalismo está no meio de um avivamento calvinista. Números cada vez maiores de pregadores e professores ensinam as visões do reformador francês do século 16. Mark Driscoll, John Piper e Tim Keller — pregadores de megaigrejas e importantes escritores evangélicos — são todos calvinistas. A frequência em conferências e igrejas de influência calvinista está em alta, especialmente entre os fiéis nas casas dos 20 e 30 anos de idade.

Na Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul), a maior denominação protestante dos Estados Unidos, a ascensão do calvinismo provocou discórdia. Em 2012, uma pesquisa abrangendo 1.066 pastores batistas do sul conduzida pela LifeWay Research, um grupo sem fins lucrativos associado à Southern Baptist Convention, 30% consideraram suas igrejas calvinistas, enquanto que 60% estavam preocupados “com o impacto do calvinismo”.

Calvinismo é uma orientação teológica, não uma denominação ou organização. Os puritanos eram calvinistas. Os presbiterianos são provenientes dos calvinistas escoceses. Muitos batistas primitivos eram calvinistas. Mas no século 19 o protestantismo se moveu em direção à crença não-calvinista de que os seres humanos devem consentir com sua própria salvação —  uma crença otimista e americana por excelência. Hoje, nos Estados Unidos, uma grande denominação (a Presbyterian Church in America) é assumidamente calvinista.

Mas mais ou menos nos últimos 30 anos, os calvinistas têm ganhado proeminência em outros ramos do protestantismo e em igrejas que costumavam dar pouca importância à teologia. Em 1994, quando Mark Dever foi entrevistado na Capitol Hill Baptist Church, uma igreja batista do sul em Washington, o comitê de seleção nem mesmo teve que pergunta-lo a respeito de sua teologia.

“Então eu disse: ‘Deixe-me pensar no que vocês não gostariam em mim se soubessem’”, lembra Dever. E lhes contou que ele era um calvinista. “E eu tive que explicar para eles o que isso significava. Eu não queria que minha família se mudasse para cá e eu acabasse perdendo o emprego”.

Dever, 53, disse que quando assumiu em 1994, cerca de 130 membros frequentavam aos domingos, e a idade média deles era entre os 70 anos. Hoje igreja recebe cerca de 1.000 fiéis, com uma idade média entre os 30 anos. E embora Dever tenda a não mencionar Calvino em seus sermões, seu educado público, muitos dos quais trabalham na política, sabe e gosta do que está ouvindo.

“Penso que é perceptível em seu ensino”, diz Sarah Rotman, 34, que trabalha para o World Bank. “O foco real é na Escritura, e que todas as respostas que buscamos nesta vida podem ser encontradas na palavra de Deus. Em muitas de suas pregações, ele realmente fala sobre nossa pecaminosidade e nossa necessidade do Salvador”.

Tal foco na pecaminosidade difere muito do evangelicalismo popular dos últimos anos. Ele corre na contramão dos pregadores do “evangelho da prosperidade”, que insinuam que a fé pode tornar uma pessoa rica. Ele não soa nada como as afirmações que apelam às emoções de pregadores e escritores como Joel Osteen, que tratam a Bíblia como um livro de autoajuda ou um guia para melhorar os negócios.

“O que você ouve em algumas megaigrejas é: ‘Deus quer que você seja um bom pai, e aqui há sete formas em que Deus pode lhe ajudar a ser um bom pai’”, diz Collin Hansen, autor de “Young, Restless, Reformed: A Journalist’s Journey With the New Calvinists” [“Jovens, Incansáveis, Reformados: A Jornada de um Jornalista com os Novos Calvinistas”]. “Ou: ‘Deus quer que você tenha um bom casamento, então aqui estão três maneiras de fazer isso’”. Em contraste, Hansen diz que aqueles que frequentam igrejas calvinistas querem que o pregador “fale sobre Jesus”.

Alguns não-calvinistas dizem que a ascensão do calvinismo foi alcançada, em parte, através de métodos sorrateiros. Roger E. Olson, um professor da Baylor University e autor de “Contra o Calvinismo” (Editora Reflexão), é o crítico mais franco do calvinismo.

“Uma das preocupações é que novos formandos de certos seminários batistas tenham se infiltrado em igrejas que não são calvinistas, e não contando às igrejas ou aos comitês de seleção, que não são calvinistas”, diz o professor Olson. De acordo com o que ele ouviu, jovens pregadores “esperam vários meses e depois começam encher a biblioteca da igreja com livros” de calvinistas como John Piper e Mark Driscoll. Eles criam turmas especiais com tópicos calvinistas, diz ele, e colocam na liderança da igreja aqueles que são calvinistas como eles.

“Frequentemente a igreja acaba se dividindo, com os não-calvinistas começando sua própria igreja”, diz o professor Olson.

Em sua reunião anual em junho, a Southern Baptist Convention recebeu um relatório de seu Comitê Consultivo de Calvinismo, que abordou acusações tanto de preconceito anticalvinista dentro da denominação quanto de má fé de calvinistas.

“Devemos esperar que todos os candidatos para posições ministeriais na igreja local sejam completamente sinceros dispostos quanto às questões da fé e da doutrina”, diz o relatório.

Embora muitos neocalvinistas mantenham-se longe da política, eles geralmente tomam posições conservadoras quanto às Escrituras e a questões sociais. Muitos não creem que as mulheres devam ser pastoras ou presbíteras. Mas Serene Jones, presidente do Union Theological Seminary, diz que a influência de Calvino não era limitada aos conservadores.

Cristãos liberais, incluindo alguns congregacionalistas e presbiterianos liberais, podem também assumir outros aspectos dos ensinos de Calvino, diz a Dra. Jones. Ela mencionou a crença de Calvino de que o “engajamento cívico é a principal forma de obediência a Deus”. Ela adiciona que, diferentemente de muitos conservadores de hoje, “Calvino não lia a Escritura literalmente”. Frequentemente Calvino “está citando-a incorretamente, e ele inventa passagens da Escritura que não existem”.

Brad Vermurlen, um aluno bacharel da Universidade Notre Dame escrevendo uma dissertação sobre os novos calvinistas, diz que a ascensão do calvinismo foi real, mas que a comoção deve diminuir.

“Dez anos atrás, todos falavam da ‘igreja emergente’”, diz Vermurlen. “E cinco anos atrás, as pessoas estavam falando da ‘igreja missional’. E agora do ‘novo calvinismo’. Eu não quero dizer que o novo calvinismo seja uma mania, mas me pergunto se é uma daquelas coisas que os evangélicos americanos querem falar a respeito por cinco anos, e depois continuar vivendo suas vidas e plantando suas igrejas. Ou é algo que veremos daqui a 10 ou 20 anos?”

Original: Evangelicals Find Themselves in the Midst of a Calvinist Revival – Mark Oppenheimer (The New York Times). Por Mark Oppenheimer. © 2014 The New York Times Company

Tradução: Alan Cristie – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br / www.VoltemosAoEvangelho.com. Original: Evangélicos Encontram-se no Meio de um Avivamento Calvinista – Mark Oppenheimer (The New York Times)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Contar o evangelho em um minuto ou menos. Como você faria isso? Com a Palavra, Mark Dever

Eis o que entendo a respeito destas boas novas: as boas novas são que o Deus único, que é santo, nos fez à sua imagem para que o conheçamos. No entanto, nós pecamos e nos separamos dele. Em seu grande amor, Deus se tornou homem em Jesus, viveu de modo perfeito e morreu na cruz, cumprindo ele mesmo a lei e tomando sobre si a punição pelos pecados de todos aqueles que se converteriam e creriam nele. Ele ressuscitou dos mortos, mostrando que Deus aceitou o sacrifício de Cristo e que a ira de Deus contra nós foi satisfeita. Ele agora nos chama a arrepender-nos de nossos pecados e crer somente em Cristo, a fim de obtermos perdão. Se nos arrependemos de nossos pecados e confiamos somente em Cristo, somos nascidos de novo para uma nova vida, uma vida eterna com Deus.
Ora, essas são as boas novas.

Trecho do livro O Evangelho e a Evangelização, publicado pela Editora Fiel, p.55

Presb. Cícero da Silva Pereira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

4 Razões Por Que Temos Medo


De que você tem medo? Por que você tem medo? Não sei do que você tem medo, mas é provável que isso esteja afetando você de formas visíveis e não visíveis. O medo é um câncer na sua vida. O medo em sua mente leva ao estresse no seu corpo.
Quando você tem medo, você pode ficar ansioso, estressado, ou perder o sono. Você pode desenvolver um tique nervoso no olho ou uma afta. Você pode ter problemas cardíacos ou estomacais. E, com esses sintomas, você pode começar a se automedicar com cafeína, comida, bebidas energéticas, jogos de azar, sexo, álcool, ou qualquer coisa que lhe traga um conforto momentâneo.

O Mandamento n.º 1 na Bíblia

Mais do que qualquer outro mandamento, a Bíblia diz: “Não temas.” Você vai encontrar esse mandamento na Escritura cerca de 150 vezes.
E quase toda ocasião de “não temas” por toda a Bíblia é acompanhada por algo importante que Deus quer nos dizer, não com um tom irado, mas de uma forma amorosa e convidativa.

Considere apenas os seguintes exemplos.

Adão, em Gênesis 3, diz: “Eu tive medo”. E então o que acontece? Deus vem para estar com ele em seu medo.
Em Gênesis 15.1, Deus diz a Abraão: “Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo”. Deus está dizendo que o protegerá.
Nós lemos sobre Isaque em Gênesis 26.24. Deus diz: “Eu sou o Deus de Abraão, teu pai. Não temas, porque eu sou contigo”.
Deus diz a Jacó em Gênesis 28.15: “Eis que eu estou contigo”.
Moisés estava com medo em Êxodo 33.14, e Deus diz: “A minha presença irá contigo”.
Elias está em um campo de batalha, um momento óbvio para se ter medo. Deus diz a ele em 2Reis 1.15: “Não temas”.
Davi expressa isso muito bem no Salmo 23.4: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”.
Nós lemos em 2Crônicas 20.17 que ele diz ao Rei Josafá, na véspera da batalha: “Não temais, nem vos assusteis; amanhã, saí-lhes ao encontro, porque o SENHOR é convosco”.
Em Isaías 41.14 nós lemos: “Não temas, ó vermezinho de Jacó”. Como você sabe, vermes não são predadores; eles nem mesmo defendem a si mesmos. Porque Jacó, o verme, não precisa ter medo? Porque o Senhor Deus declara: “Eu te ajudo”.
Jeremias teve uma vida dura como profeta, mas Deus declara a ele em Jeremias 1.8: “Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar”.

Porque Temos Medo

Apesar dessa esmagadora evidência bíblica de que não devemos temer, mas sim confiar em Deus, nós freqüentemente nos tornamos presas do medo. Por quê?
Aqui estão quatro razões pelas quais eu acredito que temos medo.

1. Nós Não Acreditamos na Soberania de Deus

O medo em nossa vida nem sempre é racional. Na maioria das vezes, o medo é baseado naquilo que pode ou não pode acontecer. Dessa forma, o medo lhe dá a impressão de que você vê e sabe tudo. Você cria em si mesmo a imagem de um deus funcional. É Deus que é soberano, não você. Pare de temer aquilo que você não sabe e comece a confiar naquele que tudo sabe.

2. Nós Criamos Nossa Própria Visão Em Vez de Buscar a Visão de Deus

Quando ficamos paralisados pelo medo do futuro, nós estamos basicamente vendo o futuro sem Deus. Nós dizemos algo como: “Eu vejo o futuro. Deus não está nele. Deus não vai ser por mim. Deus não vai me ajudar”. Mas isso é o contrário das palavras do próprio Deus, que diz depois em Jeremias: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.

3. Nós Frequentemente Somos Falsos Profetas

Ser um falso profeta é prever o futuro incorretamente. O medo em nossas vidas pode nos transformar em falsos profetas, predizendo coisas que talvez não – e muito provavelmente não – venham a acontecer. Isso muitas vezes não apenas afeta a nós mesmos, mas a outras pessoas em nossa vida as quais influenciamos. Em vez de especular sobre um futuro desconhecido, nós devemos descansar nas palavras de Jesus em Lucas 12.22-31:
Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes. [...] Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? [...] Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas. Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.

4. Nós Seguimos Falsos Evangelhos

Quando nós temos medo, nós denunciamos a confiança e o conforto que temos nas coisas em vez de em Jesus. Nós tentamos controlar nossas vidas. Nós nos agarramos ao dinheiro. Nós nos afastamos da comunhão. Nós nos rebelamos contra a autoridade. Nós pecamos. Nós nos automedicamos. Nós justificamos a nós mesmos. Transformamos Jesus em um terapeuta. Nós fazemos todas essas coisas para viver em uma visão do paraíso antes da ressurreição, criada em nossa própria imaginação.
Esse é um falso evangelho.

Uma Palavra Final

O que está impedindo você de obedecer a Jesus?
O que quer que esteja impedindo você, provavelmente a raiz está no medo, e é por isso que Deus precisa nos dizer tanto para não temermos. Saiba que Deus vem a você e diz: “Não temas. Eu sou contigo”. Em suas palavras finais aos seus discípulos em Mateus 28.20, Jesus diz: “Estou convosco todos os dias, até a consumação do século”.
Não tenha medo. Pela graça de Deus, persevere em Jesus, adore a Jesus, sirva a igreja, e dê à igreja.
Por Mark Driscoll © 2012 Mark Driscoll. Website: www.pastormark.tv. Original: 4 Reasons Why We Fear
Tradução: Voltemos ao Evangelho. Website: www.oltemosaoevangelho.com. Original:  Mark Driscoll – 4 Razões Porque Temos Medo

Intercâmbio feito por Rafaelle Amado 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

“Foi Deus quem me disse” e a Suficiência da Escritura


Eu fiquei perplexo (o que não acontece muitas vezes). Certo homem me disse que seu supervisor havia designado a ele a tarefa de elaborar um plano para a plantação de uma nova igreja, e que quando ele orou sobre isso, Deus o instruiu para usar as palavras de Cristo. Deixe-me esclarecer. Ele contou que Deus ordenara que em seu planejamento para essa nova igreja, ele deveria consultar, refletir e citar apenas palavras que Jesus havia dito.
Esse homem era um empregado de tempo integral em uma organização cristã. Era evidentemente cristão. Além disso, ao contrário de outros empregados dessa organização, tinha um mestrado em teologia. Obtido em um seminário evangélico. Lá ele foi, como nós imaginamos, treinado cuidadosamente sobre a Bíblia e sobre teologia. Também devemos imaginar que ele trabalhou de alguma forma liderando uma igreja local, já que agora ocupava uma posição de muita responsabilidade. Foi essa pessoa que estava diante de mim e me disse com sincera piedade e sinceridade verdadeira que Deus o ordenou a consultar apenas as palavras de Cristo quando estivesse planejando uma nova igreja.
Se você já foi ao circo e viu aquela típica entrada dos palhaços, em que um carro minúsculo surge no meio do palco, e de dentro dele sai uma porção de palhaços que logo se espalham pelo meio da platéia causando risadas e até alguns sustos, você tem alguma idéia do que aconteceu na minha cabeça quando eu ouvi isso. Mas sem a parte engraçada. “Jesus mencionou a igreja explicitamente apenas duas vezes!”, pensei. “Há mais de 20 outros livros no Novo Testamento que são cartas com instruções a igrejas!”, pensei. “Quem foi que te deu tanta responsabilidade?”, pensei. “O que foi que te ensinaram no seminário?”, pensei. “Como foi que Deus te disse isso?”, pensei. “O que mais ‘Ele’ falou?”, pensei.
E tinha mais. Eu não disse nada, em parte pela surpresa, em parte pelo medo do que eu pudesse dizer. Após algumas perguntas respondidas com grunhidos, decidi dizer alguma coisa simples sobre como havia outros livros do Novo Testamento que o Espírito de Cristo inspirou particularmente para direcionar igrejas, e que eu esperava que ele também levasse em conta, e logo dei um jeito de sair dali. Espero que minha surpresa diante disso tudo não tenha ficado muito evidente.
Situações como essa – e muitas outras – que aconteceram nos últimos anos que me encorajou a refletir sobre a importância da doutrina da suficiência da Escritura. Essa doutrina foi um dos pontos fundamentais da Reforma Protestante. Uma das maiores disputas entre Roma e os Reformadores era se Deus havia de fato prometido que continuaria provendo instruções inspiradas e inerrantes através de Pedro e seus sucessores. Roma afirmava que era isso que Jesus havia ensinado em Mateus 16. Os reformadores negavam isso, dizendo que, pelo contrário, a Escritura por si só era suficiente para instrução, mediante a iluminação de nossas mentes pelo Espírito Santo. Eles ensinaram que as Escrituras são claras e suficientes. Questões importantes seriam claras ao entendimento, não obscuras. E as Escrituras, se vistas como um todo, seriam suficientes para nossa necessidade de orientação divina. Existem muitas outras questões relacionadas a isso, mas o que devemos levar em conta aqui é simplesmente que as Escrituras são suficientes.
Enquanto o protestantismo Evangélico como um todo continuou a ensinar assim – margeado pela declaração de autoridade da igreja de Roma e a tradição pela direita, e declarações subjetivas de autoridade da “luz interior” de cada um pelos Quakers pela esquerda – surgiu outro pensamento em meio ao evangelicalismo.  Mais em nossa vida prática do que na teologia escrita, surgiu a idéia de que a Palavra escrita de Deus deve se tornar a Palavra de Deus a nós pessoalmente por meio de algum tipo de poderoso encontro com ela ou com seu significado. Isso não acontece em meio à leitura de textos sobre divindade, como muitos teólogos Neo-Ortodoxos como Karl Barth imaginavam, mas prática comum e corriqueira. Lembro-me de outro amigo que participou de um grupo evangélico de estudantes, onde ficaram por duas horas cantando, orando sinceramente e clamando que Deus falasse com eles, enquanto por todo esse tempo suas Bíblias ficaram fechadas em seus assentos. Esse é o problema que a prática do “Deus me disse” com a suficiência da Escritura. E se nossos pastores e líderes não entendem que a Escritura é suficiente, não devemos nos surpreender os membros de nossas igrejas, em uma sincera busca pela verdade, forem até Roma, de um lado, ou ao subjetivismo liberal, do outro, buscando algum tipo de autoridade que seja suficiente. Os Mórmons, em particular, se aproveitam da fraqueza dos evangélicos nesse ponto de terem pouca instrução a respeito da suficiência da Escritura.
Essa questão é vital para nós pastores, particularmente se formos pastores que valorizam a centralidade da exposição bíblica em nosso ministério. Um entendimento da suficiência da Escritura é o contexto em que afirmamos, mantemos e praticamos a centralidade da Escritura na vida da igreja.
Vinte anos atrás, em meio à enxurrada de escritos sobre a inerrância da Escritura, pouco foi escrito sobre a suficiência da Escritura. Ela apareceu em escritos sobre a visão dos Reformados sobre a Escritura. Então você podia ler um grande artigo de R. C. Sproul, “Sola Scriptura: Crucial ao Evangelicalismo”, no livro Os Fundamentos da Autoridade Bíblica, editado por James Montgomery Boice. Mais recentemente, Wayne Grudem escreveu um capítulo muito bom sobre a suficiência da Escritura em sua Teologia Sistemática. As últimas páginas são dedicadas às aplicações práticas da doutrina, e há muita sabedoria nelas. Ele afirma claramente que “quando estamos enfrentando problemas de genuína importância em nossa vida cristã, devemos buscar a Escritura com a confiança que Deus nos proverá orientação através dela para o nosso problema”.
Se vamos nos comprometer com o pastoreio das ovelhas, levando-as à Palavra de Deus, devemos estar aptos a responder o que significa a suficiência das Escrituras. Devemos saber, considerar, explicar e ensinar que as Escrituras são suficientes. Eu sei que elas são. Deus me disse:
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra. (2 Timóteo 3.16-17)
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo
Mark Dever
Texto publicado originalmente em: http://iprodigo.com/traducoes/%E2%80%9Cfoi-deus-quem-me-disse%E2%80%9D-e-a-suficiencia-da-escritura.html
Intercâmbio feito por Walber Arruda

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Como a igreja torna conhecida a multiforme sabedoria de Deus? Com a palavra, Mark Dever

"Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,   segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Ef 3.10-11)


Somente um Deus onisciente poderia idealizar uma maneira de reconciliar seu amor com sua justiça e, ao mesmo tempo, salvar um povo pecaminoso, que estava alienado dEle e uns dos outros. E somente um Deus onisciente poderia criar uma maneira de tornar nosso coração de pedra em coração de carne, para amá-lo e louvá-lo. Que os poderes cósmicos, em todo o universo, vejam e se admirem.


Trecho do Livro "O que é uma igreja saudável" (p. 42), do Rev. Mark Dever, publicado pela Editora Fiel.