Mostrando postagens com marcador Comunhão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comunhão. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de setembro de 2014

O que Significa a Expressão "Meios de Graça"? Com a Palavra Earl Blackburn

O Dicionário Aurélio define a palavra meio como recurso empregado para alcançar um objetivo. Por conseguinte, os meios da graça são os instrumentos pelos quais Deus transmite bênçãos ao seu povo. O Catecismo de Westminster define a expressão meios da graça como os recursos visíveis e comuns pelos quais Cristo transmite à sua igreja os benefícios de sua mediação [ou seja, de sua morte].

Ilustrando isso, pense em uma mangueira de jardim. A mangueira não é especial em si mesma, porém é o canal pelo qual flui a água que produz vida e refresca. O mesmo acontece com os meios da graça. Em si mesmos, eles nada possuem de especial, mas são os instrumentos ou os canais pelos quais fluem as bênçãos divinas que outorgam vida e refrigeram a alma. Através dos meios da graça, Deus concede força, paz, conforto, instrução, disciplina, orientação, alegria e muitas outras coisas necessárias à vida cristã.

Ainda que a expressão meios da graça não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado. Há dois tipos de meios da graça: os particulares e os públicos. [...]

Quais os meios particulares da graça?

1. O primeiro destes é a leitura da Palavra de Deus
2. O segundo meio particular da graça é a oração.
3. O terceiro meio particular da graça é a meditação

Quais os meios públicos da graça?

1. Reunir-se para adoração é o primeiro destes meios.
2. O segundo meio público da graça são as ordenanças do evangelho (batismo e santa ceia)
3. Comunhão com irmãos e irmãs em Cristo é o terceiro meio público da graça
4. O quarto meio público da graça é a oração coletiva.

[...]Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (cf. Dt 10.13). Ele não os deu a fim de colocar seus filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar, fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa vida cristã diária, em um mundo de atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na igreja local pertencente ao Senhor Jesus Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida cristã. Utilizar estes meios designados por Deus redundará em glória para Ele, expansão de seu reino e nos proporcionará retidão, paz e alegria.

Rodrigo Ribeiro
Extraído da Revista Fé para hoje n° 3, 1999.
Para ler o artigo completo esta revista está disponível para download gratuitamente no site do ministério Fiel.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A Igreja é a sua Cara

Muitos criticam a igreja local, o ambiente onde os cristãos se reúnem. E falam bem da Igreja invisível. Contudo, ninguém vê a igreja invisível, e dela fazem parte pessoas visíveis. Jesus nunca disse para não congregarmos, antes nos alertou que teríamos na igreja visível tanto ovelhas como bodes. Tanto joio como trigo. E não caberia a nós separar. O que muitos fazem é apontar os defeitos da igreja local. Contudo, todos temos defeitos.
Uma igreja com a nossa cara será totalmente imperfeita. O problema está quando olhamos para as pessoas imperfeitas ao nosso redor sem ter graça e misericórdia. Então condenamos. Criticamos. Nos afastamos. A igreja, por mais pecadora que seja, é o melhor lugar do mundo. É o lugar onde, apesar de ter joio e trigo juntos, apesar da falta de misericórdia e graça muitas vezes, lá é o lugar onde também poderemos encontrar graça e misericórdia. Onde também encontraremos pessoas tentando ser parecidas com Jesus e aprender com elas. Aprenderemos até com aqueles que não se parecem com Jesus. Aprenderemos a amar, exercitar a paciência, ter coração para com a miséria.
Não busque se afastar das pessoas. Busque estar junto com pecadores que querem ser parecidos com Jesus. Você é igreja. E a igreja é a sua cara. Hoje ela é julgadora, egoísta e prepotente? Talvez seja porque nós somos assim. Graças a Deus porque Ele nos transforma. Eu constantemente me vejo egoísta, julgador e prepotente. E constantemente preciso dobrar meus joelhos e pedir misericórdia. A igreja local é o melhor lugar do mundo onde você pode dedicar sua vida.

Daniel Vasconcelos
Publicado em: http://www.somenteagraca.com/2014/01/a-igreja-e-a-sua-cara.html/

Intercâmbio feito por Jhonatas Araújo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

8 Características da Santificação

Uma das coisas que eu mais gostava no meu trabalho anterior era a ligação direta entre o quão duro eu trabalhei e os resultados que eu vi depois. Se eu apenas abaixei minha cabeça e persisti duro eu poderia chegar onde eu queria. Era um papel independente e eu gostava do fato de que minha produção repousava sobre os ombros de ninguém, mas nos meus próprios.
Grande parte da minha frustração em crescer como um cristão é porque a santificação não é exatamente como o meu trabalho. Sim, o meu esforço afeta o meu crescimento, mas não posso simplesmente produzir o resultado desejado do meu desempenho sozinho. Estou aprendendo que, embora eu certamente possa desempenhar um papel na minha maturidade, eu não posso simplesmente fazê-lo através do trabalho duro. Isto não só mudou minha formação espiritual, mas muda a forma como eu encorajo outros crentes. Quando um irmão vem me compartilhar uma luta contra o pecado eu percebo que eu não posso simplesmente levá-lo para o tapete para não trabalhar duro o suficiente, mas eu tenho que levá-lo para a cruz para descansar na obra de Cristo por ele. Acho que muitos cristãos estão genuinamente desejando crescer, mas eles acabam levantando suas mãos em desânimo, dizendo: "Estou tentando, mas as coisas não parecem mudar." Eu acho que como os crentes cansados​​, podemos nos sentir frustrados ao nos sentirmos livre quando nós tomamos o jugo próprio em nossas próprias costas, coloque-o em Jesus.

O Evangelho centrado na santificação tornando-se (crescente) a ser (identidade), fazendo realizações e provisão para nós, sendo o catalisador da nossa vida de Cristo. Aqui estão oito características de santificação centrada no Evangelho que enquadra a nossa teologia da doutrina e ao mesmo tempo dirige a nossa prática.

1.    NOVAS, NÃO CONSELHOS

“mas a palavra do Senhor permanece para sempre". Essa é a palavra que foi anunciada a vocês.." “(1 Pedro 1.25)

O evangelho é antes de tudo um anúncio. Ele é uma notícia sobre os acontecimentos históricos relacionados com a vida, morte e ressurreição do Deus-homem Jesus. E é uma boa notícia, porque os eventos têm significado pessoal; eles vêm para nós para que possamos ser resgatados do nosso pecado e reconciliados com Deus. Eu faço aos meus irmãos e irmãs em Cristo bem quando eu recorro a oferecer sábios conselhos, dando opiniões, ou deixando de lado as últimas máximas espirituais.

Para o Evangelho permanecer no centro, devemos lembrar regularmente uns aos outros as boas novas de Jesus Cristo. Nós recontar este feito, o objetivo, a notícia histórica e descompactar as aplicações intermináveis ​​jorrando disso. Se a maioria das minhas conversas soar como "você deve tentar fazer isto ou aquilo" em vez de "Jesus já fez isso por você", então eu estou indo para o mar tempestuoso de conselho e de opinião.

"Aconselhamento muitas vezes se disfarça como o Evangelho. Mensagens cheias de conselhos para ajudar as pessoas a melhorar suas vidas ou virar uma nova folha estão em contradição com a natureza do Evangelho – Veja também: 1 Coríntios. 15.1-8; Efésios 1.13-14 e Atos 15.6.

2. ARREPENDIMENTO, não resolve

"Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz." (Tiago 5.16)

O evangelho nos agarra e nos sacode de volta para a realidade que rapidamente é esquecida: o pecado é um grande negócio e nossos corações estão cheios dele. Evito pensar em mim mesmo ou meu pecado nestes termos fortes. Tenho notado que, em vez de confessar meu pecado, eu me contento em rezar para que eu consiga "fazer melhor." Em vez de ver a minha língua de corte como o pecado exigindo humilde arrependimento eu poderia piamente dizer: "Eu não fiz um bom trabalho no minha discurso esta semana e eu preciso ter uma prioridade mais alta para fazer. "Através da minha linguagem de " tentar ser mais difícil "ou" ser mais disciplinado " eu crio a miragem de ser uma boa pessoa. Tudo o que eu preciso, eu digo a mim mesmo, para cavar mais fundo em meus reservatórios internos de força e bondade. Na realidade, eu preciso de mais dependência em Deus e auto-humilhação e menos determinação auto-suficiente e ignorância a Deus.

"Na confissão, tornamo-nos autenticamente cristão, concordando com Deus sobre o nosso pecado, merecendo julgamento e confiando na sua Graça que perdoa o pecado. Voltamos à realidade da Graça, em Cristo, que por sua vez reivindica a obediência real". Veja também: 1 João 1.8-9; Ps. 32:5, 2 Coríntios 7.10 e Apocalipse 2.5.

3. Necessitados, não auto-suficientes

"Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes" (Tiago 4.6)

Uma vez que nos voltamos para o arrependimento do pecado em vez de melhorar os nossos pontos fracos, torna-se claro que não podemos sair do problema que nos metemos. Não só precisamos de mais disciplina. O problema principal não é que eu não estou dando-lhe tudo o que tenho ou tentando com vigor pouco suficiente. O evangelho nos liberta, permitindo que Deus esteja no comando da minha santificação. Quando eu parar de confiar em mim e nos meus recursos e passar a ter confiança em Deus, eu verei Ele possui o poder que eu precisava o tempo todo.

Deus promete ajuda aos humildes, mas deixa o auto-suficiente para os seus próprios recursos. Minha geração ri quando Stuart Smalley (artista de humor) se levantou, olhando para o espelho e disse: "Eu sou bom o suficiente. Eu sou forte o suficiente. "Infelizmente, não conseguimos ver que esse tipo de pensamento tinha nos evidenciado em como vivemos nossas vidas.

"Este hematomas nos faz estabelecer um preço alto a Cristo. Então o evangelho torna-se o evangelho de fato, em seguida, as folhas de figueira de moralidade nos fará nenhum bom. “ Veja também: Romanos 8.9-11, 13; Filipenses 2.12-13; Efésios 3.16, Gálatas 5.16-17, 25 e Colossenses 2.20-23.

4. TRANSFORMAÇÃO DE CORAÇÃO, NÃO modificação de comportamento

"Porei minhas leis em suas mentes, e gravá-los em seus corações." (Hb 8.10)

A visão bíblica da santificação exige uma verdadeira mudança de coração, a fim de ter os efeitos a longo prazo de refletir Cristo (fruto). Coração transformação leva tempo e trabalho. Por a maioria das pessoas "não ter tempo" e não gostar de trabalho, tentamos encurtar este processo, simplesmente alterando alguns comportamentos. Uma vez que a pessoa não realmente mudou - incluindo suas motivações e desejos - uma solução míope na melhor das hipóteses.

Se os outros são menos ofendidos com minhas palavras, então eu suponho que já corrigi o problema. Apesar da melhor versão de mim do lado de fora, o coração permanece inalterado. Podemos saber isso cognitivamente, mas pensar em como muitas vezes quando alguém compartilha uma luta contra o pecado, a primeira coisa que eles dizem é como trabalhar sobre o comportamento. Estas podem ser estratégias úteis, mas não são soluções. Cuidados com a raiz o e fruto acabará por amadurecer.

"É muito fácil transformar o combate da fé em lista de verificar a santificação. Cuide de alguns maus hábitos, desenvolva um par de bons, e você está pronto. Uma lista moral não leva em consideração os ídolos dos corações. Pode até não ter o Evangelho como parte da equação." Veja também: Mateus 15.19-20; 23.25-28, Lucas 6.43-45 e 2 Coríntios 3.3.

5. Liberdade em Cristo, não escravidão A LEI

"Para a liberdade Cristo nos libertou; Firmes, portanto, e não se submeter novamente a um jugo de escravidão" (Gálatas 5.1)

A promessa do evangelho é que no momento que temos fé a nossa condenação é removida e somos declarados justos, com os resultados de plena aceitação e amor paternal. Corações mudados por causa da Graça é dado uma motivação mais forte do que uma pessoa que se esforça para merecer o favor de Deus por meio de obras. A Graça nos motiva em alegria por causa de uma redenção merecida e agora podemos viver em gratidão e amor por Cristo. Procuramos crescer em santificação, não para receber favor, mas como resultado de se deleitar em tal favor. Isso não elimina o papel da lei por completo, mas muda nossa relação com ela.

A diferença entre santificação centrada no evangelho e suas falsificações com base no desempenho é que os avisos sinceros de obediência geram gratidão e o resto provoca somente o cumprimento externo de culpa. O fruto do Espírito não são o que nós trazemos a Deus para aprovação. Eles são o resultado de andar na liberdade que Cristo traz para nós, livres do poder escravizante da lei.

"Mesmo o cristão que busca sempre obediência pode perder esta transformando vista desse ponto. Eu posso olhar exteriormente muito diligente na fé e ser obediente em boas obras, boas palavras e boas maneiras, mas se por dentro é tudo o resultado de uma insegurança sobre a minha posição perante Deus, o trabalho mais difícil que eu possa reunir será um tanto sem valor. A busca somente pelo desempenho simplesmente leva à exaustão".  Veja também: Romanos 5.1, 8.1, 15-16 e Gálatas 5.14-16.

6. Sob o domínio de Cristo, e não fora dele

"Ele nos libertou formar domínio das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado." (Colossenses 1.13)

No evangelho, Deus amontoa uma boa notícia em cima de uma boa notícia. Nós não só estamos libertos da escravidão do pecado e de Satanás, mas também estamos redimidos para o reino do Filho. Nós recebemos a orientação, proteção e presença do todo-poderoso rei. Imagine se Deus tivesse libertado Israel em Êxodo - pessoas que tinham sido escravos todas as suas vidas - e, em seguida, deixou-os no deserto. Faltava-lhes sabedoria, entendimento da justiça, e do conhecimento de como viver de forma consistente com o porque eles foram criados. Felizmente, para Israel após o êxodo e para os cristãos, depois de redenção em Cristo, Deus não nos deixará como refugiados, mas faz-nos cidadãos de pleno direito.

Quando eu vejo a santificação através de lentes centradas no Evangelho, vivendo sob o governo e reinado de Jesus, não roubam minha alegria, mas maximizam-na. O conceito bíblico do reino une Evangelho e a lei. A lei de Deus para aqueles que já estão no reino não é um critério para a cidadania. Em vez disso, ela é tanto uma demonstração de seu cuidado e de Graça, uma vez que é a sua autoridade. No reino de Cristo, as suas leis são para não ser odiado, mas para ser amado, e sua regra não é terrível, mas maravilhosa.

"O evangelho do reino é o anúncio de que a vida com Deus, sob o governo de Deus, faz-se imediatamente disponível para nós através de Jesus, nosso Rei. Ele chega como aquele que restaura as regras, e permite o acesso ao reino de Deus ". Veja também: Romanos 6.6-7, 22; 1 Coríntios 6.20,  Exôdo 20.1-2 e Mateus 13.44-45.

7. Em comunidade, e não o isolamento

"E vamos considerar como agitar um ao outro ao amor e às boas obras." (Hebreus 10.24)

Muitas das frustrações e carências na vida cristã ocorre a partir da tentativa de  treinar uma equipe de esporte em nosso próprio país. O garoto jogando basquete sozinho em sua garagem nunca se torna grande sem treinamento instrucional, as forças complementares de seus companheiros de equipe, e a nitidez de habilidades que somente outras pessoas vêem. Quando começamos a pensar que somos fortes o suficiente e bom o suficiente por conta própria acreditamos em mentiras auto-suficientes que se opõem a um Evangelho de necessidade. Se você não estiver em uma comunidade bíblica focada em Jesus e ancorada na autoridade da Palavra, quem vai fazer confrontamento difíceis, quando você escolher o pecado ou partilhar as suas alegrias ,quando Deus é fiel? Quem falará o Evangelho da Graça, quando você acha que já estragou tudo? Quem vai orar com você quando você se sentir sozinho ou abalado em sua fé?

Santificação dentro da comunidade é uma via de mão dupla. Deus nos amadurece como os outros nos amam em palavras e atos , mas também nos fortalece , esticando -nos a partilhar a nossa fé , servir com nossos dons , e entrar em relacionamentos bagunçados, quando a maioria serão assim, é claro. Estar conectado a uma igreja e comprometendo-se a crescer em maturidade ao lado de outros não é uma opção. Santificação centrada no Evangelho só acontece quando você humildemente receber o Evangelho e os dons dos outros crentes que vêem para você, em seguida, obstinadamente comprometer a fazer o mesmo por eles em troca.

"Estamos a ser santificado pela vida, vivendo juntos, estamos honrando a Deus e sendo marcados pelo crescimento e maturação. Bonhoeffer ancora o objetivo da comunidade cristã... ‘Uma comunidade que dá vida é aquela que está sendo continuamente transformada pelo Evangelho como um povo’. Veja também:  Hebreus 10.24-25; 1 Tessalonicenses  5.11, Colossenses 3.16; 1 Coríntios  12.25 e Gálatas 6.1-3.

8. PROGRESSÃO, não a perfeição

"Mas uma coisa eu faço: Esquecendo o que fica para trás e avançando para as que estão adiante" (Filipenses 3.13)

Infelizmente, muitas vezes falamos de uma maneira que promove a mal entendido sobre o que a vida cristã realmente é. Nossa fala pode fazer soar como a vida do cristão deve ser caracterizada por completa vitória sobre o pecado, em vez de contínuo arrependimento do pecado. Martin Luther fornece um bom contrapeso em uma Tese de suas famosas 95 teses: "Quando nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse:" Arrependei-vos ", ele pretende que toda a vida dos fiéis fosse penitência ". Nesta vida, permaneceremos sempre simultaneamente pecadores e santos, pessoas que foram justificadas mas que ainda permanecem incomodadas pelo pecado interior.

Os puritanos retrataram esta perseverança ao longo da vida em seu retrato do cristão carregando um peso nas costas, mas com a Palavra em sua mão em sua peregrinação para a cidade celestial. Nós nunca chegaremos a perfeição nesta vida, devemos diariamente trazer nossos pecados diante de Deus e receber a graça fresca de sua mão. Nós não devemos só confessar os nossos pecados, mas nós devemos olhar pela fé em Cristo para encontrar a garantia de nosso perdão e a ajuda a mudar. É por isso que muitas liturgias da igreja incluem a confissão do pecado e da garantia de perdão, modelando o ritmo de nossas próprias vidas. Tão certo como o sol surge depois da noite assim também nós acordamos diariamente na necessidade da Graça que perdoa e graça de perseverar.


"Esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça, a saúde, mas não cura, não sendo, mas tornando-se, não descansar, mas o exercício. Nós não somos ainda o que havemos de ser, mas estamos crescendo em direção a ela. O processo não está terminado, mas está acontecendo. Este não é o fim, mas é a estrada. Todos os que ainda não brilham em glória, mas tudo está sendo purificado". Veja também: Filipenses 3.12-14, 20-21; 1 Tessalonicenses  5.23  e 1 Pedro 5.10.

Dustin Crowe

Traduzido e Editado por: LARYSSA LOBO


Publicação Original: http://gcdiscipleship.com/8-characteristics-sanctification/

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Decepcionados com a Igreja

Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hb 10:25)

Tem sido cada vez mais crescente o número de crentes que tem desistido da Igreja. As causas são as mais diversas possíveis, mas desejo nesse texto apontar alguns motivos mais voltados para fatores relacionais, pois tenho observado que boa parte desta debandagem tem sido ocasionada por decepções, desavenças, brigas por poder, etc.  Por isso não são poucos aqueles abandonam as Congregações tentando cultivar sua fé em Cristo, mas, bem longe de qualquer denominação. Eles estão com suas almas gravemente feridas, estão decepcionadas com a Igreja e não toleram mais as muitas imperfeições do “povo” de Deus.
Se fossemos citar todos os problemas das comunidades evangélicas certamente teríamos que escrever um livro com centenas de páginas e tenho dúvidas se o compendio seria suficiente para abarcar todos as deficiências, tantas que são. Parte dos Evangelhos, das Cartas Paulinas, das Epístolas Gerais e até alguns capítulos do livro de Apocalipse se dedicam em apontar, exortar e tratar dos muitos pecados existentes na religião judaico-cristã. O que esperar então da Igreja atual, senão, que também continue a enfrentar as mesmas dificuldades.
Mas porque tantos tem se afastado das comunidades evangélicas? Pontuo algumas razões:
Falsa visão da Igreja. Muitos imaginam que a Igreja é um lugar composto só de pessoas redimidas, o que está longe de ser verdade. Ímpios podem estar infiltrados nos corais, nos departamentos, e até nos púlpitos (1 Jo 2:19; Mt 7:15;). Estamos em convívio constante com não-regenerados que dividem espaço do mesmo banco conosco. Eles são instrumentos de tropeço para atrapalhar os Filhos de Deus (Gl 2:4). Os filhos do Diabo também costumam frequentar a Igreja de Deus na terra. Só que eles usam disfarces quase perfeitos. Suas roupas de ovelhas só não são capazes de enganar o Supremo Pastor que conhece bem cada um de seus cordeirinhos. Já nós, não somos tão perspicazes. É preciso lembrar de que o joio e o trigo estão juntos na mesma plantação e só serão separados na colheita (Mt 13:24-30).
Critérios exagerados de perfeição: Há muitos santos na Igreja do Senhor (graças a Deus!), mas cada um deles se encontra em estágios diferenciados de santificação. Falamos da santificação progressiva, assim como define alguns teólogos, como processo de crescimento espiritual do crente, ainda incompleto. Mesmo para estes santos em aperfeiçoamento há a possibilidade de tropeços desintencionais. Deslizes que todos os fiéis estão sujeitos a passar por mais vigilantes que sejam. Até o irmão mais piedoso de nossa congregação pode nos entristecer com alguma falta. Quando nossos critérios são exagerados idealizamos o ser perfeito, corremos o grande risco da desilusão. É que este é um critério muito pesado para pessoas imperfeitas como nós. Todo e qualquer lugar onde houver gente, mesmo que esta gente seja eleita, ali também existirá toda sorte de problemas.
Intolerância com as diferenças: Nada pode amadurecer mais um crente do que o convívio duradouro com a Igreja. Pois é através deste relacionamento intenso que descobrimos os defeitos e as diferentes personalidades uns dos outros à medida que somos desafiados a compreender, tolerar e perdoar. Deus permite que em nosso meio haja discordâncias e decepções para que sejamos aperfeiçoados na comunhão. Os primeiros líderes cristãos enfrentaram desacordos entre si, no entanto isto não provocou intrigas, nem ressentimentos duradouros (At 15.39; 1 Co 9:6; Cl 4:10; Fm 24; 2 Tm 4:11; Gl 2:14). Se desejamos viver longos anos e até uma vida inteira dentro de uma Congregação, temos alto preço a pagar: A renúncia do nosso orgulho e a liberação de perdão. Deve ser por isso que a Bíblia trata tanto sobre estes assuntos. Pena que alguns ao se depararem com tal situação preferem abandonar o barco, a saída de emergência sempre parece o caminho mais fácil. Temos que aprender a lidar de forma madura com as diferenças, entendendo que temos nossas opiniões e preferências e isto não é motivo de nos afastarmos, mas com mansidão e espiritualidade resolvermos nossos conflitos.

Elevada Autoestima Espiritual: Geralmente somos tentados a nos julgarmos mais santos do que os outros. Elevando assim o critério com o qual julgamos os demais. E isto nos expõe um terrível erro: não enxergarmos nossos defeitos e só observamos os defeitos dos irmãos (Mt 7.3). É provável que uma pessoa pouco tolerante com outras, se torne muito tolerante com ela mesmo. Não é correto hiperdimensionar os defeitos alheios e minimizar os nossos. Sem contar que crentes com espiritualidade autoestimada custam a reconhecer suas fraquezas e se mostram resistentes quando repreendidas e confrontadas com seus defeitos. Preferem deixar de congregar ao ter que humildemente reconhecer que também são pecadoras, sujeitas a tropeços. Sentem-se santas demais para viverem com pobres pecadores. Quanto a isto Salomão nos traz um alerta solene: Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo? (Ec 7:16). E Paulo Completa: Por isso, pela graça que me foi dada digo a todos vocês: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; (Rm 12.3ª; ver 1Tm 1:15). Irmãos que agem desta forma carregam uma falsa imagem deles mesmos e dificilmente se tornam suficientemente humildes para também reconhecerem que não são imperfeitos.
Escândalos no meio do Povo: Este me parece ser o principal motivo porque muitos crentes desistem de congregar. Poucas coisas nos desapontam mais do que ver escândalos na Igreja: desvio de conduta moral, finanças obscuras, brigas por poder... Situações semelhantes a estas vem sendo cada vez mais frequentes, principalmente com líderes. Mas será que deveríamos ser pegos de surpreso com tais notícias?! Não. A Palavra de Deus nos mostra que eles iriam ocorrer. O Senhor Jesus alertou quanto aos escândalos no meio de Seu povo: “E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos”, mas prometeu punir os responsáveis: ”mas ai daquele por quem vierem! (Lc 17:1)”. Sabedor dos danos causados pelos escândalos, o Senhor já nos deixou o alerta. Devemos nos resguardar na confiança em Deus que é Justo Juiz e Senhor de Sua Igreja. Todos aqueles que envergonham o Evangelho haverão de prestar contas diante de dEle. Quem deve se afastar da Igreja são os escandalizadores (Mt 18:17; Rm 16:17), mas por vezes ocorre o contrário, os fiéis se afastam. 
Desejo fazer uma última consideração. Creio que até podemos ter motivos legítimos para abandonar a Igreja, como estes citados acima, mas em nenhum lugar na Bíblia encontramos conselhos para que os crentes se afastem. Pelo contrário, a Palavra sempre nos encoraja a continuarmos congregando, admoestando os irmãos e desfrutando de comunhão com os santos (Sl 133:1; Rm 15:14; Hb 10:25; Jd 1.3; Tg 5:16). Busquemos ao Senhor da Igreja, pois só ele pode nos sustentar, animar e nos fortalecer. Lembre-se que você faz parte de um corpo (Ef. 3:6; 1 Co 12:12) e não pode sobreviver sem ele, seu lugar é a Igreja do Senhor. Que mesmo imperfeita o Senhor pagou alto preço para que ela viva unida, assim como a perfeita unidade entre o Pai e o Filho (Jo 17:11).
Se você está afastado, retorne. Se está decepcionado, ore. Se magoado, perdoe. Se orgulhoso, humilhe-se. Não perca tempo. Volte agora!


Miss. Ericon Fábio

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Uma Igreja pra Chamar de Sua

      Semana passada tivemos a oportunidade de lermos o excelente texto de Rodrigo sobre o mercado de evangelhos, no qual se discute este aspecto de o evangelho ser oferecido como um produto e neste sentido quem tiver o melhor produto agregado aos melhores acessórios tem mais chances de agarrar os clientes. A grande questão é que este mercado é negro e seus produtos são falsos. Mas isto já foi visto na reflexão anterior. Meu foco aqui será o cliente. Este tipo de crente que se acha na condição de consumidor e sendo assim, a igreja deve se esforçar ao máximo para satisfazer as suas vontades, pra não dizer mimos. Todos querem uma igreja pra chamar de sua.

       Este tipo de gente existe e muito nas igrejas atuais, pois esta ideia de igreja empresa e evangelho produto, criou esse personagem cliente e recebedor, no lugar do servo e ofertador. Melhores bancos, sistema de refrigeração, estacionamento e outras coisas estão no topo das prioridades destas igrejas-empresas. E o conteúdo? O ensino? Ah, isto deve ser pensado depois, pois não é primordial. Quando define-se todas estas coisas, aí se pensa em qual evangelho vai se ofertar. Logicamente, o que for mais adequado ao público-alvo. Sim, público-alvo, pois chamar as pessoas de pecadoras condenadas ao inferno é propaganda contraproducente.

       E quando não se está satisfeito com o produto? Simples. Procura-se outro fornecedor. Nada de correção, disciplina, exortação ou excomunhão, se for o caso. Isto é coisa do passado e igrejas que tem essa postura, estão definhando. Vamos procurar outro lugar, pois aqui não podemos chamar a igreja de nossa. Vamos lá. A pergunta que fica é: Até quando? Até a primeira contrariedade. E este entra e sai leva, quase que certamente, ao encontro dos desigrejados, pois lá todos tem uma igreja pra chamar de sua, visto que não há cobrança, nem regras, e cada um vai na sua.

          A Bíblia fala o contrário. Que devemos nos reunir, devemos eleger oficiais, devemos servir uns aos outros com nossos dons e nãos sermos servidos. Que devemos refletir a graça de Deus e o Evangelho neste mundo de amargor. E o compromisso deste povo remido é com o ensino fiel das Escrituras, sem acréscimo nem decréscimo.

         Para encerrar essa reflexão, é bom lembrar que existe alguém que tem uma igreja pra chamar de sua. Este alguém é o senhor Jesus. O Catecismo Maior de Westminster, em sua pergunta 45 diz que Cristo exerce as funções de rei chamando do mundo um povo para si, dando-lhe oficiais, leis e disciplinas para visivelmente o governar.  Ou seja, cremos que a igreja local, sus oficias e governo segundo as Escrituras são uma bênção para seu povo, a verdadeira igreja. Vivamos, então, essa bênção que é ser igreja, em toda sua plenitude, alegre e reverentemente.

Deus nos abençoe. 

FELIZ 2014

Presb. Cícero da Silva Pereira
Facebook: https://www.facebook.com/cicero.dasilvapereira

         
            
          
           

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Os Desigrejados


Para mim resta pouca dúvida de que a igreja institucional e organizada está hoje no centro de acirradas discussões em praticamente todos os quartéis da cristandade, e mesmo fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neopentecostais, a institucionalização e secularização das denominações históricas, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento de igrejas, de sucesso pastoral, os escândalos ocorridos nas igrejas, a falta de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isto tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada.Alguns simplesmente abandonaram a igreja e a fé. Mas, outros, querem abandonar apenas a igreja e manter a fé. Querem ser cristãos, mas sem a igreja. 

Muitos destes estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma. Todavia, existem aqueles que, além de não mais frequentarem a igreja, tomaram esta bandeira e passaram a defender abertamente o fracasso total da igreja organizada, a necessidade de um cristianismo sem igreja e a necessidade de sairmos da igreja para podermos encontrar Deus. Estas idéias vêm sendo veiculadas através de livros, palestras e da mídia. Viraram um movimento que cresce a cada dia. São os desigrejados.
Muitos livros recentes têm defendido a desigrejação do cristianismo (*). 

Em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos.

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou três amigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta a noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.

Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.

Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em vôo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.
É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino.

1) Jesus disse aos discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-19). A igreja foi fundada sobre esta pedra, que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã. Não admira que os apóstolos estivessem prontos a rejeitar os livre-pensadores de sua época, que queriam dar uma outra interpretação à pessoa e obra de Cristo diferente daquela que eles receberam do próprio Cristo. As igrejas foram instruídas pelos apóstolos a rejeitar os livre-pensadores como os gnósticos e judaizantes, e libertinos desobedientes, como os seguidores de Balaão e os nicolaítas (cf. 2Jo 10; Rm 16.17; 1Co 5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3.10; Jd 4; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas Escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitados.

2) A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8). Os desigrejados querem Cristo, mas não querem sua igreja. Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.

3) Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt 18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt 18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co 5). Não entendo como isto pode ser feito numa fraternidade informal e livre que se reúne para bebericar café nas sextas à noite e discutir assuntos culturais, onde não existe a consciência de pertencemos a um corpo que se guia conforme as regras estabelecidas por Cristo.

4) Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At 6.1-6; At 14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm 31-13; Tt 1.5-9; Tg 5.14).

5) Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livre-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At 15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At 16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.

6) Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co 11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.

É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt 18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.

O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb 10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At 15.41; 16.5; veja também Rm 16.4,16; 1Co 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).

No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.

Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia Reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares.

Cristianismo sem igreja é uma outra religião, a religião individualista dos livre-pensadores, eternamente em dúvida, incapazes de levar cativos seus pensamentos à obediência de Cristo.------------------------------------------------------------------------------------------
NOTA:(*) Podemos mencionar entre eles: George Barna, Revolution (Revolução), 2005; William P. Young, The Shack: a novel (A Cabana: uma novela), 2007; Brian Sanders, Life After Church(Vida após a igreja), 2007; Jim Palmer, Divine Nobodies: shedding religion to find God(Joões-ninguém divinos: deixando a religião para encontrar a Deus), 2006; Martin Zener,How to Quit Church without Quitting God (Como deixar a Igreja sem deixar a Deus), 2002; Julia Duin, Quitting Church: why the faithful are fleeing and what to do about it (Deixando a Igreja: por que os fiéis estão saindo e o que fazer a respeito disto), 2008; Frank Viola,Pagan Christianity? Exploring the roots of our church practices (Cristianismo pagão? Explorando as raízes das nossas práticas na Igreja), 2007; Paulo Brabo, Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja (2009).

Augustus Nicodemus

Intercâmbio feito por Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

UMP INDICA: O Fenômeno dos Desigrejados: Causas e Soluções (Bispo Walter MacAlister)

Nessa pregação o Bispo Walter MacAlister fala sobre o recente tema e problema das pessoas que estão fora da igreja. Ele traz alguns pontos para a reflexão como: pessoas que vão à igreja, mas não estão na igreja, pessoas que não vão à igreja e pessoas que acreditam que está em uma igreja é só assistir um culto. Diante dessas reflexões são feitas exposições bíblicas sobre o mandamento das Escrituras que é que devemos ter comunhão com irmãos em uma igreja local e servir a Cristo nessa unidade. Pregação um pouco longa, mas que vale a pena ser assistida!


LARYSSA LOBO
https://www.facebook.com/laryslobo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Qual a Diferença entre Erro e Heresia? Com a Palavra Fraklin Ferreira

"Em outras palavras, DEVEMOS FAZER UMA DISTINÇÃO ENTRE HERESIA E ERRO. A heresia é uma negação do que é essencial para a salvação, tema este que nos distingue como evangélicos. Já o erro é uma negação de algum aspecto da verdade revelada que não é essencial para a salvação. Por isso, a heresia e o erro devem ser evitados, no entanto, somente a heresia deve ser considerada um obstáculo intransponível para a comunhão."

FERREIRA, Franklin & MYATT, Alan. Teologia Sistemática. São Paulo: Edições Vida Nova, 2008. p. XXV.

Leia aqui: 
http://www.vidanova.com.br/imgextras/trecho_teosist.pdf

Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Como Buscar uma Vida de Santidade com Alegria? Isto é Possível? Com a Palavra Joel R. Beeke.

Uma vida santa deve exalar alegria no Senhor, e não uma labuta enfadonha e negativa. A ideia de que a santidade requer uma disposição melancólica é uma distorção trágica das Escrituras, pois elas afirmam que aqueles que cultivam a santidade experimentam alegria verdadeira. Jesus disse: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos do meu Pai e no seu amor permaneço. Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (Jo 15.10-11). Aqueles que seguem, com obediência, a santidade como um caminho de vida conhecerão o gozo que flui da comunhão com Deus. Esse gozo inclui o seguinte:

            A alegria suprema: comunhão com Deus. Não há alegria maior do que a comunhão com Deus. “Na tua presença há plenitude de alegria”, diz Salmos 16.11. A verdadeira alegria procede de Deus enquanto andamos em comunhão com ele. Quando quebramos a comunhão com Deus, por meio do pecado, só podemos retornar, como Davi, com oração de arrependimento, implorando: “Restitui-me a alegria da tua salvação” (Sl 51.12). As palavras que Jesus falou ao ladrão na cruz, representam o maior deleite de todo filho de Deus: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43).

               A alegria incessante: segurança permanente. A verdadeira santidade obedece a Deus e confia nele. Ela diz com segurança: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), mesmo quando não pode ver o fim. Como aqueles que trabalham fielmente numa tapeçaria persa, entregando cegamente os fios coloridos àquele que elabora o padrão acima deles, os santos de Deus lhe entregam até mesmo os fios negros que ele exige, sabendo que o padrão dele é perfeito, ainda que não possa ser visto agora. Você conhece essa profunda confiança, semelhante à de uma criança, de crer nas palavras de Jesus: “O que eu faço não o saber agora; compreendê-lo ás depois” (Jo 13.7). Essa alegria incessante e estabilizadora ultrapassa o entendimento. A santidade produz um contentamento jubiloso, pois “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1Tim 6.6).

                A alegria antecipada: recompensa eterna e graciosa. Jesus suportou seus sofrimentos por contemplar de antemão a alegria de sua recompensa (Hb 12.1-2). Os crentes também podem olhar para frente e contemplar a entrada da alegria de seu Senhor, visto que seguiram a santidade durante toda a sua vida. Pela graça, eles podem antecipar, com exultação, a recompensa eterna de ouvirem: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Jhon Whitlock comentou: “Este é o caminho do cristão, e este, o seu fim: o caminho é a santidade, e o seu fim, a felicidade”.



Joel R. Beeke, Vivendo para a Glória de Deus, Editora Fiel 2010.

Laryssa Lobo