terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Minha graça te basta


“A minha graça te basta” (2Coríntios 12:9)

“...Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais ( Deus vos trata como filhos ); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.” (Hebreus 12:5-8)



No capítulo 12 da segunda carta aos Coríntios, Paulo descreve que em sua carne fora posto um espinho (não descrito com clareza), pelo qual orou três vezes a Deus para que ele fosse retirado, porém o que ouviu do Senhor foi “a minha graça te basta”. O autor do livro de Hebreus 1 discorre acerca da prova do amor de Deus na correção. Mesmo sendo epístolas que buscavam tratar de assuntos diferentes 2 ambas mostram o tratar de Deus com o homem nas adversidades. Há quem diga que o sofrimento não é algo que os verdadeiros cristãos passem, mas veremos que esse tipo de pensamento está em disparidade com o evangelho das Escrituras.
Imagine se nenhum dos personagens bíblicos tivessem sido sujeito à provações ou a certas afrontas e ultrajes. Imagine agora quem seria você se não tivesse passado por alguma adversidade na vida. Certamente se tais coisas deixassem de acontecer não conheceríamos nem o pouco que conhecemos sobre a misericórdia e graça divinas e com toda certeza não teríamos crescido na fé. E assim confesso que a cada adversidade que vivo e após seu termino, lembro das outras e me pergunto duas coisas: onde eu estaria e como eu seria, caso elas não tivessem acontecido em minha vida. E é interessante porque na mesma medida que perguntas como essas aparecem lembro-me do paralelo que certa vez pude perceber: Paulo e Esaú.
Lembrando que Esaú, filho de Isaque e neto de Abraão, foi homem perito em caça, homem do campo (Gn 25:27) e uma de suas características era ser impulsivo e por isso acabou por vender a sua primogenitura a seu irmão em troca de uma refeição (pois havia voltado do campo e se achava bastante fraco e faminto) e em um momento mais a frente, perde a benção do seu pai. Pela venda de sua primogenitura Esaú foi considerado por Paulo como um desrespeitador das coisas sagradas, abdicando de um direito tão impar quanto o de ser peça importante no plano de Deus. Não, não ache que fugi ao tema, pois se continuar lendo a história de Esaú verá que ele foi alguém que viveu a seu bel prazer, ou em outras palavras, a vida deste homem foi entregue a sua vontade errante de viver a vida como bem quis. Esaú foi um típico filho bastardo, sem correção; alguém que simplesmente viveu sem buscar o conhecimento de quem era Deus e qual a importância disto para Ele.
Olhando para vida de Paulo, notamos claramente por tudo o que viveu e escreveu era reflexo de uma vida transformada pela ação divina. Paulo quando buscou fazer aquilo que bem queria (perseguir os cristãos da época), Deus o impediu, literalmente derrubou-o do cavalo, o fez cair de seu ego. E para que Paulo não esquecesse de que dependia totalmente de Deus, tinha uma dificuldade (espinho na carne, como dito acima)
Existe uma diferença entre a forma que cada um dos personagens citados agiu. Enquanto um, atraído pela graça de Deus, foi moldado e aperfeiçoado outro foi quem ele “desejou” 3 ser.
O mais miserável dos seres humanos é aquele que Deus simplesmente deixou ser o que bem quis ser, por assim dizer. Ou seja, os que estão sem repreensão, constituem, na verdade aqueles que são obras da criação de Deus, mas que se apresentam como filhos bastardos, mas que nesse caso, foram os filhos que não reconheceram Deus como pai, assim como Esaú desconsiderou a primogenitura, assim como o rei Saul foi o rei que desejou ser e não que Deus o ordenou a ser.
Spurgeon em um de seus sermões devocionais sugeriu a pequena “parábola” :

Há um farol em alto mar: a noite está calma - não posso dizer se sua estrutura é sólida ou não; a tempestade precisa desabar sobre ele, e só assim saberei se continuará em pé. Assim é com a obra do Espírito Santo: se ela não fosse cercada por águas tempestuosas em muitas ocasiões, não saberíamos que é forte e verdadeira; se os ventos não soprassem sobre ela, não saberíamos o quanto é firme e segura. As obras-primas de Deus são aqueles homens que permanecem firmes, inabaláveis, em meio às dificuldades:  "Calmo em meio ao choro transtornado Confiante na vitória."

                Em qualquer situação, a graça de Deus nos basta. Se estamos sendo açoitados pelas dificuldades nesse momento é por uma razão, é para o nosso aperfeiçoamento, para o crescimento do cristão.

Soli Deo Gloria



[1] Não se sabe ao certo quem escreveu, porém supõe-se Paulo como um dos mais prováveis.

            [2] Em 2ª Coríntios o propósito era Afirmar o ministério do Paulo e defender sua autoridade como apóstolo, assim como refutar aos falsos professores em Corinto.  Já no livro de Hebreus, Apresentar a suficiência e a superioridade de Cristo.

            [3] Logicamente, desejou viver de acordo com a influência pecaminosa natural e também inerente a todo homem não regenerado.




Felipe Alexandre Medeiros


@felipe_ipb

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

UMP Indica: Seguidores ou Formadores de Cultura?

Indicamos hoje um trecho da pregação ministrada pelo Pastor Herber Carlos Jr. durante a conferência Fiel deste ano (2012), cuja o tema foi "Amar a Deus com todo o entendimento".

Neste trecho específico, o Pastor faz uma aplicação bastante prática que nos leva a seguinte reflexão: nós criamos cultura ou apenas seguimos a já formada e a moldamos com o nosso rótulo pré-fabricado GOSPEL?

Que este breve vídeo o provoque um pouco mais, afim de que busque compreender o seu papel como formador de cultura, como reflexo do poder criativo de Deus e da soberania de Cristo sobre todas as coisas. Que Deus o abençoe!

Veja o vídeo:

Rodrigo Ribeiro

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Por que acreditar nos milagres bíblicos? Com a Palavra John Blachard



No século XVIII, o cético escocês Davi Hume lançou um ataque violento sobre os milagres. Em poucas palavras, o seu argumento era que as leis da natureza baseavam-se no mais alto grau de probabilidade, enquanto que os milagres tinham o mais baixo grau de probabilidade; de forma que a coisa mais sábia a ser feita era não acreditar em milagres. Ele ainda continuou dizendo que o único milagre era que alguém pudesse acreditar neles! O Dicionário Chambers descreve milagre como “um evento ou ato que quebra as leis da natureza” [1]. E, para muitas pessoas, esta frase encerra o caso: na ausência de Deus, qualquer coisa que pareça contradizer as leis científicas, de tempo e espaço, que governam nosso mundo, não pode ser verdadeira e deve ter outra explicação. Note que as palavras que enfatizei! Uma vez que Deus é excluído desde cenário, eventos classificados como milagres podem ser tidos como “mistérios” ou “enganos”, e, uma vez que as palavras iniciais da Bíblia são “No princípio, criou Deus os céus e a terra” [2], então ela já começou da pior maneira possível!
Um escritor identificou 232 milagres bíblicos[7], mas isto não nos fornece o quadro completo, visto que a Bíblia nos diz que muitos outros não foram registrados. Se os milagres jamais aconteceram, a Bíblia se auto-destruiria; contudo não é correto começar admitindo a resposta antecipadamente, e sim examinar cada caso à luz das evidências. Se as evidências apontarem para um milagre, este precisa de uma explicação, e excluir Deus antes mesmo de considerar que Ele podia tê-lo realizado não é sábio nem honesto.
Descartar os milagres como não ocorridos por conta de serem contra as leis da natureza pode parecer a coisa mais “cientifica” a se fazer, mas na verdade é exatamente o oposto. As leis da natureza nunca causam qualquer coisa; elas são meramente nossa avaliação de como os fatos normalmente acontecem, e a pessoa que acredita em Deus diria que elas descrevem o que Deus normalmente faz acontecer. A questão dos milagres não é absolutamente uma questão científica e sim teológica. Se Deus existe, e determina as leis da natureza, Ele próprio não está sujeito a elas e pode sobrepujá-las quando as bem entender.
Em uma carta à revista The Times, em 1984, treze proeminentes cientistas, a maior parte deles professores universitários, praticamente eliminam um dos principais argumentos no assunto de milagres: “Não é coerentemente válido usar a ciência como um argumento contra os milagres. Acreditar que milagres não acontecem... milagres são eventos sem precedentes. A despeito de qualquer coisa que as correntes atuais de filosofia ou as pesquisas de opinião pública possam sugerir, é importante afirmar que a ciência... nada pode ter a dizer a este respeito” [8]. Rejeitar a Bíblia porque ela registra milagres é algo simplesmente sem nenhum cabimento.
Retirado do livro/e-book : Por que acreditar na Bíblia? de John Blachard
Traduzido do original em Inglês : Why believe the Bible?
1ª Edição em português, 2006, EDITORA FIEL
Tradução: Maurício Fonseca dos Santos Júnior
Revisão: Marilene Paschoal , Ana Paula E. Pereira, Roberto Freire

Felipe Medeiros

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Você é um Bom Administrador?

A principal função de um administrador é gerenciar. Todos nós em algum momento já praticamos este ato. Gerenciamos nossas tarefas, nosso tempo, e várias outras coisas. E nossa vida cristã, será que estamos gerenciando bem?  Os livros de administração apontam três competências que conduzem o administrador a ser bem sucedido em suas atividades, sendo elas o conhecimento, perspectiva e atitude.  E podemos, sim, refletir nestas competências fazendo paralelos com a nossa vida espiritual.

Vejamos:

CONHECIMENTO: Se refere a todos o acervo de informações, conceitos, ideias, experiências que o administrador possui. Nós servos, podemos e devemos ter essa competência também. Como? Estudando a palavra de Deus, meditando nela de dia e de noite (Salmos 1.2), através de EBDs, de grupos de estudo e até mesmo sozinhos, lendo bons livros e buscando aprofundar-se naquilo que Deus revelou ao homem em sua palavra, crescendo na graça e conhecimento (2 Pedro 3:18).

PERSPECTIVA: É a capacidade de colocar o conhecimento em ação. É saber transformar a teoria em pratica. Como podemos fazer isso na vida cristã? Observando todos os ensinamentos das Escrituras sob o ponto de vista prático. Muitas vezes adquirimos conhecimento, mas o usamos apenas como um adereço a ser guardado em nosso ego, na estante da vaidade, na seção do conhecimento teológico. Aprendemos por aprender, para nos envaidecer com o conhecimento. Não podemos agir desta forma. Toda a palavra de Deus é útil para nos educar na justiça (2 Timóteo 3:16), para nos fazer andar mais de modo mais reto, mais semelhante a Cristo. Sempre que meditarmos em alguma verdade bíblica, devemos trazê-la e aplica-la à nossa vida, ao nosso dia a dia.

E por ultimo temos a ATITUDE: que é o comportamento pessoal do administrador frente às situações com quem se defronta. É essa competência que transforma o administrador em um agente de mudança na organização. É aqui que podemos perceber uma semelhança com o conceito que temos de testemunho cristão. Tudo que aprendemos, e que a aplicamos em nossas vidas, deve moldar nosso caráter, nossa forma de lidar com as situações e com as pessoas. É necessário que testifiquemos com nossas vidas aquilo que pregamos, a mudança que afirmamos que ocorreu em nós. As transformações surgem através de uma vida piedosa, que reflete no seu cotidiano o poder e a veracidade das verdades que propaga.

De forma simples somos impulsionados a um questionamento seríssimo: quantas vezes nos pautamos por essas competências em nossos negócios, em nossas carreiras, mas somos absolutamente negligentes e relapsos com nossas vidas espirituais, com nossas práticas devocionais? Será que entendemos que os negócios são mais sérios e mais importantes que nossa comunhão com Deus?

Muitas vezes, dentro da igreja, tem se recorrido a métodos de Administração e outras ciências para fazer a igreja crescer, aplicando fórmulas prontas de forma absolutamente equivocada. Se esse mesmo pragmatismo fosse, pelo menos, direcionado à vida devocional, teríamos cristãos mais disciplinados, organizados, compromissados e crescendo através de uma busca diária a Deus. Não existe uma fórmula matemática para o sucesso, pois as variáveis não estão sobre o nosso controle, no entanto, aquele que se compromete com Deus, a dedicar tempo buscando-o, certamente crescerá e dará bons frutos.

Que sejamos administradores aprovadas por Deus, no gerenciamento de nosso tempo, conhecimento e força, aplicando-os em uma busca continua de Sua graça em nossas vidas.

Rafaelly Amado e Rodrigo Ribeiro

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

UMP Indica - Livre Arbítrio (Pr. Augustus Nicodemus)


Uma das grandes questões que permeiam na igreja há muito tempo e que ainda é foco de discussões é sobre o que é o Livre Arbítrio ou o que a doutrina do Livre Arbítrio diz; se ele fere a soberania de Deus, se é comprovado biblicamente.

Em torno dessa temática tão polemizada e até saturada por diferentes doutrinas, assisti a um vídeo do Rev. Augustus em um estudo dado na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro no OPS - Ouvindo a Palavra do Senhor em Maio deste ano.

O vídeo difere de muitos outros na explicação dessa doutrina pelo fato de explicar aprofundadamente os seus fundamentos e em contrapartida fundamentos calvinistas desde os primeiros teólogos que discutiram publicamente sobre o tema.

É possível compreender através dele, a atuação dos reformadores perante esse debate milenar. Fazendo-nos compreender melhor o que cremos, qual a nossa posição e o mais importante: a posição das Escrituras em sua amplitude e em um contexto geral.

É essa a indicação de hoje. Fiquem com o link e tenham um bom estudo à luz da Palavra de Deus.

Graça e  Paz.


Walisson Alves

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A preguiça é simplesmente algo que eu sinto!


Você já se perguntou por que o TEXTO DA QUARTA na quinta só chegou aqui por essas horas da noite? Não?! Acredito que você já visitou o blog algumas vezes hoje a procura da postagem do dia e não a encontrou certo?! Então vamos lá.

Tive um dia de trabalho não tão cheio, com alguns momentos “de vacilo”, mas sabe como é, aparece tanta coisa pra fazer, um monte de coisa pra segundo plano, mas que quando aparece a gente pensa: Ah, isso eu faço rapidinho e vou fazer o texto do blog. Acontece que o tempo passa que a gente nem vê. Nossa! Sete horas da noite e eu ainda tenho um texto pra preparar. Foi esse o comentário que fiz com Cristiane, minha irmã e fui pro quarto, pra minha vergonha ela trouxe o notebook até mim e disse: Agora fique aí e vá fazer o texto. E minha resposta sem pensar no que saía da minha boca foi: Tô com uma preguiça... Pra minha vergonha mais uma vez, ela retrucou: É! Esse pode ser o tema! Depois de mais alguma conversa me isolei. Eu já tinha um tema em mente, falaria sobre depositar nossas esperanças em Deus pra tudo na nossa vida, mas tico e teco por um bom tempo discutiam sobre o que eu havia escutado, traduzindo, pensei muito no assunto.

Você já se sentiu sem forças contra você mesmo? Contra suas vontades? Isso é horrível e mais constante do que imaginamos. E por que sabendo disso, nos deixamos levar tantas vezes pela preguiça? Até com as coisas do reino? Ou deveria dizer principalmente com as coisas do reino? Parte do que tentarei transmitir nesse momento é fruto de uma recente, abençoada e edificante aula de Escola Bíblica Dominical.

Infelizmente não é tão agradável de descobrir, mas a preguiça  não é simplesmente algo que sentimos, é algo que surge do desinteresse que gera em nós uma vontade, ainda que involuntária de não fazer algo, não temos preguiça de fazer algo que nos interessa, algo que atrai nossa atenção e para as coisas de Deus não é diferente, é a falta de comprometimento e/ou entendimento da dimensão do propósito de Deus pra nossas vidas e pra vida de tantos para os quais devemos levar a palavra do evangelho, bem como a falta de crença na própria palavra de Deus, pois não consigo discernir como cremos nas sagradas escrituras com tudo que nela está contido e menosprezamos a oportunidade que temos de anunciar o evangelho e edificar vidas através desde postagens como essa a sair falando de Cristo a todos quanto fazem parte do nosso convívio social.

Como então combater isso? A preguiça faz parte das nossas vontades? E por que não sigo a vontade de Deus no lugar da minha? Eu acredito verdadeiramente e tenho a palavra de Deus como minha única regra de fé e prática?

Então pra começar temos que ver se não anda nos faltando conhecimento das escrituras a esse respeito, talvez não façamos por não saber o quê, ou não lutemos contra por não entender que existe uma luta.

Devemos buscar diariamente nos alimentar da palavra de Deus, pois nela se encontra a vontade do Senhor pra nossas vidas, não temos como seguir uma vontade que sequer conhecemos, devemos também colocar nossas dificuldades diante de Deus em oração, aí sim conhecendo Sua soberana vontade e tendo a ajuda do Santo Espírito de Deus teremos forças pra lutar contra a nossa carne e vencê-la, lembrando sempre que essa é uma luta diária que travamos quando desejamos nos dedicar às vontades do Senhor ou cedemos quando não nos importamos com o reino dos céus e nos acomodamos às nossas vontades.

Em Provérbios 6.6 a palavra de Deus nos orienta a atentar para as formigas, observarmos os seus caminhos e sermos sábios. Pois é, sem comentários.

Só mais uma coisa, de manhã cedo em oração pedi que o Senhor me orientasse para a mensagem desse post e creio que assim foi, conforme a vontade de Deus, mas existe uma coisa que cabe a nós e se chama responsabilidade, todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus e o meu dia exatamente assim como foi contribuiu para o meu crescimento, espero que com essa postagem contribua para o seu também.

Karlla Christina

Como o Cristão deve relacionar-se com as ideologias políticas? Com a Palavra, André Bieler


O Cristianismo reformado foi e permanece fator determinante para o desenvolvimento econômico, democrático e cultural dos povos, importa sublinhar que ele só pode desempenhar esse papel se os crentes, nutridos da forte Palavra de Deus para regeneração do mundo, mantiverem, diante dos sistemas econômicos e políticos, a distância crítica que lhes prescreve o evangelho. E isso é válido para os crentes de todas as confissões cristãs. Se os protestantes têm, a tal respeito, responsabilidade particular em virtude de sua história, não possuem por si mesmos qualquer predisposição especial de que possam prevalecer-se.

Ora, tal missão crítica é sempre difícil de exercer, e por vezes perigosa. Quando é fielmente realizada, defronta oposições, porque questiona os interesses egoístas dos indivíduos e dos grupos sociais, seja qual for a classe da população a que pertençam. Já se observou o fato no âmbito político. E é ainda mais verdadeiro no campo econômico, onde se jogam mais diretamente ainda os interesses de cada indivíduo.

Foi exatamente essa experiência que adquiriram, depois da igreja primitiva e, desde o inicio da história, os cristãos reformados, e especialmente os pastores quando mantinham a indispensável independência da prédica que lhes ordena o Evangelho.

[...] Na política, libertado dos crivos ideológicos habituais, o crente, de fato, não se situa à esquerda, nem á direita, nem ao centro, de modo incondicional, porque seus critérios de julgamento têm outra origem. Está, destarte, equipado para engajar-se temporariamente na cidade, a fim de realizar, com outros irmãos de facção diversa da sua, o programa que lhe parece momentaneamente mais justo e urgente para construir uma sociedade viável e duradoura, na precariedade da nossa situação.

BIÉLER, André. In: A Força Oculta dos Protestantes. Traduzido por Paulo Manoel Protasio.  São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 1999. Capítulo IV: A Ética Cristã em luta com as ideologias contemporâneas, pp. 143 e 164.

Rodrigo Ribeiro

@rodrigolgd