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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Autonomia leva à baderna? Com a Palavra, Presb. Solano Portela

Autonomia significa “lei própria”. O conceito implica em subjetividade de normas, ausência de princípios
universais, “descolamento” da lei. Muitas vezes o termo é colocado erroneamente, como sinônimo de “responsabilidade”, mas é muito mais do que isso. Principalmente na esfera pedagógica, autores de renome expressam o seu entendimento sobre a questão de forma perturbadora. Há uma avidez por uma autonomia que rejeita princípios universais:

Por exemplo, Josep Maria Puig Rovira (A Construção da Personalidade Moral, 45, Ática, 1998), na defesa da autonomia, rejeita o conceito de autoridade e de valores normativos universais, quando escreve: “A intervenção educativa deve estar centrada na passagem da moral heteronômica para a moral autônoma. Para que esse objetivo seja atingido deve- se proporcionar experiências que favoreçam o abandono da moral autoritária e convidem a valorizar e a adotar a moral de respeito mútuo e da autonomia”.

Neste mesmo livro, Puig, fazendo referência ao educador Norte americano John DEWEY (1859-1952 - em seu livro, Moral Principles in Education, Leffer&Simons, 1975), considera a autonomia o próprio objetivo da educação, o último nível a ser atingido: “No último nível, ou nível autônomo, o indivíduo atua de acordo com seu pensamento e estabelece juízos em relação aos modelos estabelecidos”.

O conhecido "filósofo da autonomia", Castoriadis (1922-1997), um dos inspiradores do movimento estudantil anarquista, na França (1968) fazia o equalização de autonomia, com liberdade: “Se quisermos ser livres, ninguém deve poder dizer-nos o que devemos pensar".

Se utilizássemos AUTONOMIA somente como sinônimo de RESPONSABILIDADE seria apropriado – afinal, o ideal é que todos cumprissem normas e princípios por convencimento próprio, e não, apenas, por imposição. Mas, como vimos, não é assim que o termo é utilizado - busca-se (e ensina-se) a rejeição de leis e normas - e é por essa razão que esta geração "autônoma" não respeita nada e nem ninguém!

A Escritura nos ensina diferentemente. Nela encontramos, sim, HETERONOMIA – o oposto de autonomia. Regras, princípios, uma lei que emana do Deus sábio e todo- poderoso. As normas não procedem de nós próprios, do nosso íntimo; mas aquelas a serem observadas, universais, procedem de Deus, de fora de nós. Elas são heteronômicas! Estão acima dos regramentos culturais - esses sim, relativos aos tempos e épocas de uma civilização.

No livro de Duteronômio (4.6), temos palavras de Moisés ao Povo de Deus. Moisés, ensina ao Povo que a dádiva de uma lei externa, procedente de Deus, é uma grande bênção. Ele ensina os benefícios da subordinação à Lei de Deus. Não é autonomia que significa liberdade. Na realidade, autonomia de Deus é caracterizada pela escravidão ao pecado. Liberdade real vem como conseqüência do enquadramento nos propósitos de Deus, da observância à heteronômica Lei de Deus. E às nossas leis, na medida em que elas refletem esses regramentos universais divinos. Isso quer dizer, respeito á vida, à propriedade; comprometimento com a verdade; não à violência e à destruição; utilização de vias corretas de protestar ou apelar de uma situação que incomoda. Em suma, ausência de baderna e tratamento exemplar dos violadores da lei - sem uma complacência supostamente humanitária, mas que destrói a frágil estrutura da sociedade e impede a convivência pacífica dos cidadãos.

Não nos enganemos, portanto, com os falsos conceitos de liberdade presentes em nossa sociedade. Principalmente os jovens não deveriam se enganar com uma falsa autonomia do direcionamento dos seus pais, representantes de Deus em suas vidas, ou de outras autoridades que resguardam a lei e os direitos. Devemos nos render à sabedoria dos princípios de Deus explicitados em sua Lei. Usufruamos dos benefícios obtidos no respeito aos seus mandamentos.

Solano Portela

Texto publicado originalmente em

http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/01/autonomia-leva-baderna.html

Presb. Cícero Pereira

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Apontamentos sobre os Tumultos e Manifestações Recentes

Os homens escarnecedores alvoroçam a cidade,
mas os sábios desviam a ira(Pv 29.8)

Algumas pessoas têm me perguntado o que acho das manifestações e protestos que estão ocorrendo em todo o país. Não me sinto em condição de oferecer uma análise político-social de tudo isto, mas posso ao menos tentar entender o assunto em geral do ponto de vista cristão-reformado.

Para começar, o Deus Altíssimo está acima e governa soberanamente, de acordo com seus propósitos insondáveis, os povos, as nações, as multidões, as massas. É esta a mensagem consistente de toda a Escritura. O Salmo 2 descreve Deus rindo e zombando das manifestações das nações, como se os povos pudessem, com sua fúria e rebelião, frustrar os planos do Senhor (Sl 2.1-5). Isaias se refere ao bramido das nações e dos povos em grande ira e de como o Senhor as dispersa como o vento leva a palha (Is 17.12-13).

Embora as manifestações em São Paulo e outras cidades sejam contra o governo e não contra os cristãos, manifestações populares que geralmente acabavam em tumulto foram usadas pelos inimigos de Deus para tentar destruir a Cristo e a igreja cristã nascente. Contudo, pela providência soberana de Deus, os resultados sempre concorreram para o avanço do Evangelho. As massas em Jerusalém vieram ao palácio de Pilatos se manifestar contra Jesus e pedir a sua crucificação, no que foram atendidos (Mt 27.202-26). Ao fazer isto, estavam cumprindo, sem saber, a mais importante etapa do plano da salvação elaborado por Deus, que era a morte do Filho de Deus na cruz pelos pecados de seu povo.

Em outra ocasião, judeus e gentios se juntaram em Icônio para uma manifestação contra ao apóstolo Paulo, que terminou em tumulto. O resultado foi que Paulo saiu de lá e foi evangelizar Listra e Derbe (At 14.5-7). Noutra ocasião ele também foi alvo de uma manifestação popular, desta feita organizada pelos santeiros de Éfeso, revoltados com a queda das vendas das imagens da deusa Diana. O tumulto acabou envolvendo as autoridades locais. O resultado da manifestação foi a saída de Paulo da cidade (At 19.23-40). Todavia, de lá ele seguiu para a Macedônia pregando e confirmando as igrejas.

Mais tarde, os judeus de Jerusalém organizaram um tumulto contra Paulo, pedindo a sua morte (At 21.27-31 e 22.22-29). Mais uma vez a polícia teve de intervir. Paulo escapou porque era cidadão romano. Mas acabou sendo levado preso para Roma, cumprindo assim o plano de Deus – foi da prisão em Roma que Paulo escreveu várias das suas cartas: Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemon.
Ou seja, por mais que as manifestações populares pareçam um poder independente e soberano estão, todavia, debaixo do governo divino. Através delas Deus realiza seu proposito maior, que é promover a sua glória e o bem do seu povo, ainda que, no momento, não percebamos de que forma estas coisas se materializam na história.

Outro ponto a lembrar é que manifestações violentas e tumultos são decorrentes das guerras e contendas que procedem do coração humano, corrompido pelo pecado. Ainda que, por causa da graça comum, existam por vezes motivos justos para estas manifestações, tais motivos são frequentemente misturados com motivações obscuras e impuras  (Tg 4.1-3). Elas expressam o caos espiritual que há nos corações sem Deus e a desordem social e civil que entrou na sociedade humana pelo pecado de Adão e pelo nosso próprio. Como parte de seu governo sobre o mundo, Deus por vezes usa as autoridades para reprimir e castigar os baderneiros. As sedições e tumultos contra o império romano no período neo-testamentário eram reprimidos vigorosamente, como no caso de Barrabás que havia sido condenado a morte por causa de liderar uma sedição e ter matado alguém (Lc 23.19,25). Protestos liderados por Teudas e Judas, o galileu, terminaram com a morte deles pelos soldados romanos (At 5.36-37). Os líderes judeus viviam com medo de serem esmagados pelos romanos caso houvesse entre eles quem liderasse tumultos e protestos (At 19.40). Estas manifestações e protestos de judeus insatisfeitos com o domínio romano tinham um fundo escatológico, decorrente de uma interpretação popular e equivocada quanto à natureza do Reino de Deus.  

Por fim, lembremos que as autoridades foram constituídas por Deus. Conforme Paulo nos ensina, elas são ministros de Deus para proteger os bons, castigar os maus e promover o bem da sociedade. Por isto, devem ser respeitadas, temidas e a elas devemos pagar impostos. A palavra que Paulo usa para se referir à autoridade como “ministro” de Deus é a palavra diáconos, bem conhecida dos cristãos (Rm 13.1-7). Pedro vai nesta mesma linha (1Pe 2.13-14). Isso não significa que devamos, como cristãos, obediência absoluta ao Estado. Nossa consciência está cativa à Palavra de Deus como instância última. 

Em casos de conflito – quando o Estado exige de mim aquilo que a Palavra de Deus proíbe – devo obedecer a Deus e não aos homens. Pois ao colocar-se contra os valores e princípios de Deus, o Estado corrompe seu papel dado por Deus e suas leis são meras leis “humanas” em contraste com as divinas.
Em casos assim, cabe aos cristãos o uso dos meios legítimos para discordar, avisar e alertar o Estado e, finalmente, estar prontos para sofrer as consequências da desobediência à estas leis, como os primeiros cristãos fizeram ao recusar-se a adorar o Imperador, culto oficial e obrigatório do império romano.

Diante do exposto acima, imagino algumas conclusões práticas. Primeira, não devemos jamais temer o tumulto das massas – Deus está no controle. Essa é a confiança dos servos do Altíssimo. Embora tumultos populares organizados tenham sido sempre seja uma arma dos inimigos do povo de Deus para destruir a Igreja, lembremos que Deus sempre reverteu o propósito maligno em favor do seu povo.

Segundo, vejo como legítima a participação dos cristãos em manifestações públicas que sejam ordeiras e pacificas, que não sejam tumultos e que tenham em mente o bem da sociedade e não somente os privilégios dos crentes e evangélicos. Não faz sentido as igrejas se organizarem em passeatas e manifestações e marchas para reivindicar privilégios para os crentes. Estas manifestações são civis, expressões sociais e não um culto. Por exemplo, ao protestarmos contra a aprovação da lei da homofobia devemos fazê-lo essencialmente porque se trata de uma violação da Constituição que garante a todos – e não somente aos crentes – o direito de consciência e de expressão.

Terceiro, não custa lembrar que a maneira da igreja influenciar e mudar a sociedade é fundamentalmente pela pregação do Evangelho de Cristo, chamando governantes e governados ao arrependimento de seus pecados e conversão, pela fé, a Jesus Cristo. Não somente isto, pelo procedimento e pelo exemplo os cristãos se tornam sal e luz do mundo, quando suas obras de amor, arrependimento e fé são vistas pelos incrédulos (Mt 5.14-16).

Rev. Augustus Nicodemus

Intercâmbio feito por Joana Dar`c

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Deu no Jornal hoje; Deus no Jornal Hoje

Na edição de hoje do Jornal Hoje, uma seção intitulada jovens do Brasil discutiu sobre o problema do consumismo entre os jovens brasileiros. Entre vários testemunhos e estatísticas, o psiquiatra  Hermano Tavares dava orientações sobre compulsão por compras, real necessidade de algo e planejamento. Veja a entrevista completa em

O que mais me chamou atenção foi a fala dele na qual diz que o jovem ainda não tem o córtex pré-frontal bem desenvolvido. Esta região é responsável pelas tomadas de decisões levando em consideração o fator tempo. E nos ajuda a fugir das compulsões. O arremate dele é sensacional e abre as portas para o que eu quero falar. (veja a partir dos 24 minutos do vídeo) .Diz ele para os jovens:

    "Jovem, pega emprestado o córtex de teus pais".

Pronto.  A biologia afirma, através de nossa composição e desenvolvimento cerebrais, o que a Bíblia afirmou no quinto mandamento Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.  (Ex 20.5)

Filhos, é de vossa natureza necessitar da orientação de seus pais. Eles são agentes de Deus em nossas vidas. Ao olhar para eles, lembrem-se de que um Pai amoroso nos céus foi que os deu para te guiar, ensinar e nos conduzir. Precisamos deles, precisamos considerá-los. E honrá-los vai muito além de mero formalismo, mas de atentar às suas orientações, ensino e disciplina. E admitamos que  não dá pra viver sem eles. Além de seu amor, dedicação e esmero para nos dar e ensinar sempre o melhor, a nossa própria condição biológica nos manda honrá-los e ouvi-los, para o nosso próprio bem.

Pais, vejam as responsabilidades que temos, pois Deus colocou em nossas mãos a condução de uma pessoa para a vida, a fim de que nesta, o nome de Deus seja honrado e exaltado. Criemos nossos filhos no temor do Senhor, na sua graça e entendamos que eles são nossos filhos, não nossos escravos. O quinto mandamento também é para os pais. Orientem seus filhos sob a Palavra de Deus, a fim de que ele cresça sadio e entendendo o princípio da glória de Deus em todas as coisas. Não abandonemos nossos filhos. Eles precisam de nós. E que nisto vejamos o quanto nós precisamos do Pai Nosso que está nos céus.

Deus nos abençoe.

Presb. Cicero Pereira
@ciceroeiris